Não satisfeito com a dificuldade de dar a volta ao mundo velejando em solitário duas vezes, o velejador francês Guirec Soudée se propôs a algo muito mais penoso: circunavegar o planeta de trás para frente. Na teoria, a ideia é simples: fazer o caminho inverso da Vendée Globe (disputa de volta ao mundo em solitário, sem escala). Já na prática, a proposta é duríssima, com um trajeto de ventos contrários que promete castigar até mesmo o mais experiente navegante.
O francês já enfrenta essa missão desde o dia 23 de dezembro de 2025, a bordo do trimarã Ultim MACSF. Sozinho, Soudée está literalmente navegando contra a maré, velejando no sentido este-oeste contra ventos e correntes. De certa forma, é como se ele estivesse sempre indo na contramão.
Entretanto, é justamente com essa rotina que o velejador pretende navegar 40 mil milhas (!) — quase o dobro da Vendeé Globe tradicional (25 mil milhas) — para entrar na história.
Guirec Soudée já completou a volta ao mundo duas vezes em solitário. Foto: Guirec Soudée Adventures/ Divulgação
Em marcha à ré
Você pode estar se perguntando: “por que a rota é mais longa se é o trajeto é o mesmo, só que ao contrário?”. Por mais que o raciocínio faça sentido, na vela não é bem assim. Isso porque não tem como o barco seguir em linha reta, já que o vento está vindo, justamente, de onde ele quer chegar.
Para driblar esse obstáculo, Guirec terá que, depois de contornar cada cabo, navegar por cada oceano para ampliar seu ângulo em 45° em relação ao vento.
Guirec Soudée comemora volta ao Cabo Leeuwin. Foto: Guirec Soudée Adventures/ Divulgação
Apesar de todas as tribulações, o desempenho de Guirec vem sendo avassalador. Até o momento, já foram 63 dias de volta ao mundo ao contrário, sendo que o velejador já passou do Cabo Leeuwin (Austrália) e, neste momento, está a caminho do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. É possível acompanhar a localização do barco em tempo real no site oficial.
Um recorde a ser quebrado
Atualmente, o recorde de volta ao mundo à vela indo no sentido contrário pertence ao velejador francês Jean Luc Van Den Heede, em um monocasco. Também sozinho, ele concluiu a façanha em 122 dias e 14 horas, ainda no ano de 2004. Desde então, a marca permanece intacta.
Foto: Guirec Soudée Adventures/ Divulgação
Em multicascos, apenas duas tentativas foram feitas: a de Yves Le Blevevem, em 2017, a bordo do Actual Ultim; e a de Romain Pilliard e Alex Pella, em 2021, a bordo do Use It Again. Para infelicidade de seus comandantes, ambos falharam na América do Sul. Guirec, contudo, acredita que o seu final será diferente.
Sinto-me pronto para quebrar este recorde– garante o francês
Momentos de tensão
Por estar navegando na contramão do vento, o trajeto tem particularidades que não costumam aparecer na Vendeé Globe. Em seu diário de bordo, publicado frequentemente no site da MACSF (seguradora que apoia o velejador na jornada), Guirec Soudée compartilhou um desses casos enquanto navegava pela costa sul da Austrália.
Foto: Guirec Soudée Adventures/ Divulgação
Ele contou que dividia as águas com plataformas de petróleo, barcos de pesca e navios de carga. “Tenho um navio de carga a estibordo e outro a bombordo. E eles vão passar bem perto”, explicou. Por isso, o estado de vigilância não permitia descanso naquele momento, como detalhou Soudée.
O velejador também precisou lidar com capitães de navios que não estão acostumados a encontrar trimarãs naquela região. “Tive que contatar um navio cargueiro pelo rádio VHF para perguntar se eles conseguiam me ver claramente e se passariam por trás de mim caso eu reduzisse a velocidade. Eles disseram: ‘mas você é rápido’. Respondi que minha velocidade era muito imprevisível, pois dependia do vento.”
O barco ideal
Ciente do caos que enfrentaria quando decidiu contornar o globo ao contrário, Guirec Soudée não poderia ter escolhido um veleiro com histórico melhor.
Trimarã Ultim MACSF, barco escolhido pelo velejador francês para a volta ao mundo ao contrário. Foto: Guirec Soudée Adventures/ Divulgação
Agora chamado de Ultim MACSF, a embarcação é a antiga Sodebo Ultim, que pertenceu ao skipper Thomas Coville — que acabou de bater o recorde de volta ao mundo mais rápida em um veleiro. Sob as mãos de Coville, o barco assombrou o mundo em 2016, quando completou uma circunavegação em solitário em apenas 49 dias, 3 horas e 7 minutos.
Ao que tudo indica, o barco e o novo dono estão em perfeita sintonia e têm tudo para terminar com um final feliz. Mesmo na contramão do mundo, Soudée está no caminho certo para entrar para os livros de história — e, depois disso, não há mais volta.
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O Renault-Penhoët Runabout RP1 “Barracuda II” foi arrematado em bom estado original, com para-brisa panorâmico, motor Dauphine Gordini e volante Ondine
Talvez você não saiba, mas a Renaultjá criou barcos. A fabricante francesa de automóveis se aventurou no meio náutico já nos anos 1961, quando lançou o emblemático Renault-Penhoët Runabout RP1 “Barracuda II”. Essa relíquianão só ainda existe como voltou aos holofotes ao final de 2025, quando foi leiloada.
A casa de leilões parisiense Artcurial foi a responsável por dar ao barcoda Renault um novo lar. Embora listada sem preço mínimo, a embarcação tinha valor estimado entre mil e 2 mil euros. Sua raridade, contudo, superou as expectativas da casa, rendendo 6.020 euros no arremate — o equivalente a cerca de R$ 36,7 mil reais na conversão de fevereiro de 2026.
Foto: Peter Singhof / Artcurial / Divulgação
Conheça essa joia
Um runabout é um tipo de barco projetado para uso diário, passeiose até esportesaquáticos. Ele atua como uma lanchapequena (geralmente entre 16 e 30 pés), aberta e rápida. O modelo da Renault foi desenvolvido em colaboração com a Chantiers Navals de l’Atlantique, um estaleiro francês com forte presença no mercado de navios de alta complexidade e instalações offshore.
Foto: Peter Singhof / Artcurial / Divulgação
A Artcurial, que mediou o leilão, analisou a documentação da embarcação. Segundo a marca, o barco da Renault tem cascolaminado de poliéster, composto por duas seções moldadas: a primeira, o casco propriamente dito, e a segunda, a combinação de ponte, assento e piso.
Foto: Peter Singhof / Artcurial / Divulgação
As seções foram montadas em torno de uma “almofada” de espuma plástica, responsável por garantir a rigidez e a flutuabilidade de toda a estrutura.
O perfil do casco foi projetado para garantir boa proteção na proa, velocidade máxima e alta estabilidade nas curvas– destacou a Artcurial, conforme a documentação
Em bom estado original, com destaque para o para-brisa panorâmico, a lancha se destaca visualmente. Os tons de vermelho e branco dão aquele toque de esportividade ao barco, que carrega ainda um motorde popa Dauphine Gordini de 40 cv, que permitia atingir 50 km/h — atualmente, o equipamentoprecisa de manutenção.
Foto: Peter Singhof / Artcurial / Divulgação
Seu toque vintage sobressai em um elegante painel de instrumentos com tecnologia OS Marine (conta-giros, indicadores de temperatura e combustível), posicionado atrás de um clássico volante Ondine.
Foto: Peter Singhof / Artcurial / DivulgaçãoFoto: Peter Singhof / Artcurial / Divulgação
A embarcação pesa menos de 400 kg, o que é considerado um peso baixo para a época. Ao todo, o Renault-Penhoët Runabout RP1 “Barracuda II” tem capacidade para até cinco passageiros.
De mão em mão
Ainda conforme revelou a Artcurial, esse barco da Renault pertenceu a Jacques Pottier em 1966 e, posteriormente, a seu filho, que o vendeu diretamente para a coleção em 1997 — parcialmente restaurado e revisado mecanicamente.
Foto: Peter Singhof / Artcurial / Divulgação
Apesar do sucesso no leilão, a lancha não obteve o êxito esperado lá na década de 60, o que levou a Renault a encerrar sua produção em 1963. A história dessa embarcação rara, contudo, permanece sendo escrita, e promete ganhar as águasnovamente — não sem uma inspeção do casco e a revisão do motor.
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Criado em 1980, o Projeto Tamar atua na conservação marinha com foco na preservação de tartarugasameaçadas de extinção. Entre suas estratégias está o monitoramentocontínuo das fêmeas em período reprodutivo, que recebem identificação individual para acompanhamento ao longo da vida. Foi esse trabalho que permitiu um reencontro histórico ao final de 2025.
Em 1988, o Projeto Tamar registrouuma tartaruga em desova no Espírito Santo (ES) e, 37 anos depois, o animal foi novamente flagrado no mesmo local e na mesma missão: colocar ovos na areia.
Foto: Equipe de Pesquisa e Conservação do Projeto Tamar no ES / Reprodução
É o registro de recaptura mais longo que temos no Brasil-informou a instituição
O reencontro aconteceu em dezembro durante monitoramento noturno na Praia de Povoação, em Linhares (ES). A fêmea é uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) que já havia sido registrada outras seis vezes pela fundação — todas em desovas na mesma região. Antes deste novo registro, o encontro mais recente havia ocorrido em 2019.
Imagens: Equipe de Pesquisa e Conservação do Projeto Tamar no ES / Reprodução
A equipe de Pesquisa e Conservação do Projeto Tamar no Espírito Santo estima que a tartaruga tenha ao menos 60 anos. A identificação, por sua vez, só foi possível graças a uma pequena peça de inox aplicada nas nadadeiras posteriores ainda no primeiro registro, conforme protocolo oficial de marcação autorizado pelo Governo Federal.
Identificação em aço inox é instalada em nadadeiras. Imagem ilustrativa. Foto: Projeto Tamar / Divulgação
Cada peça carrega um código único e intransferível, que permite acompanhar o histórico do animalsempre que ele é reencontrado pelo Projeto Tamar. Esse tipo de monitoramento ajuda a entender a longevidade reprodutiva, as taxas de sobrevivênciae outros aspectos do ciclo de vida das tartarugas marinhas.
Nas redes sociais, o Projeto Tamar destacou que, pela idade estimada, é possível que, em dezembro, a fêmea tenha desovado na companhia de algumas de suas próprias netas — o que lhe rendeu o apelido carinhoso de “vovó”. A expectativa da equipe é reencontrá-la novamente nas próximas temporadasde desova.
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Adquirida pela brasileira Intech Boating, a Sessa Marine é conhecida por fabricar barcos de alta qualidade no segmento de lanchas premium. Inspirada na italiana Sessa F47, a Sessa F48 é uma lancha com flybridge construída no Brasil com algumas adaptações ao gosto local. Sua plataforma de popa é maior do que a original e — claro — vem com móvel gourmet e churrasqueira; a área do cockpit também é maior; e há quatro geladeiras a bordo (uma no fly e três distribuídas entre a praça de popa e o salão). Tudo isso preservando qualidade e bom gosto na escolha dos revestimentos e acabamentos (tecido, lâminas, metais etc.) — o chamado “design italiano” — e o conforto interno e a privacidade do projeto original, traduzido por três camarotes (uma suíte), dois banheiros e um lindo salão.
