Mortes suspeitas e “monges fantasmas”: essa ilha francesa tem fama de amaldiçoada
Há ilhas muito lindas pelo mundo, com paisagens encantadoras, histórias maravilhosas e um astral único. Dito isso, a Ilha de Boëdic definitivamente não é uma delas. Este local carrega a fama de amaldiçoado e não é em vão: mortes — quiçá assassinatos — , monges fantasmas e outras lendas atiçam a má reputação da região.
Após 3 anos vivendo em veleiro de 10 metros, Tamara Klink anuncia volta ao Brasil
Ilha mal-assombrada com passeio paranormal vai à venda na Inglaterra
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Não que seja exclusividade desta ilha ter a alcunha de “amaldiçoada” em território francês — afinal, a capital da França está, literalmente, acima de várias catacumbas. Mas Boëdic, localizada no sul da Bretanha, também não carrega boas histórias, mesmo possuindo apenas 11 hectares de extensão.


O motivo para o tamanho dela ser relativamente pequeno se dá pela sua separação. Segundo a história, essa porção de terra teria se separado do continente, ao largo de Vannes — mais especificamente de Arradon, uma das comunas mais abundantes da região.
Entre lendas populares e notícias criminais, o local parece passar longe de um refúgio de luxo. Mas afinal, quais são os motivos para morar ou passear em Boëdic ser uma péssima ideia?
Monges do além e fantasma “do vinho branco”
Pelo que se conta, a ilha teria começado há muito tempo a ser ocupada por monges de “silhuetas misteriosas e encapuzadas [que] percorriam o local ao amanhecer, quando a névoa ainda pairava durante as primeiras orações”.


Seja por respeito ou medo, muitos pescadores não se aventuravam por ali. No século 19, no entanto, foi construída uma mansão — chamada de “castelo”, pelos locais — com 160 m², três andares, um jardim e uma fazenda com pedras extraídas de pedreiras no Golfo de Morbihan.
Entre as duas praias privadas do terreno, uma delas abriga uma série de pedras, onde se destaca a escultura de um homem encapuzado. Embora possa parecer assustador, o rosto esculpido é de um famoso monge, apelidado pelos marinheiros de “Pervinca” — uma espécie de “padroeiro” da ilha.


A arte foi feita por pedreiros que trabalhavam na construção da prefeitura, entre 1864 e 1865, e o monge era bem querido na região, tendo até festa com algumas garrafas de vinho branco. Desde então, a tradição diz que qualquer navio que passe por ali deve tocar sua buzina e beber uma taça de vinho branco sem respirar, para garantir uma boa viagem.
Sequestro e mortes suspeitas
Está preparado para histórias menos folclóricas e mais pesadas? A capela da ilha dedicada a São José foi feita por Narcisse Passot, no século 20. Um industrial parisiense, ele se tornou proprietário da ilha amaldiçoada em 1919. E, então, sequestrou a própria família e trouxe para morar em Boëdic, a fim de que “não se misturassem com o mundo”.


Já durante a Segunda Guerra Mundial, o castelo de Boëdic se tornou um importante ponto de resistência de luta pela libertação, já que a ilha oferecia uma vista privilegiada da “pequena Chambord” — como apelidavam os moradores próximos –, um local de ocupação alemã.
Ao fim da guerra, o “castelo” foi comprado pelos irmãos Goupy, que viveram com autossuficiência graças a um sistema de coleta de água de chuva e sua fazenda de ostras. A ilha amaldiçoada chegou até a ser palco de gravação do filme Le Cavaleur, em 1979.


Até que, repentinamente, um dos irmãos Goupy morreu e o outro foi diagnosticado com Alzheimer. Logo, a ilha amaldiçoada foi vendida ao famoso advogado Olivier Metzner em 2021, por 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 15 milhões, em valores convertidos em outubro de 2024).
E adivinha só? O advogado também foi encontrado morto numa praia de Boëdic. Embora a autópsia tenha apontado suicídio, há teorias que indicam a possibilidade de que seu amante, Alexandre Despallières, seja o autor do crime. Não seria de se estranhar, já que Alexandre também é suspeito de ter assassinado seu ex-amante, o produtor australiano Peter Ikin.
Em 2015, a ilha foi comprada por 4 milhões de euros (aproximadamente R$ 24 milhões, em conversão realizada em outubro de 2024) pelo bilionário francês Christian Latouche, CEO da Fiducial. O magnata se encontra vivo até o momento, aos 84 anos, e segue sem temer a terrível fama do local.
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Velejadora de 28 anos recebeu prêmio que reconhece os feitos de jovens velejadores do centenário Cruising Club of America
Marca exibirá cinco embarcações no salão náutico carioca, que acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Acordo permite que o país tenha base legal para remover, ou mandar remover, naufrágios em águas brasileiras; texto vai à promulgação
Estudo da Unesp apontou a semente da acácia-branca como uma alternativa sustentável e eficiente para limpar alguns tipos de microplástico da água
Estaleiro celebra 40 anos de história exibindo lanchas de 27 a 42 pés no salão náutico carioca, que ocorre de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória




