St. Barts: o “clube dos bilionários” onde os megaiates dominam o metro quadrado mais caro do Caribe
Ilha que pertence à França é sinônimo de luxo, privacidade e cultura náutica; local recebeu diversas estrelas e mais de 226 iates no Réveillon


Há certos lugares que parecem um paraíso na Terra, seja pela estrutura impecável ou pela beleza natural de brilhar os olhos. De certa forma, St. Barthélemy (ou St. Barts, para os íntimos), atende aos dois critérios com rigor. A mágica ilha, que ostenta o metro quadrado mais caro do Caribe, atua como uma perfeita união entre o espetáculo náutico e o ultraluxo, sendo um recanto paradisíaco para os bilionários e seus enormes iates.
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Para se ter uma ideia, conforme destacou a YachtBuyer MarketWatch Intelligence, a celebração do Ano Novo de 2025-2026, período de maior alta no turismo na região, reuniu nada menos que 226 (!) iates, número 33% maior em relação ao ano anterior.
O crescimento, aliás, não se resume “apenas” ao número de iates, mas também à dimensão deles. De acordo com o mesmo portal, o comprimento médio dos barcos saltou de 54,86 metros (179 pés) em 2024 para 56,82 metros (186 pés) em 2025. A essa altura, já deu para notar que o local funciona quase como uma passarela para os principais iates em atividade no planeta.


Por outro lado, além da badalação, a ilha atrai visitantes endinheirados também pela privacidade, como é o caso das celebridades que escolhem o destino para as comemorações de Réveillon. Por lá, os famosos podem exibir sua riqueza sem serem tietados e tampouco com a necessidade de seguranças sempre ao lado. Não à toa, St. Barts recebeu estrelas como Jeff Bezos, Bill Gates e Michael Jordan na última virada.
O refúgio ainda é destino frequente para celebridades como Madonna, Beyoncé, Leonardo DiCaprio e outros astros de Hollywood — todos chegando na ilha por meio de jatinhos particulares ou embarcações de tirar o fôlego.


A festa começa à meia-noite do dia 31 de dezembro. As luzes portuárias se apagam, as dos barcos são acendidas, e tudo vira um espetáculo colorido nas águas, com centenas de iates transformando o local num verdadeiro desfile de luxo flutuante. Simultaneamente, ocorrem diversas festas privativas a bordo, com serviços personalizados e um visual que impressiona visto do alto. O “buzinaço” é a joia da coroa.
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Mas, afinal, quando essa pequena ilha no Caribe virou sinônimo de luxo e repouso para os principais iates?
Um lugar para poucos
Você com certeza já ouviu esse nome na escola: Cristóvão Colombo, o navegador que estabeleceu contato permanente com a América. Pois saiba que ele também foi o responsável por nomear a ilha como conhecemos hoje, ainda em 1493, em uma homenagem ao seu irmão mais novo, Bartolomeu. Naquela época, porém, o local não tinha nada de glamouroso — para se ter ideia, a energia elétrica só foi chegar em 1961.


Por muito tempo, os moradores trabalharam na ilha vizinha, St. Thomas, de onde traziam dinheiro para a família que residia em St. Barts. Na década de 1980, contudo, o pacato lugar teve seu primeiro boom por conta de uma visita ilustre: David Rockefeller, neto de John D. Rockefeller — considerado o empresário mais rico da história moderna, que chegou a dominar 90% de todo o refino e transporte de óleo nos Estados Unidos.
Como dinheiro não era problema para o herdeiro do magnata, ele comprou 27 hectares da ilha e investiu na arquitetura local para que fosse seu “oásis particular”. Como era de se imaginar, a ida de David ao local influenciou outros ricaços, que começaram a visitar St. Barts e transformaram o destino em uma espécie de “clube dos bilionários” em busca de privacidade.