Com quase 49 pés (14,90 metros), a Sessa F48 foi homologada para acomodar 16 pessoas durante o dia, sendo que seis passageiros podem pernoitar a bordo. O diferencial da versão brasileira está nos dois pés a mais de comprimento máximo (14,90 metros contra 14,27 metros da F47), o que resultou em uma área de convivência generosa na praça de popa, que soma sete metros quadrados, além da plataforma com móvel gourmet. Outras novidades foram a inclusão de uma cabine para um marinheiro, item opcional, e duas opções distintas de layout da cozinha: uma com área central do salão (ou seja, à meia-nau) e outra na parte de trás, integrada ao cockpit. A lancha com duplo comando também agrada no quesito performance, com seus dois motores Volvo Penta IPS 700, de 550 hp cada.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Na proa, os dois cunhos têm 30 centímetros cada, ou seja, são bem robustos. A âncora de aço inox de 20 quilos vem com 50 metros de corrente de 10 milímetros, itens de série. Opcionalmente, pode-se encomendar o barco com pelo menos 30 metros a mais de corrente, o que é recomendável. O solário (para três ou até quatro pessoas) está cercado de alto-falantes e porta-copos. Para completar, toda essa área fica protegida por um guarda-mancebo consistente, de aço inox, e o convés lateral é largo o bastante para que ninguém precise fazer ginástica para circular.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Na popa, a plataforma de popa submersível (item de série) tem capacidade para erguer até 600 quilos, o que significa que pode sustentar um jet ou um bote. A área é toda revestida com madeira teca (item opcional), que combina muito bem com a proposta de luxo da lancha. O móvel gourmet vem com grill elétrico, tábua de cortar e pia, além do bom paiol na parte de baixo — espaço útil para guardar espias, material de limpeza, cabo de cais e equipamento de mergulho. O acesso à praça de popa (cujo piso, revestido de teca, fica cerca de 30 centímetros acima do nível da plataforma) se dá por uma escada a bombordo.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Bem protegida pelo convés do flybridge (pé-direito de 1,94 m), a praça de popa conta com uma mesa elegante, com abas dobráveis e capacidade para até seis pessoas, um sofá em “L” a boreste e uma geladeira de fibra com placa térmica, evitando deslocamentos na hora de servir as bebidas.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Convés superior
Com mais de 20 metros quadrados e protegido por um teto rígido (a 1,90 m de altura do piso), o flybridge se divide em dois ambientes. Na parte da frente, a boreste, o posto de comando tem assento duplo e painel espaçoso com lugar para dois monitores de até 16 polegadas cada (item opcional). No outro bordo, o projetista instalou um grande estofado, que pode ser usado como solário. Um eficiente defletor de vento ajuda a melhorar a estabilidade do barco e o conforto a bordo, principalmente nos dias mais frios. Timão e comando estão bem-posicionados, mas a bússola não está centralizada em relação ao piloto, como seria conveniente. Sentimos falta também de um lugar para deixar o celular com segurança.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Na parte de ré do fly, há um sofá em “U” e uma mesa dobrável que chama atenção tanto pelo acabamento, com o uso de madeira teca, aço inox e alumínio, como pelo tamanho, já que acomoda até seis pessoas quando totalmente aberta.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Opcionalmente, para proteger do sol quem estiver neste ambiente, é possível encomendar a lancha com um toldo elétrico — acessório altamente recomendado.
Os estofados são bem espessos, feitos com tecido macio e resistente às intempéries, o que aumenta o conforto e a durabilidade. Um móvel de fibra, instalado atrás do posto de comando, é bem útil para preparar petiscos e servir quem estiver acomodado no flybridge. Tem porta-copos, geladeira, tábua de cortar pia e lixeira. Neste ambiente cabem pelo menos oito pessoas, ou seja, metade da capacidade da lancha.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Cabine bem resolvida
No salão, com 1,93 metro de altura na entrada, há duas possibilidades de layout. Na unidade testada por NÁUTICA, na parte de ré, a boreste, fica a mesa de jantar, com altura regulável e abas dobráveis, também com capacidade para seis pessoas, que podem se acomodar em um aconchegante sofá em “L” e em uma banqueta com formato quadrado, de bom tamanho. No outro bordo, há um móvel com bancada e uma geladeira (do tipo frigobar) embutida em um armário com várias portas, perfeito para guardar itens como copos e taças.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
O quadro elétrico e os comandos do som e do gerador também ficam a bombordo, mas logo à entrada, o que é bom, por ser prático. Quando recolhida, a televisão de 43 polegadas, que sobe e desce eletricamente ao toque de um botão, fica escondida atrás da bancada. Quando elevada, por sua vez, fica com a tela voltada para quem estiver no sofá, como deve ser.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Na unidade testada por NÁUTICA, a cozinha foi instalada na parte da frente do salão, a bombordo. Completa, tem forno multifuncional com micro-ondas, outra geladeira padrão frigobar, nicho para guardar temperos, três armários e fogão elétrico por indução de quatro bocas — neste, porém, faltou uma grelha de contenção, ou suportes sobre as bocas, necessários para evitar que as panelas se movimentem com o balanço do barco. Uma cuba e uma lixeira, com nível de acabamento acima da média (como em todo o interior desta lancha, aliás), completam o ambiente, que recebe iluminação natural tanto do para-brisa como das grandes janelas laterais do salão.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
A boreste, bem ao lado da cozinha, o posto de comando principal tem uma poltrona individual de couro, com ajuste de distância. O painel comporta duas telas de 16 polegadas, mas, na unidade testada por NÁUTICA, apenas uma estava instalada. Timão, manetes, joystick para manobras, botões das principais funções de bordo e o rádio VHF estão todos bem-posicionados e ao alcance do piloto. Por outro lado, assim como no comando superior, a bússola não está alinhada com o centro da posição de condução. A visibilidade para a proa é boa, e até para a popa — desde que o condutor se afaste um pouco do comando e se posicione mais ao centro do barco nas manobras de atracação.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
O acesso aos camarotes, no convés inferior, é facilitado por uma escada com luzes de cortesia e um grande pegador a boreste. O camarote de bombordo, com excelentes 2,24 metros de altura, tem duas camas de solteiro (de 1,94 m x 0,69 m) conversíveis em cama de casal, além de armário com gavetas, TV (opcional) de 32 polegadas, grandes janelas de vidro e vigia para ventilação natural. O camarote de boreste é praticamente idêntico; a diferença está na altura, já que é oito centímetros menor (2,16 m), e na possibilidade de acesso direto ao banheiro (com boxe e ducha), que durante os passeios diurnos também serve a área social.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Com pé-direito de 1,94 metro, a suíte máster fica na proa. No seu banheiro, com 1,92 metro de altura, o boxe tem chuveiro no teto. Mas o que mais chama a atenção é a cama de casal, padrão queen size (de 2,00 m x 1,60 m). Tanto a iluminação como a ventilação são naturais e abundantes, graças às janelas de vidro e à escotilha de gaiuta no teto. Armários com prateleiras nos dois bordos, TV de 24 polegadas (opcional), nichos ao lado da cama nos dois bordos, gavetas na frente da cama e paiol embaixo do colchão garantem espaço de sobra para guardar os pertences de um casal.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
O camarote de proa oferece excelente nível de acabamento, tanto pelo emprego de material de qualidade como pela escolha dos itens de decoração, de tons claros, que aumentam a sensação de espaço. Para climatizar os ambientes, a F48 conta com quatro aparelhos de ar-condicionado de 16.000 BTU cada.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
No compartimento dos motores, o pé-direito é baixo: apenas 0,82 m. Porém, como é possível acessá-lo também por uma abertura no piso do salão, acaba-se tendo um bom acesso ao coração mecânico da F48. Aí, não há dificuldade para a manutenção de rotina. Filtros, varetas indicadoras do nível de combustível, bombas de porão: está tudo à mão. Também são facilmente acessíveis o gerador Onan de 13,5 kW e o estabilizador de movimento Seakeeper 3 (item opcional). As redes de hidráulica e elétrica estão bem montadas, com a aplicação de materiais apropriados ao ambiente marítimo. Os dois tanques de combustível, com capacidade total de 1.506 litros, são de aço inox, feitos pela Metalúrgica Xexeu. Têm paredes de dois milímetros de espessura, o que garante alta resistência estrutural aos esforços causados pelos balanços do mar.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Desempenho acima da média
Hora de navegar. Aceleramos a segunda maior lancha flybridge da Sessa na Baía de Guanabara, dentro e fora da barra. O mar estava calmo com ventos na casa dos 5 nós. Nas proximidades da barra, algumas ondas mais altas serviram para colocar o casco à prova. A Sessa F48 passou bem pelas vagas, sem pancadas duras nem levantamento de água para o convés, que se manteve seco. Nas manobras, a resposta em velocidades mais altas foi boa, com raio de giro nas curvas equivalente a um pouco mais que o comprimento do barco. Vale lembrar que, por segurança, a Volvo Penta limita o ângulo de giro das rabetas do sistema IPS, adotando uma configuração mais conservadora do que o máximo possível — o que também influencia no desempenho das manobras.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
O mais surpreendeu no desempenho dessa 49 pés foi a aceleração: para ir da marcha lenta aos 20 nós foram necessários apenas 8,7 segundos, tempo equiparável ao de uma lancha menor, equipada com motorização de centro-rabeta a gasolina. Lanchas com flybridge costumam levar bem mais tempo do que isso (na média, entre 12 segundos e 13 segundos) para chegar a essa velocidade; às vezes, até mais. A velocidade final também foi digna de nota: 33,8 nós, a 3.080 rpm, o que significa que, na média, a F48 é 10% mais rápida do que a maioria das lanchas fly.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Durante boa parte do teste, mantivemos os flaps verticais acionados a apenas 44% (ou seja, parcialmente baixados). O uso desse recurso é necessário em algumas lanchas com flybridge para acertar o trim, que — quando acionado — altera o ângulo de navegação, ajudando a manter o casco na posição ideal, especialmente em relação ao equilíbrio longitudinal (frente/trás).
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Em resumo, a Sessa F48 teve um desempenho eficiente. O mérito disso se deve ao conjunto casco-motorização. Os dois motores a diesel Volvo Penta D8, de seis cilindros e 550 hp cada, acoplados a rabetas IPS — sistema conhecido pela Volvo como IPS 700 — deram conta de empurrar, com destreza, as mais de 16 toneladas estimadas da lancha no dia do teste.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Em relação à autonomia, com 90% da capacidade do combustível (os dois tanques levam 1.506 litros de diesel), é possível navegar, em mar calmo, 210 milhas. Esse número foi aferido com a F48 navegando a ótimos 27 nós (a velocidade de cruzeiro), com os motores Volvo girando a 2.600 rpm, bem abaixo de sua rotação máxima, que foi de 3.080 rpm.
Características técnicas
Velocidade máxima: 33,8 nós (a 3.080 rpm);
Cruzeiro econômico: 27 nós (a 2.600 rpm);
Aceleração: 8,7 segundos (até 20 nós);
Autonomia: 210 milhas (a 2.600 rpm);
Potência: 2 x Volvo IPS 700 de 550 cv cada.
Preço
A partir de R$ 7,46 milhões (com dois motores Volvo Penta IPS 700 de 550 cv cada).
Pontos altos
Construção de primeira linha;
Velocidade máxima e aceleração;
Acomoda bem seis passageiros em pernoite.
Pontos baixos
Bússolas não estão centralizadas para o piloto;
Não tem lugar para celular no flybridge;
Fogão não tem trava para panelas.
Como ela é
Comprimento máximo: 14,9 m (48,9 pés);
Boca: 4,39 m;
Calado propulsão/casco: 1,10 m;
Ângulo de V na popa: 16 graus;
Borda-livre proa: 1,76 m;
Borda-livre popa: 1,44 m;
Peso vazio: 14.500 kg;
Combustível: 1.506 litros;
Água: 560 litros;
Capacidade (dia): 16 pessoas;
Capacidade (noite): 7 pessoas.
Desempenho técnico da Sessa F48. Foto: Revista Náutica
Confira mais detalhes da Sessa F48
Foto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista NáuticaFoto: Victor Santos / Revista Náutica
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Em situações em que embarcaçõesficam presas em meio ao gelo, o resgate costuma exigir um autêntico navio quebra-gelo. Isso porque modelos convencionais não são projetados para resistir à pressão exercida pelas placas congeladas. Mas o que, afinal, concede essa capacidade a esse tipo de navio?
Diferente das embarcações comuns, os quebra-gelos possuem estrutura altamente reforçada e um design específico que permite romper campos de gelo(também conhecidos como banquisas) com até 3 metros de espessura. Porém, os diferenciais não param por aí.
Como funciona um navio quebra-gelo?
Enquanto os navios tradicionais possuem uma proa desenhada para cortar ondas, o quebra-gelo utiliza o próprio peso para esmagar o gelo. Por isso, sua proa é inclinada e arredondada, permitindo que a embarcação “escale” a camada congelada. A força de rompimento atua de cima para baixo, explorando o sentido de menor resistência da banquisa.
Um detalhe crucial na estrutura de um quebra-gelo é a ausência do bulbo de proa — aquela protuberância comum em navios de carga. Nesse caso, o bulbo aumentaria a resistência contra o gelo, o que dificultaria tanto a navegação quanto a quebra das placas.
Além da ausência do bulbo de proa, muitas dessas embarcações contam com uma “faca de gelo” instalada sob o casco, evitando que o navio suba excessivamente sobre alguma placa de gelo eencalhe.
O casco, por sua vez, é composto por chapas de aço de alta resistência que podem chegar a 5 cm de espessura. A escolha do material também não é ao acaso, já que o aço convencional tende a se tornar frágil e quebradiço em temperaturasentre -25°C e -35°C. Por isso, é necessário utilizar um metal resistente a frios ainda mais intensos.
