Noruega é processada pela WWF por planos de mineração no Ártico

Intenção do governo norueguês em explorar recursos minerais desperta preocupação entre ambientalistas

04/06/2024
Imagem ilustrativa. Foto: Envato

Com as consequências do aquecimento global cada vez mais evidentes no planeta, a Noruega, tida como um dos países com maior índice de desenvolvimento humano do mundo, resolveu navegar contra a maré e deixar de lado a conservação de seus recursos naturais para, justamente, explorá-los por meio da mineração — decisão que rendeu ao país um processo vindo de um dos maiores grupos ambientalistas do mundo, a WWF.

A proposta pretende atingir uma área de 280 mil km² em águas norueguesas na região do Ártico. A ideia, refutada por especialistas e ambientalistas, é extrair do fundo do mar metais e minerais com potencial para uso na chamada energia verde, como baterias para veículos elétricos e turbinas eólicas.

Imagem ilustrativa. Foto: Envato

Em janeiro, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a permitir esse tipo de mineração, após aprovação parlamentar. A ação levou a World Wide Fund for Nature (WWF) a processar o governo norueguês, alegando que o país está abrindo um “precedente perigoso”.

Será um precedente perigoso se permitirmos que o governo ignore suas próprias regras, ignore todos os conselhos ambientais e administre cegamente os nossos recursos naturais comuns– Karoline Andaur, CEO da WWF-Noruega

A fala da CEO reflete o fato de que autoridades ligadas ao governo alertam para o perigo da ação. A Agência Norueguesa do Ambiente, responsável por aconselhar o governo, afirmou que a avaliação de impacto feita pelo Ministério da Energia norueguês — que sustenta a decisão — não fornece base científica ou jurídica suficiente para a mineração, além de não cumprir com os requisitos da Lei dos Minerais dos Fundos Marinhos.

 

Em fevereiro, pouco depois de o país dar “sinal verde” para a mineração, o Parlamento Europeu manifestou preocupação com a decisão e recorreu aos Estados-Membros em busca de uma moratória. Até o momento, 25 países, incluindo França, Alemanha, Espanha, Palau, México e Suécia, se dividiram entre pausa, moratória ou proibição da extração mineral do fundo do mar.


Astrid Bergmål, secretária de estado do Ministério da Energia, comentou que “um processo minucioso foi realizado com amplo envolvimento e que os requisitos aplicáveis foram seguidos.”

A WWF quer julgar o caso em tribunal e eles têm o direito de fazê-lo. Neste momento, não temos mais comentários sobre o processo– Astrid Bergmål, secretária de estado do Ministério da Energia

Vale ressaltar que ambientalistas alertam sobre os potenciais impactos devastadores para o ecossistema marinho com a mineração em alto mar proposta pela Noruega, uma vez que a ação pode destruir habitats marinhos, causar poluição e afetar a biodiversidade de forma irreversível. O processo, feito pela WWF, busca impedir a implementação dos planos até uma avaliação completa dos impactos ambientais.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Pesquisa brasileira revela que semente de planta comum no país pode extrair microplásticos da água

    Estudo da Unesp apontou a semente da acácia-branca como uma alternativa sustentável e eficiente para limpar alguns tipos de microplástico da água

    Real Powerboats levará 8 barcos ao Rio Boat Show 2026, entre eles a Real 42C

    Estaleiro celebra 40 anos de história exibindo lanchas de 27 a 42 pés no salão náutico carioca, que ocorre de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória

    Raros "golfinhos-panda" são flagrados nas Ilhas Malvinas; conheça a espécie

    Manchas que lembram as de ursos panda renderam o apelido ao tipo de golfinho encontrado em apenas duas regiões do planeta

    Das passarelas ao mar: conheça os iates mais icônicos dos principais estilistas do mundo

    De Armani a Dolce Gabbana, veja como os mestres da moda transformaram embarcações em extensões de sua arte

    Que tal jantar a 5 metros de profundidade? Conheça o restaurante onde é possível

    Under, na comuna de Lindesnes, na Noruega, oferece alta gastronomia sob as águas do Mar do Norte em uma estrutura impressionante