Pertencente à França desde 1877, o lugar foi ficando cada vez mais exclusivo aos ricos. A alta procura levou os valores de moradia para as alturas, fazendo com que muitos moradores nativos deixassem a ilha aos poucos. Nunca houve uma expulsão de fato, mas o custo de vida tornou-se tão inalcançável que as novas gerações não conseguiam permanecer.
Apesar disso, mercados e comércios locais resistem na região, ainda que cercados por lojas de artigos de luxo que concorrem com os pequenos negócios. São eles os responsáveis por viabilizar a visita de quem deseja visitar a ilha mesmo sem sete dígitos na conta.
Pelo céu ou pelo mar
Aqui mora uma particularidade de St. Barts: apesar de todo estrelato, a infraestrutura que sustenta esse intenso turismo náutico não está na ilha, mas na vizinha St. Martin, também território da França. É lá que ficam o aeroporto e as zonas portuárias capazes de receber grandes aeronaves e megaiates.


O aeroporto de St. Martin é famoso por sua pista extremamente curta e perigosa, de apenas 650 metros. Entre as menores do mundo, a pista exige treinamento especial para os pilotos, que só têm três tentativas de pouso antes de uma reciclagem obrigatória.


O local serve como um ponto de distribuição, uma vez que não há marina. Os turistas chegam em jatos grandes em St. Martin e depois pegam um “shuttle” (avião pequeno) ou um barco para St. Barts. Apenas aeronaves pequenas (monomotores ou turboélices de pequeno porte) e helicópteros pousam na região.


O voo saindo de St. Martin dura apenas de 10 a 15 minutos. É rápido, mas emocionante. Isso porque os aviões precisam passar raspando por uma colina (onde fica uma rotatória de carros) e tocar o asfalto rapidamente para não terminarem dentro da Baía de Saint Jean.
Mas, convenhamos: se esse destino está aqui, é porque a melhor forma de chegar até ele é de barco. Partindo da ilha vizinha, de lancha rápida, o trajeto leva de 20 a 30 minutos (14 milhas de distância), enquanto um veleiro pode levar de 3 a 4 horas — a depender das condições de vento.
St. Barts pelo olhar de um brasileiro
O brasileiro Guilherme Guimarães, que vive no Caribe há 22 anos, contou à NÁUTICA sobre a experiência St. Barts no Réveillon. Morador da ilha vizinha, St. Martin, ele já virou o ano em meio a iates poderosos mais vezes do que consegue contar. Mas, para ele, todo ano é uma sensação única.
Teve uma vez que eu dei uma volta lá, um pouco antes de meia-noite, num superiate de 120 pés– lembrou Guimarães


Para ele, já virou tradição passar a virada em família a bordo de algum barco — geralmente de amigos. De lá, segundo ele, é possível observar diversas embarcações ilustres. Só no ano passado, Guimarães registrou a presença do Koru (Jeff Bezos), Christina O (Onassis Yacht) e o Silver Fox (da filha do dono do Walmart).
A pessoa que quer glamour tem que ir no Natal e no Ano Novo. Ela vai ver o auge do top– garantiu o quase caribenho






O brasileiro conta já ter presenciado verdadeiros desfiles de barcos, com performances de dança na popa dos iates, música ao vivo e muita, muita elegância. Além disso, passear pela ilha pode ser mais interessante do que se pensa, pois você pode dar de cara com celebridades a qualquer momento.
A gente convive com tanta gente de dinheiro aqui, dinheiro de verdade, que você não se preocupa com isso– disse Guimarães
A cultura náutica também tem suas particularidades. Apesar do puro luxo, evidenciado pelos megaiates, há espaço para lanchas de menor porte, mesmo que discretas em meio à multidão. Aliás, discrição é a palavra-chave para entender o fenômeno de St. Barts.