Navio quebra-gelo atômico Rossiya. Foto: Itar-Tass via Russia Beyond / Divulgação
Internamente, esses gigantes contam com casco de parede dupla e reforços estruturais extras para suportar impactos e pressões laterais. Para reduzir o atrito, o revestimento externo recebe polímeros especiais.
Outro recurso tecnológico encontrado em navios quebra-gelo é o sistema de bolhas de ar. A tecnologia bombeia ar comprimido debaixo do casco, criando uma corrente de água e ar entre o navio e o gelo, que diminui o atrito. O formato arredondado do casco, combinado a propulsores laterais, também ajuda a expelir os fragmentos das camadas para longe da embarcação.
Potência extrema
A propulsão de um navio desse modelo exige motoresde altíssimo desempenho. Enquanto sistemas diesel-elétricos são comuns em operações em gelo moderado, os quebra-gelos nucleares — especialmente os da frota russa — ultrapassam 80 mil hp. Tal tecnologia permite que operem por anos sem reabastecimento, sendo limitados basicamente pelo estoque de mantimentos para a tripulação.
Além da potência, a manobrabilidade também é essencial nesse tipo de embarcação. Essa característica, garantida por propulsores azimutais que giram em 360°, permite mudanças rápidas de direção e até navegaçãode ré mesmo cercados por gelo espesso.
Brasil tem navios quebra-gelo?
O Brasil participa e incentiva o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), responsável por levar a pesquisa científica nacional ao continente gelado. Para isso, a Marinha do Brasil conta atualmente com dois navios polares: o Navio Polar Almirante Maximiano (H41) e o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel (H44). Embora atuem em cenários glaciais, nenhum deles é classificado como quebra-gelo.
Navio Polar Almirante Maximiano (H41) e o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel (H44). Foto: Iran Cardoso Jr. / Divulgação
Segundo a InterAntar, grupo de pesquisa da Universidade Federal do ABC dedicado a estudos antárticos, essas embarcações brasileiras possuem casco reforçado para enfrentar pequenos blocos de gelo flutuantes, mas não são projetadas para mares completamente congelados. Na prática, isso limita o alcance das expedições científicas em determinadas regiões.
Ainda assim, diversas pesquisas avançam graças a esses navios — que, em breve, terão um novo reforço. Em maio de 2023, foi iniciada a construção do Navio Polar Almirante Saldanha (H22), em um estaleiro em Aracruz, no Espírito Santo. À NÁUTICA, a Marinha informou que a embarcação deve ser lançada ao mar em julho de 2026, com entrega prevista para o primeiro semestre de 2027.
Segundo a corporação, o novo navio atenderá a todos os requisitos necessários para operar em apoio às pesquisas do PROANTAR, cujas normas não exigem características de um quebra-gelo propriamente dito. No mais, a Marinha adiantou que o H22 terá 103,6 m de comprimento e 18,5 m de boca, autonomia para 70 dias de operação e espaço para 95 pessoas a bordo, entre tripulantes e pesquisadores.
A embarcação será capaz de operar em campos de gelo de até um ano de idade, durante o verão e o outono, conforme o Código Polar da Convenção SOLAS. Também receberá a Classificação Polar 6 (PC6), segundo o Código Polar estabelecido pela Organização Marítima Internacional (IMO).
Mas o Brasil, tem, sim, navios quebra-gelo. Segundo catalogado pela Marinha do Brasil em janeiro de 2026, existem dois navios desse modelo registrados sob bandeira brasileira: um em Santa Catarina e outro em São Paulo.
No fim, romper o gelo não é apenas uma questão de força bruta. É resultado de engenharia específica, planejamento estratégico e tecnologia que permite navegar por onde poucos conseguem chegar.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
O estaleiro pernambucano NX Boats inaugura, no início de março, a primeira Concept Store da marca no Brasil. A unidade funcionará em Maringá, no interior do Paraná, e reforça o posicionamento estratégico da empresa no mercado náutico nacional.
Com estrutura de 2 mil m², a loja conceito foi planejada para atender um público de alto padrão e reforçar a presença da NX Boats em uma região considerada estratégica. Segundo o estaleiro, a escolha de Maringá levou em conta o crescimento de condomínios residenciais e empreendimentos de luxona cidade e no entorno dela.
De acordo com Jonas Moura, CEO da NX Boats, a decisão foi baseada no “enorme potencial de crescimento da região”. A nova Concept Store será a primeira da marca no país.
Foto: NX Boats / Divulgação
Por definição, lojas conceito oferecem experiências mais imersivas e personalizadas com os produtos. No caso da NX Boats, a ideia é que o espaço exiba toda a linha de embarcaçõesdo estaleiro, que tem modelos de 26 a 62 pés.
Outro diferencial é que as lanchasexibidas na Concept Store estarão disponíveis a pronta entrega. Não à toa, a unidade servirá como um centro de distribuição estratégico para a região Sul do país e mercados vizinhos, como na Argentina e no Paraguai.
A loja será integrada ao FIDCda NX Boats, fundo de investimento criado pela empresa para facilitar o acesso ao crédito para compra de embarcações. Segundo o estaleiro, o modelo oferece condições exclusivas de financiamento, com processos menos burocráticos e mais ágeis.
Na inauguração, marcada para 13 de março, seis modelos estarão em exposição — e disponíveis para pronta entrega:
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
A ideia de passar uma noite a bordo, mais cedo ou mais tarde, passa pela cabeça de qualquer dono de embarcação— afinal, acordar já contemplando a vista do mar é bastante sedutor. Para os novatos nessa modalidade, contudo, um pernoite no barco pode ser um grande desafio. Pensando nisso, NÁUTICA reuniu uma série de dicas essenciais para estender o uso da embarcação para além do pôr do sol.
Estar no mar à noite é aproveitar as belezas das águas de uma perspectiva completamente diferente. Elaborar uma estadia confortável, com luzes quentes, um bom drink e um jantar fresquinho é apenas uma das muitas opções para viver esse momento.
Foto: Image-Source / Envato
É sobre se “isolar” com quem se ama, passar um bom tempo de qualidade juntos, cercados pela natureza e por uma paz inigualável — o que não quer dizer que não haverão os famosos “perrengues”, especialmente se você for iniciante. Se esse for o seu caso, vale anotar as dicas a seguir.
Pernoite no barco: como começar sem sustos
Pessoas com insônia ou simplesmente com dificuldades em dormir com o movimento do barco podem sofrer um pouco mais com uma noite a bordo — mas nada que uma pequena adaptaçãoprévia não resolva.
Para uma primeira experiência, vale começar dormindo na marina antes de partir para a ancoragem dos seus sonhos. Vai ser uma boa opção para pegar experiência, especialmente pela estrutura disponível;
Vá com calma. Nada de passar o dia todo a bordo antes de pernoitar no barco pela primeira vez. Prefira chegar já no início da noite, para jantar sem pressa na marina e depois dormir na embarcação.
Pegou o jeito? Hora de explorar!
Com o tempo, você vai perceber que pernoitar não é um bichode sete cabeças. Passada a fase de adaptação, é hora de explorar novos horizontes — mas não sem se preparar ainda mais.
Esteja antenado à parte elétrica do barco para casos de imprevistos à noite — ou tenha a companhia de alguém que entenda do assunto para não passar por sustos;
Confira a previsão do tempo não somente para o dia em que for pernoitar, mas para todos os em que estará no mar;
Faça um checklist de itens como alimentos, bebidas, produtos de higiene, repelente e equipamentosde segurança para não esquecer de nada;
Nunca use uma poita desconhecida: toda poita tem dono e você não tem como saber se ela é segurapara o porte do seu barco;
Evite fundear em locais com fundo de pedra, onde é comum a âncoraenganchar. Prefira onde haja lama ou areia;
Deixe sempre pelo menos uma luz acesa para sinalizar sua localização para os outros barcos;
Para saber a profundidade do local e o quanto de amarra foi para dentro d’água com a âncora, uma opção é fazer marcas visíveis no cabo, de 5 em 5 metros;
Esteja atento: a correnteza sempre será mais forte nos locais onde há grande variação das marés e nos períodos de lua cheia e nova;
Sempre que parar no meio do mar, coloque a proana direção das ondulações;
Nos fundeios, fique sempre contra o vento e as correntezas (ou o que estiver mais forte) para o barco não ser empurrado contra a própria amarra;
Use ao menos três defensas ao parar de costado em um píer: uma no meio, outra na popa e a terceira logo após a bochecha de proa;
Ainda que a ideia seja atracar antes de escurecer, aproveitar o barco sob a luz do luar envolve, naturalmente, estar no mar à noite. Logo, a possibilidade de precisar navegar no escuro precisa ser levada em conta — afinal, imprevistos sempre acontecem. Nesse sentido, é necessário redobrar a atenção.
Foto: NaturesCharm / Envato
A navegação noturna envolve vários riscos, mesmo para os navegadores mais experientes. Isso porque os obstáculos são muitos. A luz da lua é uma grande aliada nessas ocasiões, mas nem sempre estará presente, por exemplo.
Nesse cenário, enxergar com clareza passa a ser um grande desafio. Até mesmo locais familiares se tornarão irreconhecíveis, já que as referências visuais desaparecerão. Troncos, pedras e objetos no mar ficarão praticamente invisíveis, só avistados quando perigosamente pertos demais. Sendo assim, o que fazer?
Não tenha pressa: use uma velocidadeum pouco acima da mínima para manter o planeio;
Use e abuse dos equipamentos eletrônicos, especialmente radar e GPS;
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
O Rio Boat Show 2026 se prepara para abrir o calendário náutico brasileiro. A 27ª edição deste que é considerado o maior salão náutico outdoor da América Latina vai tomar as águasda Baía de Guanabara, dentro da Marina da Glória, de 11 a 19 de abril — e você já pode garantir o seu ingresso com desconto.
Durante nove dias, embarcações, equipamentos, serviços, soluções náuticas e experiências imersivas estarão reunidas em um cenário mais do que especial, onde mar, cidade e natureza se misturam para uma vivência única.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Negócios são fechados sob os braços do Cristo Redentor, enquanto o Pão de Açúcar enfeita o horizonte. O ambiente faz com que o evento vá muito além dos negócios, sendo também um ponto de encontro para quem vive a náutica em sua essência.
Atrações imperdíveis
A 27ª edição do salão promete uma ampla variedade de barcos, entre jets, lanchas, catamarãs, veleiros, infláveise até iates— grande parte deles ancorados na água, lado a lado, e disponíveis para test-drive. Novidades em motores, equipamentos e acessórios também são destaque.
Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica
A lista de atrações do evento inclui um desfile de barcos noturno com direito a show de luzes e palestras com grandes nomes do setor no já consolidado NÁUTICA Talks — que em 2025 recebeu cerca de mil visitantes.
NÁUTICA Talks 2025 recebeu Michelle de Bouillons, Ian Cosenza e Pedro Scooby para um papo sobre os resgates de jet nas enchentes do RS. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica
O público ainda poderá imergir no mundo náutico em atividades como batismo de mergulho e aulas de vela sobre as águas da Baía de Guanabara. Somam-se a isso os elegantes estandes flutuantes, que criam um ambiente sofisticado e imersivo, integrando negócios, lazer e lifestyleà beira-mar
Garanta o seu ingresso para o Rio Boat Show 2026 com desconto
Os ingressos para conferir tudo isso de perto estão disponíveis na plataforma Sympla. Para garantir o seu, basta acessar o site oficial de vendas e selecionar a quantidade e tipo de entradas desejadas. As formas de pagamento aceitas são pix, cartão de crédito (em até 12x) e boleto bancário.
Foto: Victor Santos / Revista Náutica
O preço do ingresso para o Rio Boat Show 2026 é R$ 110 (mais taxas de serviço) para a entrada comum. Idosos e pessoas com deficiência (PcD) têm direito a meia-entrada, por R$ 55 (mais taxas). Cada tíquete vale para qualquer um dos nove dias do salão e criançasde até 1 metro de altura não pagam.
Você que é leitor de NÁUTICAtem ainda uma vantagem: desconto de 30% no ingresso comum. Para isso, basta inserir o código promocional NAUTICA30 na hora de selecionar os ingressos e, assim, garantir a entrada inteira por R$ 77 (mais taxas).
Anote aí!
