Em expedição no Chile, pesquisadores encontram raro porco-do-mar a 2.836 metros de profundidade
Estudiosos estavam em busca das chamadas infiltrações frias; equipe coletou mais de setenta espécimes e muitos podem ser novos para a ciência


Enquanto as fontes hidrotermais liberam jatos d’água que chegam aos mais de 300°C, as infiltrações frias servem de energia química para animais que vivem sem luz solar, como é o caso do raro porco-do-mar (Scotoplanes), espécie encontrada a 2.836 metros de profundidade no Chile durante uma expedição.
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Em março deste ano, um grupo de pesquisadores da Nova Zelândia relatou ter descoberto cerca de 100 novas espécies marinhas também durante uma expedição, a bordo do navio de pesquisa Tangaroa, do Instituto Nacional de Pesquisa da Água e Atmosfera (NIWA). Entre elas estava o porco-do-mar, que se destacou pela aparência semelhante a de um porquinho.


Apesar da similaridade, na ocasião, os cientistas afirmaram se tratar de um pepino-do-mar com algumas deformidades e apêndices, que lembram pernas e orelhas. Fato é que o porco-do-mar foi novamente avistado, também em expedição, mas desta vez, no Chile, a 2.836 metros de profundidade.
Expedição que encontrou porco-do-mar buscava infiltrações frias
Durante a expedição do Schmidt Ocean Institute ao Chile, pesquisadores a bordo do R/V Falkor encontraram infiltrações frias depois de uma busca de mais de 12 horas. Essas áreas, nas profundezas do oceano, estão se mostrando o lar ideal para os porcos-do-mar, já que fornecem hidrocarbonetos como metano e sulfeto de hidrogênio, que vazam lentamente para fora dos sedimentos — ideais para a espécie que vive sem luz solar.
O metano no fundo do mar fornece energia para bactérias, uma fonte de alimento para animais como mariscos, lagostas e vermes tubulares– diz o comunicado do instituto
Segundo o instituto, as infiltrações encontradas na Fossa do Atacama são de uma formação de 8 mil metros de profundidade, que se estende pelo Peru e Chile, e possuem um grande interesse científico. Isso porque essas infiltrações podem fornecer informações sobre o desenvolvimento da vida na Terra e estratégias de sobrevivência em condições extremas, inclusive relevantes para a busca de vida em outros planetas.
Os micróbios que vivem nessas infiltrações têm estratégias incríveis para produzir alimentos sem luz solar. Aqui na Terra, a vida no escuro é estranha por si só e fornece informações críticas para a compreensão de como os organismos persistem nas condições mais extremas– Lauren Seyler, da Universidade de Stockton
“Ainda estamos tentando descobrir como a vida começou na Terra e ambientes que fornecem energia química para a vida, como este, podem oferecer pistas sobre a faísca que acendeu toda a biodiversidade no nosso belo planeta“, completa Lauren.


Além das infiltrações frias, a equipe coletou mais de setenta espécimes, incluindo animais raros e possivelmente novos, como caracóis marinhos e anfípodes, encontrados entre 3 mil e 4,5 mil metros de profundidade. As amostras serão mantidas na Universidade Arturo Prat Museo del Mar em Iquique e no Museu de História Nacional em Santiago, Chile.


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