Passeios de lancha entre familiares e amigos são comuns, com cada um pilotando a sua, confraternizando com um churrasco, almoço ou jantar e, ao fim, levando sua embarcação para a marina e deixando-a limpinha, pronta para a próxima volta. Nada de holofotes, apenas um lazer, algo casual.
Quem gosta de barco aqui, gosta de estar no mar, gosta de ter barco. Ele não está preocupado em ficar mostrando que tem um iate– garante Guilherme
Em época de fim de ano, contudo, a paz é reduzida e o tempo tende a aumentar para tudo. Com a lotação da ilha, o trajeto de St. Martin até St. Barts leva mais tempo, principalmente dentro da baía. O congestionamento de barcos faz com que se gaste de 20 a 30 minutos apenas para alcançar a vaga alugada, dentro da própria baía.


Entretanto, mesmo já tendo vivido a experiência do Ano Novo e todo aquele espetáculo glamouroso de barcos, a preferência de Guimarães para aproveitar de verdade a ilha é em outra época: quando a maioria vai embora.
A gente curte quando é baixa estação. O verão daqui é a baixa estação– conta Guimarães
Explicamos: no verão, o mar fica mais calmo e a água mais quente, mas, em compensação, o risco de furacão é maior — justamente pelo mar estar mais quente. “No inverno, a água fica entre 26°C/ 28°C, no verão salta para 30°C/ 31°C, às vezes até 32°C”, explica. No Rio de Janeiro, por exemplo, no máximo chega a 21°C.
Todo mundo fica com medo de furacão e esses barcos todos fogem, e a gente, local daqui, aproveita. Ficamos com a ilha só basicamente com a gente– brinca Guilherme
Para quem deseja um período mais calmo, mas ainda com movimentação de pessoas, restaurantes de alto nível abertos — a maioria fecha após o Ano Novo — e apreciação da natureza local, é recomendado visitar o destino no começo do ano, de fevereiro a abril. “Tem gente de fora, mas não é nem perto do ápice”, revela o brasileiro.
Vamos aos valores
Acima de tudo, vale ressaltar que existem diversas empresas de charter em St. Barts, com diferentes preços. Inclusive, há quem visite o Caribe sem necessariamente alugar um barco ou ir com um próprio, optando por se hospedar em hotéis e passear pela ilha — nesse último cenário, caso tenha a sorte de conseguir alugar um veículo.


Mas, para quem deseja navegar nas águas caribenhas em meio aos bilionários durante a alta temporada, os preços são altíssimos: o aluguel de um barco de 100 pés pode custar até US$ 100 mil por semana (mais custos de combustível e provisões). Convertido ao real de fevereiro de 2026, o valor chega a quase R$ 517 mil.
Quando você aluga um barco desse, você basicamente faz uma pré-requisição de tudo o que você quer. A pessoa da tripulação do iate vai no mercado e compra tudo que você precisa– explica Guimarães
Para quem quer algo mais “simples”, como uma lancha de 50 pés para um “bate-volta”, os valores variam entre US$ 5 mil e US$ 6 mil por dia (entre R$ 26 mil e R$ 31 mil). Outro caminho para economizar é alugar um barco pequeno e simples, com a contrapartida de ser “mil e uma funções”: capitão, skipper, cozinheiro, tripulação e o que mais vier.


Suponhamos que, cansado de navegar, você queira uma refeição de alto nível, também na alta temporada. Nesse caso, além do dinheiro, será necessário ter sorte para achar algum lugar disponível. Os valores apenas pelo direito de se sentar na mesa do Nikki Beach, um dos restaurantes mais famosos da região, por exemplo, podem alcançar até 20 mil euros (aproximadamente R$ 122 mil). Fora a refeição.
Para se hospedar, um quarto de hotel simples na alta temporada começa em 600 euros (R$3,6 mil) por dia, enquanto as vilas de luxo — onde geralmente ficam as celebridades — podem custar entre 3 mil (R$ 18,2 mil) e 5 mil euros (R$ 30,4 mil) a noite. Vale ressaltar que os valores mudam constantemente, variando conforme a época do ano.


No fim das contas, com uma vasta gama de restaurantes requintados, locais de vida noturna badalados, belas praias rodeadas por palmeiras e um recanto para potentes iates, St. Barts é o lugar ideal para viver como um bilionário — ou apenas para mostrar que faz parte deles.
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