RIO BOAT SHOW 2026
Quando: de 11 a 19 de abril;
Onde: Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, s/n, Glória, Rio de Janeiro);
Horário: de segunda a sexta-feira das 15h às 22h; sábados e domingos das 13h às 22h; no primeiro dia o evento abre às 15h e, no último, encerra às 21h;
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Barcos tradicionais se unem a kitesurfistas em um espetáculo visual na vila de pescadores de Tsiandamba. Evento ainda leva água potável para comunidades
A cena é de arrepiar: dezenas de “veleiros”, com velas que mais parecem obras de arte, reunidos sobre águas tão cristalinas que desafiam a realidade em tempos de IA. Fechando o cenário, parapentes de kitesurfistas pairam no céu. São esses alguns dos encantos do Focus Festival, um eventode sete dias no sudoeste de Madagascar que reúne arte, cultura marítima, esporte e ação social.
Os veleiros que colorem a paisagem, na verdade, são pirogas, um tipo de barco de madeira utilizado pela tradicional comunidade Vezo — essa, por sua vez, intrinsecamente ligada ao mar, especialmente pela pesca. As pirogas, grandes símbolos desse povo, ainda representam o ingresso para o festival. Veja o espetáculo visual:
Isso porque o destinopara curtir a programação é a remota vila de pescadores de Tsiandamba, por onde só se chega pela água. Logo, os visitantes precisam escolher entre pacotes que incluem um lugar em uma piroga local; ou optar pelo aluguel ou compra de uma pipa de kitesurf. Os valores partem dos 599 euros e chegam aos 999 euros — de R$ 3,7 mil a R$ 6,1 mil na conversão de fevereiro de 2026.
Foto: Focus Festival / Divulgação
O investimento, além de viabilizar a experiência de dias regados a música, cocktails ao pôr do sol e até sessões de fotos, promete ajudar a colocar em evidência uma ação social bastante importante para a comunidade local, que participa da festa como parte integrante, e não apenas como espectadora.
Uma plataforma de ação humanitária
Muito além de um evento esportivoou cultural, o Focus Festival ainda atua como uma plataforma de ação humanitária, mais especificamente voltada ao acesso à água potável nas comunidades locais, que enfrentam uma escassez hídrica severa.
Foto: Focus Festival / Divulgação
Em parceria com a ONG CWater, o festival mobiliza participantes, patrocinadores e visitantes para financiar e viabilizar soluções para esse problema. Entre as ações estão a doação direta de grandes volumes de águapotável e a distribuição de galões reutilizáveis, que permitem o armazenamento seguroe o abastecimento contínuo das famílias.
Foto: Focus Festival / Divulgação
Os criadores da iniciativa, Wildert Mestdagh e Yenno Tellier, porém, queriam uma forma criativa de utilizar esses galões, que passam por grandes dificuldades logísticas até chegar a Tsiandamba. Assim nasceu um dos símbolosmais marcantes da iniciativa: o uso dos recipientes para formar o logotipo do Focus Festival durante o evento.
Foto: Focus Festival / Divulgação
Depois de compor a estrutura visual, todos os galões são doados às comunidades, onde passam a ser utilizados no transportee armazenamento de água potável.
Ao fazer isso, mantivemos uma relação próxima com a comunidade local e respeitamos seu modo de vida, ao mesmo tempo que os apoiamos de forma prática e significativa– ressalta a CWater
Os recursos arrecadados também ajudam a manter unidades móveis de purificação e dessalinização, responsáveis por produzir água potável em regiões sem infraestruturaadequada.
Foto: Focus Festival / Divulgação
Entre pirogas coloridas, parapentes e pipas que cortam o céu e galões que viram símbolo de esperança, o evento mostra que celebrar o martambém pode significar cuidar de quem depende dele para viver.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Por fora, parece um belo navio. Por dentro, tem pedigree de megaiate. Esse é o polêmico Voyevoda, que, embora descrito oficialmente pelo governo russo como um “navio de resgate”, tem comodidades internas que levantam suspeitas pelo alto luxo aplicado em uma embarcação de salvamento. Rumores da imprensa internacional dizem que o barco pode fazer parte da frota de ninguém menos que Vladimir Putin, presidente da Rússia.
Pertencente à classe do Projeto 23700, o navio está sob a jurisdição do Serviço de Resgate Marítimo da Rússia, na região do Mar Báltico. Porém, alegações vindas de dentro do próprio país sugerem que, no mínimo, a embarcação teria duas funções, incluindo a de servir como um barco presidencial.
Vale ressaltar que existem dúvidas evidentes sobre a veracidade dessa afirmação. Entretanto, as suspeitas de que o navio seja utilizado por Putin surgiram a partir de informações oficiais: os documentos do estaleiro Yantar (não disponíveis para o público, mas distribuído à imprensa durante o lançamento), que produziu o barco, revelam que ele possui oito unidades residências com escritórios, sala de conferência e refeitório exclusivo para passageiros.
Navio Voyevoda. Foto: Yantan/ Reprodução
Isso sem contar que, em 2019, foi aberto um contrato de aproximadamente US$ 2,9 milhões, com base na taxa de câmbio da época, apenas para mobiliar e equipar as áreas de “alto conforto”. Porém, por se tratar de um projeto estatal sigiloso, fotos internas do barco não foram publicadas em nenhum momento.
No entanto, as informações amplamente divulgadas por diversos portais estrangeiros (como SuperYacht 24h, Top War e Live Journal) levantaram uma pulga atrás da orelha de Alexander Bogdashevsky, diretor da empresa Ameta, especializada na construção de iates particulares. Conforme publicado pelo portal TWZ, ele confessou suspeitar da embarcação.
A arquitetura e a funcionalidade descrita desta embarcação lembram mais o tipo de iate de expedição atualmente popular– disse Bogdashevsky
O navio, na sua versão já entregue, ostenta uma pintura azul e branca elegante, distinta da frota padrão de resgate. O longo alcance do Voyevoda, aliado ao uso de helicópteros e barcos menores, promete ainda realizar visitas de Estado de forma autônoma, sem necessidade de atracar em portos estrangeiros.
Caso os rumores da imprensa internacional de que o navio seja usado por Putin realmente se confirmem — se é que terá alguma confirmação — , essa não seria a primeira embarcação híbrida da Rússia. Há, por exemplo, o Projeto 23550, um quebra-gelo equipado com canhões e mísseis.
Project 23700 rescue support vessel “Voevoda”.
️Baltiysk, Kaliningrad region.
D. Klepitsyn (July 1). pic.twitter.com/FtrNUptPOt
— Massimo Frantarelli (@MrFrantarelli) July 1, 2025
De toda forma, ainda existe a chance do barco de resgate ser “apenas” bem equipado e preparado para o que der e vier, principalmente para um país que está em guerra e que vive nos holofotes globais.
Sobre o Voyevoda
Saindo do mundo dos rumores e voltando para as informações oficiais do governo russo, a frota do serviço, composta por aproximadamente 80 embarcações, inclui navios multipropósito, rebocadores de resgate, embarcações de mergulho e auxiliares.
Projeção 3D do Voyevoda. Foto: Yantan/ Reprodução
Com 111 metros de comprimento, o Projeto 23700 é uma embarcação de grande porte, com um deslocamento de 7,5 mil toneladas. Seu desempenho inclui uma velocidade de 22 nós (40 km/h) e uma autonomia de 5 mil milhas náuticas. Ele ainda acomoda quatro barcos menores e dois helicópteros.
De acordo com o Serviço de Salvamento Marítimo da Rússia, a embarcação pode transportar, lançar e abastecer equipamentos de busca e salvamento. Oficialmente, o Voyevoda destina-se a realizar tarefas até mesmo fora do Mar Báltico. Atualmente, o site Marine Traffic aponta que a embarcação está navegando pela região, mas seu status não é atualizado há quase 3 meses.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, pode se tornar um dos patrimônios mundiais naturais da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Isso porque o Governo do Brasil entregou um dossiê sobre a ilha para a Unesco onde elencou os motivos pelos quais o lugar merece o título. A previsão é que a análise do documento, entregue no final de janeiro, ocorra em julho de 2027.
A Lista do Patrimônio Mundial Natural da Unesco engloba lugares cuja relevância natural ou cultural ultrapassa fronteiras nacionais e tem importância para toda a humanidade, conforme parâmetros avaliados pela própria organização. Nesse sentido, você sabe quais características de Abrolhos fariam jus ao título?
Abrolhos, um patrimônio nacional com ambição global
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos foi o primeiro dessa categoria a ser criado no Brasil, em 1983. O local integra o maior complexo recifal natural do Atlântico Sul com estruturas únicas e somente encontradas na região, um ecossistema de grande importância para a biodiversidade. Somente por lá é possível encontrar o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis), por exemplo.
Coral-cérebro. Foto: ICMBio / Divulgação
Além de tantos corais, a região de Abrolhos também contribui para a reprodução e o cuidado parental de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae). Segundo o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, esses animais dependem do parque nacional para garantir a perpetuação da espécie.
Avistamento de baleias-jubarte em Abrolhos. Imagens: Instagram @abrolhosparquenacional / Reprodução
Abrolhos simboliza ecossistemas essenciais para o ciclo de vida de animais que circulam pelo planeta, ultrapassando fronteiras nacionais-João Paulo Capobianco
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão do parque, Abrolhos também é habitat de diversas espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, como tartarugas-cabeçudas, tartarugas-verdes e tartarugas-de-pente.
Foto: ICMBio / Divulgação
Outros animais marinhos com grande valor ecológico são encontrados no parque, como badejos, budiões, lagostas, peixes e outros invertebrados. Fora d’água, a região abriga aves marinhas residentes e migratórias, como grazinas-do-bico-vermelho, atobás brancos e marrons e beneditos.
Foto: ICMBio / Divulgação
O parque nacional de Abrolhos é formado por um arquipélago composto por cinco ilhas principais: Ilha Redonda, Ilha Siriba, Ilha Sueste, Ilha Guarita e Ilha Santa Bárbara — esta última excluída dos limites do parque e sob jurisdição da Marinha do Brasil.
Arquipélago de Abrolhos. Foto: 1link.pro @parnamabrolhos / Reprodução
Apesar de todo o apreço natural, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos pode ser visitado durante o ano todo. Segundo o ICMBio, o período entre dezembro e abril é o ideal para quem busca mergulharna região, já que as águas mais quentes oferecem melhor visibilidade. De junho a novembro, o principal atrativo é a observação das baleias jubarte. No mais, é possível avistar aves marinhas durante o ano todo.
Dossiê de Abrolhos à Unesco
O dossiê de apresentação de Abrolhos para a Lista do Patrimônio Mundial Natural da Unesco foi elaborado por diversas entidades do país além do MMA, como o próprio Instituto Chico Mendes e o Ministério das Relações Exteriores.
Abrolhos. Foto: ICMBio / Divulgação
A criação do documento também teve apoio do WWF-Brasil (ONG focada em preservação e sustentabilidade) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, no âmbito do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas. A entrega, feita em 29 de janeiro de 2026, contou com a participação do secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Eduardo Sodré, e de representantes do Itamaraty.
A candidatura de Abrolhos é a terceira apresentada pelo Governo do Brasil desde 2023, que inscreveu, nesse período, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu para integrar a Lista do Patrimônio Mundial Natural da Unesco — e os locais foram aceitos. Atualmente, o país tem 25 lugares nessa lista.
Brasil na lista de patrimônios mundiais naturais da Unesco
O Brasil está entre os países com mais destinosna lista internacional de patrimônios mundiais naturais. Ao todo, são 25 brasileiros — entre patrimônios culturais, naturais e mistos — já aprovados pela Unesco. O único nacional da categoria mista nessa lista é Paraty e Ilha Grande, pela cultura e biodiversidade local. Confira os demais:
Mapa indica, em pontos, os locais que formam a lista de patrimônios mundiais naturais da Unesco. Foto: Unesco / Divulgação
Patrimônios naturais brasileiros
Parque Nacional do Iguaçu;
Reservas da Mata Atlântica do Sudeste;
Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta;
Complexo de Conservação da Amazônia Central 5;
Área de Conservação do Pantanal;
Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas;
Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas;
Missões Jesuíticas dos Guaranis: San Ignacio Mini, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e Santa Maria Mayor (Argentina), Ruínas de São Miguel das Missões (Brasil);
Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão;
Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar;
Conjunto Moderno Pampulha;
Sítio Arqueológico do Cais de Valongo;
Sítio Roberto Burle Marx.
Se o mais recente dossiê apresentado pelo Governo do Brasil à Unesco seguir o padrão dos últimos enviados, em alguns meses o Parque Nacional Marinho de Abrolhos também estampará essa lista.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
De praias paradisíacas e isoladas às badaladas e estruturadas, não faltam opções para curtir o mar nos mais de 7.300 km quilômetros da costa brasileira. Essa abundância não passou despercebida por quem vive muito longe do nosso clima tropical, como revelou uma lista das “7 melhores praias do Brasil”, elaborada pelo National Geographic Traveller, do Reino Unido.
