Em expedição no Chile, pesquisadores encontram raro porco-do-mar a 2.836 metros de profundidade

Estudiosos estavam em busca das chamadas infiltrações frias; equipe coletou mais de setenta espécimes e muitos podem ser novos para a ciência

28/06/2024
Porco-do-mar. Foto: Schmidt Ocean Institute / Divulgação

Enquanto as fontes hidrotermais liberam jatos d’água que chegam aos mais de 300°C, as infiltrações frias servem de energia química para animais que vivem sem luz solar, como é o caso do raro porco-do-mar (Scotoplanes), espécie encontrada a 2.836 metros de profundidade no Chile durante uma expedição.

Em março deste ano, um grupo de pesquisadores da Nova Zelândia relatou ter descoberto cerca de 100 novas espécies marinhas também durante uma expedição, a bordo do navio de pesquisa Tangaroa, do Instituto Nacional de Pesquisa da Água e Atmosfera (NIWA). Entre elas estava o porco-do-mar, que se destacou pela aparência semelhante a de um porquinho.

Foto: Schmidt Ocean Institute / Divulgação

Apesar da similaridade, na ocasião, os cientistas afirmaram se tratar de um pepino-do-mar com algumas deformidades e apêndices, que lembram pernas e orelhas. Fato é que o porco-do-mar foi novamente avistado, também em expedição, mas desta vez, no Chile, a 2.836 metros de profundidade.

Expedição que encontrou porco-do-mar buscava infiltrações frias

Durante a expedição do Schmidt Ocean Institute ao Chile, pesquisadores a bordo do R/V Falkor encontraram infiltrações frias depois de uma busca de mais de 12 horas. Essas áreas, nas profundezas do oceano, estão se mostrando o lar ideal para os porcos-do-mar, já que fornecem hidrocarbonetos como metano e sulfeto de hidrogênio, que vazam lentamente para fora dos sedimentos — ideais para a espécie que vive sem luz solar.

O metano no fundo do mar fornece energia para bactérias, uma fonte de alimento para animais como mariscos, lagostas e vermes tubulares– diz o comunicado do instituto


Segundo o instituto, as infiltrações encontradas na Fossa do Atacama são de uma formação de 8 mil metros de profundidade, que se estende pelo Peru e Chile, e possuem um grande interesse científico. Isso porque essas infiltrações podem fornecer informações sobre o desenvolvimento da vida na Terra e estratégias de sobrevivência em condições extremas, inclusive relevantes para a busca de vida em outros planetas.

Os micróbios que vivem nessas infiltrações têm estratégias incríveis para produzir alimentos sem luz solar. Aqui na Terra, a vida no escuro é estranha por si só e fornece informações críticas para a compreensão de como os organismos persistem nas condições mais extremas– Lauren Seyler, da Universidade de Stockton

“Ainda estamos tentando descobrir como a vida começou na Terra e ambientes que fornecem energia química para a vida, como este, podem oferecer pistas sobre a faísca que acendeu toda a biodiversidade no nosso belo planeta“, completa Lauren.

Foto: Schmidt Ocean Institute / Divulgação

Além das infiltrações frias, a equipe coletou mais de setenta espécimes, incluindo animais raros e possivelmente novos, como caracóis marinhos e anfípodes, encontrados entre 3 mil e 4,5 mil metros de profundidade. As amostras serão mantidas na Universidade Arturo Prat Museo del Mar em Iquique e no Museu de História Nacional em Santiago, Chile.

Foto: Schmidt Ocean Institute / Divulgação

 

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