Entre os destinosselecionados pelo portal britânico estão também locais propícios para passear de barco, de onde é possível aproveitar a paisagem do ponto mais privilegiado de uma praia: o mar.
As 7 melhores praias do Brasil pelo National Geographic Traveller
1º: Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
O Rio de Janeiro despontar na lista não é nenhuma surpresa — tampouco a praia de Copacabana. O famoso bairro da Zona Sul da cidade dá o nome de uma das praias mais simbólicas do Rio. Por lá há tudo o que mais representa o Brasil no exterior: esportesao ar livre, um mar azul impressionante, samba por todos os cantos, mate com limão na areia e um soldourado brilhando por todo o ano.
Foto: Edovideo / Envato
De quebra, Copacabana entra no grupo das “praias badaladas e estruturadas”, como era de se esperar em um dos bairros mais sofisticados do Rio. Não faltam opções de hotéis, restaurantese meios de transporte. Aproveitar o mar em um barco é mais difícil, mas se a ideia for ficar na água para além dos mergulhos, vale apostar no surf.
2º: Praia de Lopes Mendes, Ilha Grande (RJ)
Ainda no Rio de Janeiro, mas com uma proposta completamente diferente, está Ilha Grande, costa oeste do estado — também conhecida como Costa Verde. A ilha é um espetáculo à parte, com suas praias paradisíacas cercadas pelo verde de uma Mata Atlântica preservada. No entanto, entre as 187 ilhas e ilhotas, está a queridinha praia de Lopes Mendes.
Foto: Governo do Rio de Janeiro / Divulgação
Por lá é fácil desviar da multidão, já que a praia é acessível apenas por barco ou a pé. Ainda que a faixa de areia se estenda por 2,4 km, o espaço passa bem longe de uma infraestrutura completa — neste caso, ainda bem. O que se vê, no máximo, é uma igreja em ruínasentre amendoeiras e um único bar de praia. No mais, a ideia é relaxar longe da muvuca e mais perto do mar.
3º: Praia de Ipanema, Rio de Janeiro (RJ)
Os britânicos certamente sabem que repetiram o Rio de Janeiro três vezes na lista, mas, convenhamos, não tinha como uma das praias mais famosas do mundoficar de fora dessa seleção. A praia de Ipanema faz com que o turista se sinta mais em casa do que em Copacabana, por exemplo.
Foto: Diegograndi / Envato
Isso porque a praia é um pouco — bem pouco — menos movimentada e encanta ainda mais no quesito beleza natural. Basta sentar-se na areiafofa e olhar ao redor para ter certeza. O mar azul tinindo com o Morro Dois Irmãos embelezando o horizonte não nos deixa mentir. A água, novamente, não é ideal para navegar. Melhor aproveitar um mergulho — mas prepare-se para o famoso caldo.
4º: Praia do Sancho, Fernando de Noronha (PE)
A Praia do Sancho, no arquipélago de Fernando de Noronha, é conhecida até por quem nunca pisou lá. Isso porque o destino não cansa de aparecer nas listas de melhores praias do mundo.
Foto: ICMBio / Divulgação
Ainda assim, esse é um refúgio remoto, com acesso à praia feito por escadas que passam por buracos nos penhascos. Como bem descreveu o veículo britânico, trata-se de “um planalto coberto por uma densa floresta que termina abruptamente em penhascos íngremes, que mergulham em uma pequena baía, cercada por areia dourada e banhada por ondastranquilas de águas azuis brilhantes”.
Para aproveitar de barco é possível embarcar em passeios de lanchaque contornam os morros e permitem ver o Sancho de um ângulo privilegiado. Esses roteiroscostumam incluir várias praias da ilha em sequência, onde é possível avistar golfinhose mergulhar com snorkel.
5º: Praia da Fazenda, Costa Verde (SP e RJ)
A Praia da Fazenda, 5ª da lista, fica a 25 minutos tanto de São Paulo, quanto do Rio de Janeiro. Por lá a natureza se faz presente na mata densa, junto ao rio que precede a chegada à praia de areia acinzentada e mar azul. Para quem deseja fugir da movimentação, o veículo britânico destaca: “muitas vezes o visitante terá a praia inteira só para si”.
O local ainda é um excelente ponto de apoio para explorar ilhas e praias isoladas da Costa Verde. As paradas podem incluir banho de mar, stand up paddle e snorkel, além de passeios gastronômicos em vilas caiçaras acessíveis só pelo mar.
6º: Praia do Campeche, Florianópolis (SC)
Principal acesso à Ilha do Campeche, um dos locais mais preservados de Santa Catarina, a praia do Campeche se destaca por ser considerada uma das “mecas do kitesurf”. Isso porque as condições de vento são ideais para a prática do esporte, com espaço não só para profissionais, mas também para iniciantes.
Foto: Rafael Baumer De S. Thiago / Wikimedia Commons / Reprodução
Não se engane: este não é um destino só para esportistas. Como destacou o National Geographic, a praia dispõe de “dunas de areia inclinadas, cenário florestal e vista para as ilhas ao largo da costa”, sendo também o lugar ideal para simplesmente relaxar.
7º: Praia do Porto da Barra, Salvador (BA)
Famosa pelas águas cristalinas que refletem um pôr do sol estonteante — é uma das poucas voltadas para o oeste no Brasil —, a Praia do Porto da Barra, em Salvador (BA), fecha a lista em grande estilo.
Foto: Paulo SP / Wikimedia Commons / Reprodução
O destino fica em um ponto estratégico dentro da Baía de Todos-os-Santos, uma das maiores baías navegáveis do mundo. Por lá, saídas para ilhas próximas proporcionam passeiospanorâmicos pela orla histórica. Dá para desfrutar desde banhos em suas águas mornas até navegações de escuna para a Ilha dos Frades ou Itaparica.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Tida como a maior regata oceânica da América Latina, a tradicional Regata Internacional Recife/Fernando de Noronha (ou simplesmente ‘Refeno’) já está com inscrições abertas para sua 37ª edição, marcada para o dia 19 de setembro de 2026.
Organizada pelo Cabanga Iate Clube de Pernambuco, a regata oceânica reúne velejadores de diversas partes do Brasil e do mundo em direção ao paradisíaco Arquipélago de Fernando de Noronha. Para participar, basta realizar a inscrição pelo site oficial até às 12h de 17 de setembro de 2026.
Foto: André Rick/Cabanga/ Divulgação
A Refeno é aberta a velejadores e amantes da vela oceânica, que podem participar com embarcações de diferentes portes e categorias. Este ano, as classes contempladas são: ORC, IRC, VPRS, RGS, MOCRA, Catamarã, Trimarã, Aço, Alumínio, Bico-de-Proa, Aberta e Turismo. As divisões técnicas permitem ampla participação de veleiros de cruzeiro e de alta performance, conforme critérios estabelecidos pela organização.
A largada está prevista para acontecer no emblemático Marco Zero do Recife. Serão 300 milhas náuticas (560 km) até o destino, numa travessia reconhecida como uma das maiores confraternizações da vela e um encontro de tradições.
Para saber mais detalhes técnicos, documentação obrigatória, valores da taxa de inscrição e orientação aos comandantes e tripulação, basta acessar o Aviso de Regata (AR), disponível no site oficial do evento.
Uma década de hegemonia
O Adrenalina Pura não sabe o que é perder desde que colocou seu icônico veleiro na Refeno. A embarcação formou uma hegemonia na competição e cruzou o Mirante do Boldró em primeiro lugar em todas as dez participações: 2000, 2001, 2002, 2005, 2006, 2007 e 2008 (sob a bandeira da Bahia) e 2023, 2024 e 2025 (representando Pernambuco).
Adrenalina Pura é o veleiro a ser batido na Refeno 2026. Foto: André Rick/Cabanga/ Divulgação
O mesmo veleiro detém os melhores tempos da história da competição, com destaque para o recorde estabelecido em 2007, quando o Adrenalina Pura, comandado por Georg Ehrensperger, completou o trajeto em apenas 14 horas, 34 minutos e 54 segundos.
Na edição passada, em 2025, o veleiro foi o Fita Azul com o quarto melhor tempo da história da prova: 17 horas, 47 minutos e 46 segundos.
Regata além da vela
Para além do aspecto esportivo, a Refeno também carrega um viés social. O Cabanga Iate Clube de Pernambuco e as embarcações participantes da regata recebem estudantes da rede pública de ensino e jovens neurodivergentes a fim de proporcionar maior inclusão e aproximar novos públicos do universo náutico.
Navio-veleiro Cisne Branco, da Marinha do Brasil, esteve presente na edição passada da Refeno. Foto: André Rick/Cabanga/ Divulgação
Outro destaque é a ação náutica voltada para estudantes da rede estadual de ensino, que embarcam em veleiros para ter noções básicas de vela. Em parceira com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os jovens realizam uma volta na ilha e vivenciam, na prática, os conceitos de preservação ambiental.
Por fim, todo o circuito da Refeno movimenta também o turismo náutico nordestino. Com expectativa de reunir dezenas de embarcações e centenas de velejadores, a 37ª edição da regata oceânica movimenta a economia da região por meio dos setores de hotelaria, gastronomia, serviçosmarítimos, transporte e comércio.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Mais em alta do que nunca, a ciência produzida no Brasil escreve mais um capítulo além das fronteiras. A bióloga marinha brasileira Camila Domit, que atua na área há mais de 20 anos, é finalista do Whitley Awards 2026 — conhecido como o “Oscar Verde” — , uma das premiações mais importantes voltadas à conservação da biodiversidade.
Pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Associação MarBrasil, a brasileira concorre com outros 11 profissionais que, de alguma forma, unem ciência de ponta, impacto social e resultados concretos. Para Camila, o reconhecimento é a consagração de quem dedica uma vida inteira ao mar e a natureza.
A pesquisadora tem como foco o cuidado com a fauna marinha brasileira. Foto: Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR)/ Divulgação
Envolvidas em vários projetos ambientais, Domit é responsável por liderar estudos com tartarugas-verdes por meio do projeto Rebimar, iniciativa voltada à conservação da região litorânea, principalmente no Paraná e na costa sul de São Paulo. No entanto, tubarões, raias e golfinhos também fazem parte da rotina da pesquisadora.
Além disso, a bióloga está à frente do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos; da Coalizão pela Década do Oceano; do Projeto Megacoast e outras iniciativas que, além de produzir ciência, buscam unir por meio do diálogo os pesquisadores e os principais órgãos da sociedade.
Afinal, para Camila, o mais importante para que a vida marinha seja próspera é cuidar do ecossistema onde ela vive: os oceanos. Não à toa, ela atua diretamente na conservação da fauna marinha e participa de redes e fóruns nacionais e internacionais sobre o tema.
O reitor da UFPR, Marcos Sunye; a homenageada, Camila Domit, coordenadora do LEC/UFPR; e o deputado Goura (PDT). Foto: Assembleia Parlamentar/ Divulgação
Parte da dedicação do seu trabalho foi reconhecida em 29 de janeiro de 2026, quando recebeu uma menção honrosa da Assembleia Legislativa do Paraná, em reconhecimento à sua contribuição científica, acadêmica, social e ambiental ao Paraná e ao Brasil.
Entre as principais do mundo
Graduada em Ciência Biológicas pela Universidade Estadual de Londrina (2002/2003) e Mestre em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (2006), Camila Domit, com a recente indicação, está entre os principais nomes da conservação ambiental do planeta.
Organizado pela Whitley Fund for Nature (WFN), com sede no Reino Unido, o prêmio oferece financiamento de projetos, treinamento e visibilidade para os principais conservacionistas do ano, que lideram soluções locais para as crises globais de biodiversidade e clima.
Foto de todos os 12 finalistas do Whitley Award 2026; Camila Domit está no canto inferior direito (última imagem). Foto: Whitley Fund for Nature/ Divulgação
O concurso, criado em 1996, já destinou 26 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 182 milhões em conversão realizada em fevereiro de 2026) aos vencedores. Nessa edição, o aporte financeiro será de 50 mil libras esterlinas (cerca de R$ 350 mil) para os seis melhores. Ao todo, 220 líderes ambientais de 80 países do Sul Global já foram beneficiados pelas bolsas do projeto.
Nesse ano, a concorrência para Camila foi mais pesada do que nunca. A busca global, segundo a WFN, resultou em um número recorde de 270 candidaturas — um aumento de 127% em relação a 2025. Em 2026, o programa recebeu profissionais da África, Ásia e América Latina.
Foto: Universidade Federal do Paraná/ Camila Domit/ Arquivo Pessoal
Agora, para a torcida brasileira, apenas resta torcer e esperar. Os próximos passos incluem a verificação de referências, a análise financeira e a realização de uma rigorosa diligência prévia. Depois disso, o Júri determinará os seis vencedores deste ano. O anúncio ocorrerá ao vivo em Londres, no dia 29 de abril.
Caso conquiste o prêmio, Domit entrará para a lista ilustre de cientistas brasileiros que tiveram a mesma honra no Whitley Awards, que são: Yara Barros (2025), Fernanda Abra (2024), Pablo Hoffmann (2022), Patricia Medici (2020) e Gabriela Rezende (2020). Será que o título novamente vem para as águas brasileiras?
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
A edição 397 da Revista Náutica já é realidade! O material chega recheado com três grandes testes de embarcações — incluindo um iate de 30 metros — de marcas renomadas do mercado, além da cobertura completa do maior salão náutico da América Latina e muito mais.
Para conferir tudo basta ir até a banca mais próxima ou acessar gratuitamente o app de NÁUTICA na loja de aplicativos do seu celular — App Store (iOS) ou o Google Play (Android). Lembrando: pelo aplicativo, assinantestêm acesso antecipado às matérias e as edições podem ser adquiridas de forma avulsa.
Veja os destaques da edição 397 de NÁUTICA
O turismo brasileiro celebra a náutica
Ernani Paciornik, presidente de NÁUTICA, celebra a conquista do Prêmio Nacional do Turismo 2025, o “Oscar” do turismo brasileiro, enquanto relembra sua trajetória de quase cinco décadas dedicadas ao mundo náutico. No mais recente de seus feitos, ele lançou, em plena COP30, em Belém, o JAQ H1, uma embarcação movida a hidrogênio que vai atuar como um laboratório flutuante para estudar e preservar biomas.
Foto: Revista Náutica
A pérola de Maraú
Com marina privativa para 60 barcos, infraestrutura de alto padrão, heliponto e localização privilegiada na Península de Maraú, no sul da Bahia, o Kiaroa Residence & Marina anuncia o lançamento de sua segunda fase para novembro. Projetado pelo arquiteto italiano Paolo Santandrea, em parceria com escritórios brasileiros, o Kiaroa é um condomínio de alto luxo.
Foto: Revista Náutica
O maior salão náutico da América Latina
Desde 1998, o São Paulo Boat Show confirma sua tradição como o principal encontro náutico da América do Sul — e a edição de 2025 reforçou esse status. O evento, realizado no São Paulo Expo, zona sul de São Paulo, reuniu 40 mil visitantes e somou mais de 750 barcos vendidos.
Foto: Revista Náutica
A Bahia no mapa náutico do Brasil
Durante quatro dias, na Bahia Marina, a segunda edição do Salvador Boat Show levou ao público o que há de mais moderno no mundo da navegação entre embarcações, equipamentose acessórios náuticos. Mais de 40 barcos (de 29 a 77 pés) foram apresentados por nove estaleiros — e o salão mais do que dobrou em relação à edição de estreia.
Foto: Revista Náutica
Testes Náutica da edição 397
Ferretti FY 1000
A lista de testes da edição 397 da Revista Náutica começa em grande estilo, com a majestosa Ferretti FY 1000, um iatede nada menos que 30 metros de comprimento (quase 100 pés). São cinco suítes, design italiano e conforto de sobra. Entre seus destaques está o flybridge de 55 metros quadrados de área útil — o equivalente à área de um apartamento de dois quartos.
Foto: Revista Náutica
Focker 370 GTX
Para quem busca uma embarcação na faixa dos 30 pés, NÁUTICA apresenta todos os detalhes da Focker 370 GTX, lancha do consolidado estaleiro catarinense Fibrafort. O barco traz cockpit espaçoso, bom aproveitamento da proa e acomodações para o pernoite de até quatro pessoas a bordo, tendo na motorizaçãode popa um de seus grandes trunfos.
Foto: Revista Náutica
Intermarine 70
A personalização dos barcos ao gosto dos clientes é uma das grandes apostas da brasileira Intermarine. Pensando nisso, NÁUTICA navegou em duas Intermarine 70 para mostrar como a customização pode transformar uma mesma lancha em barcos distintos — sem renunciar ao conforto de quatro camarotes nem de um acabamento primoroso.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
A Operação Navegue Seguro, da Marinha do Brasil, reforça a segurança nas águas por meio da fiscalização de embarcaçõesde esporte e recreio. Durante a alta temporada, a iniciativa é intensificada com a Operação Verão, iniciada em 17 de dezembro de 2025 para o verão 2025/2026.
Em apenas dois meses — até 18 de fevereiro de 2026 — a operação já acumula números expressivos. O balanço considera todos os Distritos Navais da corporação no país. Confira:
60.901 barcos inspecionados;
4.685 notificações emitidas;
342 embarcações apreendidas;
92 autos de infração instaurados.
Foto: Envato
Os dados mostram que 7,7% dos barcos de esporte e recreio fiscalizados no período receberam algum tipo de notificação. Em termos práticos, isso significa que quase 8 em cada 100 barcos inspecionados apresentaram alguma irregularidade.
Durante o Carnaval, a Marinha intensificou as ações em pontos estratégicos do país. No Rio de Janeiro, a Capitania dos Portos promoveu, no último sábado (14), um mutirão da chamada Lei Seca Marítima, com aplicação de testesde alcoolemia em condutores de lanchase jets, com autuações quando necessário.
Foto: Marinha do Brasil / Divulgação
Na Bahia, a Capitania dos Portos reforçou as fiscalizações em Salvador, enquanto a Capitania Fluvial de Juazeiro fez o mesmo no Rio São Francisco e no Lago de Sobradinho. Já em Brasília, a Capitania Fluvial ampliou as inspeções no Lago Paranoá e em outros destinos náuticos estratégicos, como Serra da Mesa e Corumbá IV.
Com caráter também educativo, voltado à prevenção de acidentes e à salvaguarda da vida humana, a corporação destacou os cinco fatores de risco mais recorrentes nas notificações do período:
Uso inadequado ou ausência de coletes salva-vidas;
A Marinha reforça que é fundamental que condutores de embarcações de esporte e recreio mantenham a documentação em dia e estejam atentos às atualizações das Normas da Autoridade Marítima (Normam) antes de sair para navegar.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Se engana quem pensa que a celebração do Carnavalé restrita ao Brasil — embora, por aqui, ela seja mundialmente reconhecida. A festa se estende para partes do mundotodo, cada qual a sua maneira. Na Alemanha, por exemplo, um dos pontos altos é o Da‑Bach‑Na‑Fahrt, em que barris viram barcos divertidos, personalizados pelos próprios participantes, para descer — ou tentar descer — um riacho cercado por uma multidão.
A disputa, que acontece sempre na segunda-feira de Carnaval, neste ano completou 90 anos de tradição sobre as águas do riacho Kirchenbach, na cidade de Schramberg, sudoeste da Alemanha. Por lá, cerca de 40 barris de madeiradecorados, chamados de Zuber, percorrem 500 metros entre trechos desafiadores, de largura e altura limitadas. Veja:
Na prática, o que se vê são embarcaçõesque vão desde a Peppa Pig até uma nave de Star Warsdescendo desenfreadas uma corredeira, enquanto seus pilotos (geralmente duplas e também customizadas) tentam concluir o trajeto sem cair nas águas congelantes do pico do inverno alemão.
Carnaval da Alemanha: o público faz parte da festa
Carnaval, sem público, não é Carnaval — e isso, sim, parece não mudar, independentemente da coordenada. No Da‑Bach‑Na‑Fahrt, arquibancadassão montadas ao longo do riacho, com lugares disputadíssimos.
Torcer, porém, não basta. É necessário participar de forma ainda mais ativa, com direito a um “vocabulário” específico, quase como um manualde sobrevivência para quem vai assistir a disputa. Funciona como um jogo de grito e resposta: o piloto grita uma palavra e o público responde com outra, tal como um “código social” da festa — e se você não souber responder, facilmente será notado como um turista perdido.
O dialeto carrega o típico humor alemão e é bastante específico:
Kanal – voll (canal — cheio): “Kanal” (canal) grita o condutor — “Voll” (cheio) grita o espectador. O eventobrinca dizendo que a expressão não se refere ao estado de alguns espectadores depois de horas em pé no frio e do consequente consumo de Glühwein (vinho quente), mas sim ao nível da água do riacho.
Batsch – nass (patsch — molhado/encharcado): “Batsch” (patsch) grita o condutor — “Nass” (molhado) o espectador. O grito se refere ou ao espectador (quando está chovendo ou quando alguém cai acidentalmente na água) ou, mais comumente, ao próprio condutor que caiu no riacho.
Furz – trocken (peido — seco): Aqui a referência é ao condutor seco — que gera um certo desgosto nos espectadores.
Além desses dialetos, para aqueles que não querem ou não conseguem aprender os “gritos de guerra”, existe o clássico “Narri-Narro”, uma saudação carnavalesca tradicional e considerada a mais “entediante”.
Um trabalho sério, feito em muitas mãos
O Da‑Bach‑Na‑Fahrt é uma disputa divertida e de tradição que anima carnavais desde 1936. Para tudo isso dar certo, três semanas antes da tão esperada descida do riacho os 40 barris são distribuídos aos participantes através de um sorteio. Esse é o tempo que os concorrentes têm para personalizar o barco. Vale usar e abusar da criatividade, sem esquecer de algumas regras: não é permitido furar ou danificar o Zuber, bem como usar substâncias que poluam a água.
Na noite anterior ao evento, os participantes de primeira viagem são “batizados” em uma cerimônia solene. Eles chegam a receber um nome de batismo e, em seguida, são autorizados a “aproveitar” sua primeira e curta viagem pelas águas frias do riacho. Já quando chega a tão esperada segunda-feira de Carnaval, ainda pela manhã, as embarcações decoradas desfilam pelo centro de Schramberg até a Ponte Nova, animando o púbico para a Da-Bach-Na-Fahrt.
Foto: Da-Bach-Na-Fahrer Schramberg / Divulgação
Às 13h, um tiro — de verdade — dá a largada para a descida pelo rio, que é acompanhada por cerca de 30 mil espectadores. Não bastassem os desafios do percurso, as equipes ainda enfrentam esforço físico para levar as embarcações até a água. Mas tudo promete valer a pena, já que, ao final, os participantes podem tomar um banho quente — ou, se permanecerem secos, beber vinho quente.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Nesse domingo (22), a cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS), será palco de uma das principais competições de vela em 2026: o Campeonato Centro e Sul-Americano de ILCA (antigo Laser), que englobará as classes ILCA 7, ILCA 6 e ILCA 4, com regatas disputadas nas águas do Rio Guaíba. O evento seguirá até 7 de março.
A sede da competição será o Veleiros do Sul (VDS), clube náutico da zona sul de Porto Alegre. Até o momento, segundo a lista de pré-inscritos, a disputa reunirá 186 velejadores de 10 países, incluindo nacionalidades das Américas e da Europa. A regata não aceita mais inscrições.
Bruno Fontes será um dos competidores do Campeonato Centro e Sul-Americano de ILCA. Foto: Instagram @brunofontesoficial/ Reprodução/ Fred Hoffmann
O campeonato destaca-se não apenas pela expressiva marca de inscritos, mas, principalmente, pelo altíssimo nível técnico, com campeões mundiais e múltiplos atletas olímpicos no páreo. Confira alguns nomes confirmados para o campeonato de vela em Porto Alegre:
Bruno Fontes (BRA): campeão mundial Master de ILCA 7 (2025) e atleta olímpico em Pequim 2008, Londres 2012 e Paris 2024;
Lucía Falasca (ARG): atleta olímpica em Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024;
Caterina Romero Aguirre (PER): medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023 e campeã mundial de Sunfish;
María José Poncell (CHI): atleta olímpica em Paris 2024 e medalhista Pan-Americana;
Erik Scheidt (BRA): vice-campeão mundial Júnior de ILCA 4 (2025);
Felipe Fraquelli (BRA): campeão brasileiro de ILCA 6 em 2025;
Ana Carolina Roth (BRA): campeã brasileira feminina de ILCA 6 em 2025.
Ao todo, a competição terá velejadores da Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Paraguai, Peru e Uruguai. O certame englobará nove categorias: Sub 18, Sub 19, Sub 21, Sênior, Pré-Master, Master, Grand Master, Great Grand Master e Legend (quando aplicável). Ainda de acordo com a lista de pré-inscrição, a divisão por classes ficou a seguinte:
80 velejadores no ILCA 6;
41 velejadores no ILCA 7;
65 velejadores no ILCA 4.
Os números evidenciam um equilíbrio entre atletas de base e experientes, incluindo desde competidores juvenis até velejadores com mais de 60 anos. Destaca-se também a predominância de velejadores Sub 16 e Sub 18 no ILCA 4 e a participação feminina distribuída nas três classes, com presença marcante na ILCA 4 e ILCA 6.
O Campeonato Centro e Sul-Americano de ILCA servirá de termômetro para os atletas que buscam competições mundiais e olímpicas. Com águas que exigem muitas leituras táticas, o evento promete ser também um “laboratório” para o ciclo dos Jogos Pan-Americanos de 2027 e para a formação das equipes juvenis que disputarão os mundiais de 2026.
Como vai funcionar?
A competição será dividida em dois momentos. Os dias 22 e 23 de fevereiro serão reservados para as disputas de ILCA 6 e, a partir do dia 1º de março até o próximo dia 7, serão realizadas as regatas para a ILCA 7 e 4.
Em Porto Alegre, cada classe de vela competirá em flotilha única, com até 10 regatas programadas e limite de três disputas por dia. Para que o campeonato seja validado, será necessário completar pelo menos três regatas.
Quando cinco ou mais regatas forem concluídas, a pontuação do barco será a soma de suas pontuações em cada regata, excluindo sua pior pontuação (o chamado “descarte”). Caso ocorra menos de cinco, a pontuação do veleiro na série será o total de suas pontuações em todas os circuitos.
As provas seguirão as Regras de Regata à Vela (RRS). Os percursos previstos são do tipo barlavento/sotavento ou trapezoidal, formatos tradicionais da classe ILCA e que exigem alta performance técnica dos atletas. Confira o regulamento completo aqui.
O evento é organizado pelo Veleiros do Sul, Confederação Brasileira de Vela (CBVela), Associação Brasileira da Classe ILCA e International Laser Class Association.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Imagine você estar planejando uma viagem para um destino paradisíaco e se deparar com o dilema de qual prancha levar: uma longboard para as ondas cheias ou uma lazy fish para os dias de mar menor? A Newave desenvolveu peças que tornam essa dúvida ultrapassada, já que o kit permite montar nove diferentes tipos de prancha de forma rápida e descomplicada.
Elaborada por engenheiros franceses ao longo de mais de dois anos, a primeira prancha modular 9 em 1 do mundo pode revolucionar o mercadoe ainda transformar a forma como o lifestyledo surf interage com o oceanoe com a poluição atmosférica.
Fotos: Newave / Divulgação
Todas as peças do kit Newave contam com o sistema W-binding, patenteado pela marca, que permite o “encaixe perfeito” dos módulos. Cada um deles, por sua vez, é composto por espuma de poliestireno revestida com fibra de vidro e a parte do famigerado encaixe em formato de “W” é feita de nylon reforçado.
A marca afirma que a montagem completa de qualquer modelo de prancha leva menos de um minuto e não exige nenhuma ferramenta. Pinos de travamento manual no encaixe em “W” garantem a fixação das partes que, segundo a Newave, não soltam.
Foto: Newave / Divulgação
Liberdade e sustentabilidade
A prancha 9 em 1 promete atender principalmente os surfistas que enfrentam quaisquer ondas. As peças do kit cabem em uma bolsa compacta e feita sob medida que pode ser transportada dentro de carros, ônibus ou aviões.
Foto: Newave / Divulgação
Além da conveniência, a marca reforça o apelo ecológico. Segundo a Newave, cerca de 90% das emissões de carbono envolvidas na prática do surf estão relacionadas ao tipo de transporte até as ondas. Com as peças modulares, é possível chegar ao destino utilizando transporte público, o que ajuda a reduzir a pegada de carbono do surfista.
As peças da Newave permitem criar nove tipos de prancha. São eles:
Lazy Fish: 5’10” (5 pés e 10 polegadas);
All Round Fish: 6’6”;
Long Fish: 6’7”;
Mini Malibu: 7’6”;
Mid Lenght: 8’0”;
Malibu: 8’2”;
Egg: 8’2”;
Gun: 8’10”
Longboard: 9’0”.
Foto: Newave / Divulgação
As maiores, além de enfrentarem ondas grandes, também são indicadas para a prática de stand up paddle — o famoso stand up —, onde se faz uso de um remo para passear sobre a água. Neste caso, os módulos seriam uma boa pedida até para quem quer aumentar o leque de brinquedos aquáticos na embarcação, por ocupar menos espaço a bordo do que uma prancha convencional.
Fotos: Newave / Divulgação
Prós e contras da prancha 9 em 1
Entre os prós, se destacam a versatilidade, a facilidade no transporte, a durabilidade prometida pela marca e a velocidadede montagem, com sistema intuitivo.
Foto: Newave / Divulgação
Por outro lado, a performance dessa pranchamodular, por enquanto, não é certa, já que ainda não há unidades antigas e desgastadas. Da mesma forma, existe a possibilidade da vedação entre as peças ser impactada com o tempo, afetando, por exemplo, sua flutuabilidade.
O preço é outro fator decisivo — que pode, inclusive, ser considerado alto para quem está acostumado com pranchas de entrada. Segundo a Newave, o investimento começa na casa de 840 euros (cerca de R$ 5,2 mil reais, na cotação de fevereiro de 2026).
Apesar do valor, a Newave esgotou os dois primeiros lotes da prancha modular e atualmente aceita inscrições para o terceiro deles no site oficial. Se, mesmo com o passar do tempo, as peças seguirem com a performance nas águasconforme prometido, essa tecnologia pode revolucionar o mercado do surf.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Intensidade. Essa palavra resume muito bem a etapa de Auckland do SailGP, que terminou neste domingo (15). A disputa foi marcada por ventos fortes e pelo acidente chocante entre os catamarãs da Nova Zelândia (anfitriã) e da França. O Mubadala Brazil SailGP Team, por sua vez, terminou o circuito neozelandês na 11ª colocação.
A segunda etapa da temporada 2026 realmente não foi nada tranquila: logo no primeiro dia de disputas, os times da Nova Zelândia (Black Foils) e da França (DS Team France) entraram em colisão em alta velocidade, o que causou danos severos aos barcos e deixou dois atletas feridos. Os competidores foram prontamente atendidos e encaminhados para avaliação médica. Veja o momento:
No vídeo, é possível notar que barco francês passou por cima do veleiro da equipe da casa, causando danos graves em ambas as embarcações, que ficaram presas uma a outra — uma imagem realmente assustadora. Em comunicado oficial, a organização do SailGP informou que os dois países não participarão da próxima etapa, marcada para o próximo fim de semana (27 de fevereiro a 1º de março), em Sydney, na Austrália.
Momento exato do acidente entre os barcos da Nova Zelândia e da França. Foto: SailGP/ Divulgação
A equipe neozelandesa informou que Louis Sinclair, grinder da Nova Zelândia, recebeu tratamento para fraturas expostas em ambas as pernas, mas segue estável, já em casa. Já Manon Audinet, marinheira francesa, sofreu uma contusão abdominal e permanece em observação médica por precaução. Ela está se recuperando bem, segundo o mesmo comunicado.
Condições de vento extremas
Mesmo na segunda etapa da temporada, já dá para afirmar que Auckland não sairá tão cedo da memória dos competidores, sendo marcada como uma das mais intensas do SailGP — não apenas pelo acidente. Os ventos com rajadas a 55 km/h e velocidades ultrapassando os 100 km/h na água são prova disso.
Mubadala Brazil ficou em 11º na etapa da Nova Zelândia no SailGP. Foto: Instagram @mubadalabrasailgp/ Reprodução
Sob condições extremas, foi mais difícil domar o catamarã F50, veleiro padrão da competição. A vitória ficou com a Austrália (BONDS Flying Roos), seguida pela Emirates Great Britain (Grã-Bretanha) e pela equipe espanhola Los Gallos. Já o Mudabala Brazil ficou na 11ª posição, à frente apenas dos times suíço e italiano. Na colocação geral, a flotilha verde e amarela está em penúltimo lugar (12º).
Em uma raia técnica e com ventos intensos, o time liderado pela bicampeã olímpica Martine Grael evoluiu ao longo das regatas. No primeiro dia, o Brasil conquistou a 7ª colocação na primeira corrida e encerrou o segundo circuito na 11ª posição, enfrentando condições desafiadoras.
Barco brasileiro em Auckland. Foto: Instagram @mubadalabrasailgp/ Reprodução
No segundo dia, disputado sob ventos ainda mais fortes e com a introdução do novo formato de flotilha dividida (“split fleet”), o Mubadala Brazil SailGP Team apresentou um desempenho sólido, terminando ambas as regatas em 5º lugar em seu grupo.
Foi um fim de semana muito intenso em todos os sentidos– declarou Martine Grael
Martine Grael durante etapa na Nova Zelândia do SailGP. Foto: Instagram @mubadalabrasailgp/ Reprodução
“Primeiro, ficamos muito sensibilizados com o acidente e torcendo pela rápida recuperação de todos os envolvidos. Dentro d’água, tivemos condições bastante desafiadoras, mas conseguimos dar passos importantes na evolução do time”, apontou a capitã da equipe brasileira.
Os resultados do segundo dia mostram que estamos no caminho certo, ganhando mais consistência e confiança– completou a brasileira
A etapa marcou também a presença da paulista Marina Arndt como atleta reserva, somando mais uma brasileira ao time.
Próxima parada: Austrália!
Com exceção da França e da Nova Zelândia, todas as equipes têm um próximo destino relativamente próximo no SailGP: Sydney, cidade da Austrália. A etapa ocorrerá entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, no último GP da perna da Oceania.
Opção mais tradicional de ingressos para a etapa Rio do SailGP 2026 é a Waterfront Grandstands. Foto: Gary Oakley / SailGP
Na sequência, o campeonato desembarca no Rio de Janeiro, no Brasil, para um momento histórico: o Enel Rio Sail Grand Prix, que será disputado nos dias 11 e 12 de abril, na Baía de Guanabara. Essa será a estreia do SailGP na América do Sul e a primeira vez que o time brasileiro competirá em casa diante de sua torcida. Os ingressos já estão disponíveis.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Seis anos depois, a Ventura V300 Crossover volta a ser testada por NÁUTICA. Desta vez, em sua nova versão, com motores de popa, que promete agradar quem busca ainda mais praticidade na manutenção, melhor aproveitamento do espaço interno e uma navegação ainda mais empolgante. A Ventura V300 Crossover é um dos barcos-chefes da Ventura Marine.
Com acomodações, conforto e espaço para toda a família (pode levar até 16 pessoas a bordo em passeios diurnos), a 30 pés da Ventura é uma lancha com proa aberta e, ao mesmo tempo, uma cabine. O aproveitamento inteligente do espaço externo, sem renunciar à cabine, é o seu grande diferencial.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Com dois sofás com assentos (e encosto com apoios para cabeça) para seis pessoas, uma mesa de centro removível, seis porta-copos laterais (há outros oito distribuídos pelo cockpit) e sistema de som com dois alto-falantes, a proa da V300 parece um pequeno e aconchegante lounge. O acesso a essa área, por uma passagem a bombordo, é simples e seguro — as amuradas, com cerca de 90 centímetros de altura, reforçam ainda mais a sensação de segurança. Dá para permanecer sentado nos sofás de proa mesmo com a lancha em movimento, desde que em velocidade reduzida. Para isso, o projetista instalou dois pega-mãos extensos (verdadeiros corrimãos para segurar durante a navegação), que, por serem longos e contínuos, também fazem o papel de guarda-mancebo.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
No bico de proa, o paiol da âncora é espaçoso e profundo. O guincho elétrico (opcional, mas muito recomendável) tem trava de segurança, como deve ser. Além disso, um suporte de âncora avança à frente do barco, impedindo que a corrente esbarre e danifique o casco.
Se a proa é um lugar perfeito para relaxar, por outro lado, na plataforma de popa — com cerca de 1 metro de comprimento — também sobra espaço para as pessoas celebrarem a arte da convivência, apesar dos berços dos dois motoresoutboard.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Dá para três pessoas se concentrarem facilmente à frente do móvel gourmet, enquanto as outras se distribuem pelo cockpit. A estrutura ali conta com churrasqueira a carvão, pia com torneira rebatível, geleira, porta-copos, lixeira com tampa de madeira e um armário. A churrasqueira elétrica é opcional, mas o estaleiro, claro, mantém um lugar reservado para ela.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Completando os itens de conforto nessa espécie de varanda, uma escada de quatro degraus, a bombordo, facilita o acesso à água e o regresso dos banhos de mar. Porém, essa escada não dispõe de um mecanismo de embutir, importante para manter a plataforma de popa livre quando não está em uso. E ainda há um chuveirinho de água doce, dois cunhos de amarração, tomada de cais e dois corrimãos em forma de arco firmemente fixados (um em cada bordo), que, além de oferecerem segurança, acrescentam um toque de estilo, tornando o perfil do casco mais elegante.
Cockpit bem resolvido
Um pequeno degrau separa a plataforma de popa do cockipt, que, por sua vez, é um dos pontos fortes dessa 30 pés, devido à inteligente distribuição dos sofás — as pessoas não ficam batendo as pernas umas nas outras enquanto estão sentadas. Além dos sofás da proa, há três outros na área social, todos com paiol sob o assento e servidos por porta-copos, para que ninguém derrame bebida nos estofados. Ao lado do posto de comando há mais um sofá, este para duas pessoas, com porta-copos ao lado e — atenção para o detalhe — uma vigia de ventilação embaixo. E ainda sobra um espaço generoso para a circulação das pessoas, devido ao arranjo bem-bolado.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
A targa conta com uma pequena cobertura (de fibra) para o piloto e a capota de lona que se estende sobre ela — item opcional, mas que todo mundo deve pedir — cobre toda a área de convivência, o que é importante nos dias de sol mais escaldante ou de chuva.
No posto de comando, que fica em uma posição mais elevada, a boreste, com banco duplo, a visibilidade é total. Mesmo que uma pessoa muito alta se acomode nos sofás da proa, o piloto não tem a visão obstruída. O encosto do banco de pilotagem é rebatível, o que significa mais conforto nas viagens mais longas, e o para-brisa fecha parcialmente, para que o vento não incomode quem estiver nas partes central e traseira do cockpit. Porém, a distância entre o assento e o volante pode ser apertada, dependendo da altura do piloto.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
O painel de instrumentos tem espaço para um eletrônico de 9 polegadas. Está bem-posicionado, assim como a bússola, centralizada em relação ao comandante, que também tem boa visão dos relógios do motor, facilitada ainda mais pelo tom escuro do painel, que evita reflexos nos olhos do piloto. E não faltam aqueles toques de praticidade, como lugar para guardar o celular, a carteira e pequenos objetos, além de tomada USB e um ótimo apoio para os pés revestido de EVA.
No de porão da Ventura 300 Crossover versão popa, na ausência do motor de centro, sobra espaço para o armazenamento de uma infinidade de coisas. Ou seja, é um senhor paiol! O tanque de combustível, de inox, tem capacidade de 270 litros. Já o de água comporta 100 litros, o que não é muito — o ideal seria que fosse de pelo menos 150 litros.
Cabine funcional
Na cabine, com pé-direito de 1,93 metro na entrada (bem alto até para o padrão americano que pretende atender, já que esta lancha também será exportada para os EUA), o acesso é facilitado pela escada com degraus largos. Lá dentro, o banheiro (com 1,83 m de altura e ventilação natural) é completo e a cozinha tem uma bancada com pia, armário, espelho e espaço para uma geladeira elétrica (item opcional). E ainda há um quarto de meia-nau (com vigia e duas janelas) para dois adultos e uma criança dormirem, em uma cama de casal que mede 1,57 m x 2,00 m, o equivalente a uma similar doméstica. O acesso a esse cômodo exige certo esforço, uma vez que o pé-direito é baixo. Já as janelas laterais favorecem a iluminação natural. Porém, para a ventilação, seria melhor se houvesse mais duas vigias, uma em cada bordo. O fato de não ter camarote de proa joga o centro de gravidade mais para baixo, favorecendo a navegação, como se verá adiante.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Como navega
Embarcamos na Ventura V300 Crossover em dia lindo de sol, de mar calmo e sem vento, na Baía de Guanabara. A lancha estava equipada com dois motores Yamaha de 200 hp cada. A bordo havia duas pessoas, 100 litros de água e mais da metade da capacidade do tanque de combustível.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Ágil e forte, em poucos segundos, os motores alcançam 23 nós, a 3.500 giros, que foi a sua velocidade de cruzeiro baixo, com consumo de 45 litros/hora. Com 4.000 rpm, a lancha corta as águas a 29 nós. Um pouco mais de manetes e ela alcança 33 nós, a 4.500 rpm, que foi a sua velocidade de cruzeiro alta, com o consumo de 85 litros/hora. Sem aliviar os manetes, a 6.000 giros, os dois Yamaha de 200 hp cada levaram a V300 à velocidade máxima, que foi 42 nós, com o consumo de 128 litros/hora. Nada mal para uma lancha de uso diário, que tem como principal objetivo os passeios diurnos em família ao longo da costa. O melhor de tudo é que, durante todo tempo, o barco se manteve seguro e confortável, mesmo com ondulações.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Com o tanque cheio e motor em cruzeiro econômico, dá para sair do Guarujá e chegar a Ilhabela, ou do Rio a Angra, com sobra de combustível. Quer se aventurar ainda mais longe? Vale pensar em um tanque extra. No fim das contas, depois de tudo isso, qual propulsão combina melhor com a Ventura 300 Crossover? Cada sistema tem seus prós e contras, e a escolha segue no campo da preferência — com a certeza de que, seja qual for, a satisfação do dono está garantida.
Características técnicas
Velocidade máxima: 42 nós (a 6 000 rpm);
Cruzeiro econômico: 23 nós (a 3 500 rpm);
Aceleração: 10 segundos (até 20 nós);
Autonomia: 124 milhas (a 3 500 rpm) ;
Potência: 2 x motor de popa de 200 hp.
Preço
A partir de R$ 599 mil, com um motor de centro-rabeta de 300 hp.
Pontos Altos
Cockpit bem aproveitado;
Área de proa aconchegante;
Navegação ágil e macia.
Pontos Baixos
Pé-direito na área da cama central;
Tanque de água poderia ser maior;
Escadinha de popa sem tampa de proteção.
Como ela é
Comprimento total: 9,25 metros;
Boca: 2,83 m;
Borda livre na proa: 1,22 m;
Borda livre na popa: 1,22 m;
Pé-direito na cabine: 1,93 m;
Altura no banheiro: 1,83 m;
Ângulo do V na popa: 18 graus;
Tanque de combustível: 270 litros;
Tanque de água: 100 litros;
Capacidade dia: 16 pessoas;
Pernoite: dois adultos e uma criança;
Motorização: 2 x 200 a 250 hp, de popa.
Detalhes da navegação
A 3.500 giros, a V300 Crossover encontra seu ritmo de cruzeiro baixo, atingindo 23 nós com estabilidade e conforto. Com dois motores Yamaha de 200 hp cada, a lancha mostra agilidade impressionante, acelerando rapidamente sem sacrificar a suavidade da navegação.
Desempenho técnico da Ventura V300 Crossover. Foto: Revista Náutica
Detalhe por detalhe: confira mais fotos!
Foto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista NáuticaFoto: Victor Santos/ Revista Náutica
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
“É isso.” Simples assim, a tradução livre do nome do maior catamarã a motordisponível para charter no mercado — segundo a International Yacht Company (IYC) — não revela a magnitude do This Is It. São 143 pés (43,5 metros) de comprimento carregados de personalidade, desde o formato côncavo no exterior até os interiores inspirados no design de carros de luxo.
Sob gestão da IYC, o iatepode ser alugado a partir de 350 mil euros por semana (cerca de R$ 2,2 milhões, na cotação de fevereiro de 2026) ou arrematado por 46 milhões de euros (aproximadamente R$ 282,3 milhões).
This Is It, maior catamarã a motor disponível em charter no mercado, segundo a IYC. Foto: IYC / Divulgação
À primeira vista, o This Is It pode ser descrito como inovador, assimétrico e provocador. Longe do desenho tradicional, que remete aos navios de luxo, o catamarã chama atenção pelo perfil arredondado nas laterais e pela proposta arquitetônica totalmente fora do padrão.
Na popa, a assimetriaé o que mais se destaca: uma escada em recorte diagonal, piscina descentralizada e área de refeições com vista para fora — mas posicionada em um ângulo igualmente “desalinhado” — reforçam a proposta de romper padrões.
Visual da popa do This Is It é uma das mais inconfundíveis na embarcação. Foto: IYC / Divulgação
Embora a própria configuração de catamarã já amplie o volume interno, o This Is It consegue ir além. Com quase 48 pés (14,5 metros) de boca, entrega nada menos que 758 GT de volume interno e áreas externas generosas. A embarcaçãoatinge 17 nósde velocidade, com cruzeiroem 15 nós, graças a dois motores de 2636 hp (cada) movidos a diesel.
Apesar da imponência, a homologação é para 12 hóspedes, atendidos por uma tripulaçãode 16 pessoas. As laterais, quase totalmente envidraçadas, somam mais de 600 m² de superfície em vidro, permitindo conexão constante com o exterior, independente de onde estiver a bordo.
Laterais do catamarã This Is It são quase que totalmente em vidro. Foto: IYC / Divulgação
São cinco suítes para convidados e uma suíte master que mais parece uma residênciaprivativa em dois níveis, com terraço panorâmico, closet e pé-direito de 3,3 metros. A privacidade garantida no maior cômodo, por sua vez, é comum em todos os ambientes — o que, segundo a IYC, faz parte do conceitoda embarcação.
Suíte master. Foto: IYC / Divulgação
As áreas comuns reforçam essa proposta: spa, cinema, lounges, bares, academia e amplos espaços de convivência poderiam acomodar todos os convidados ao mesmo tempo sem sequer parecerem lotados. À noite, o projeto de luzes transforma o iate em um espetáculo à parte, com refletores e LEDs azuis que realçam a silhueta futurista.
Luzes azuis abrilhantam o visual externo do This Is It à noite. Foto: IYC / Divulgação
Em tanto espaço, o arsenal de brinquedos aquáticos do This Is It acompanha a grandiosidade. A lista conta com uma imponente lanchade apoio Technohull Alpha 50, dois jets, quatro SeabobF5, duas pranchas de wakeboardJobe Vanity, um eFoil, um Jobe Seascooter e um caiaque inflávelpara duas pessoas.
Estruturas aquáticas expandem a experiência a bordo do catamarã. Foto: IYC / Divulgação
Além dos brinquedos, ainda há estruturas que expandem a experiência sobre a água, como doca dupla para jets, piscina marítima salgada de quase 20 m² e plataforma com rede suspensa.
No fim, tantos detalhes e um visual impossível de ignorar só confirmam o próprio nome do catamarã: This Is It.
Veja mais detalhes do This Is It:
Assimetria está entre os grandes diferenciais do This Is It. Na foto, a proa da embarcação vista de cima. Foto: IYC / DivulgaçãoÁreas comuns do This Is It são amplas, podendo receber todos os 12 convidados ao mesmo tempo. Foto: IYC / DivulgaçãoÁrea de refeições voltada à popa do catamarã. Foto: IYC / DivulgaçãoBar externo no This Is It. Foto: IYC / DivulgaçãoÁrea interna de socialização. Foto: IYC / DivulgaçãoToalete da suíte master. Foto: IYC / DivulgaçãoLounge com espreguiçadeiras ao ar livre. Foto: IYC / DivulgaçãoLuzes do catamarã criam ambiente ainda mais sofisticado à noite. Foto: IYC / DivulgaçãoBarco de apoio do This Is It é um Technohull Alpha 50, de 50 pés. Foto: IYC / DivulgaçãoTodas as cabines para convidados têm banheiro privativo. Foto: IYC / DivulgaçãoCabine para hóspedes no This Is It. Foto: IYC / DivulgaçãoÁrea de spa. Foto: IYC / DivulgaçãoAcademia. Foto: IYC / Divulgação
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
No Farol de Santa Marta, em Santa Catarina, estão escondidos os destroços de um barco que se perdeu no tempo e foi carcomido pela maresia. Há quase 115 anos, o navio Vapor Catalão se encontra afundado próximo à praia da região, onde ainda é possível ver o que sobrou do naufrágio e conhecer um pouco de sua origem.
Se engana quem pensa que esse “segredo” está num destino escondido — longe disso. Localizada em Laguna, no sul de Santa Catarina, a praia reúne milhares de turistas durante o verão. Poucos deles, porém, chegam a avistar os escombros do navio.
Destroços do Vapor Catalão, afundado em Santa Catarina. Foto: João Baiuka/ YouTube/ Reprodução
Tudo começou — ou melhor, terminou — na madrugada de 13 de março de 1911, quando os moradores foram surpreendidos com uma notícia: um navio havia naufragado em Laguna. O acidente ocorreu por volta das 2h da manhã, quando o barco encalhou ao sul do Farol de Santa Marta.
Segundo Vlamir Guedes, jornalista e historiador que investiga naufrágios reais na região, as informações colhidas à época identificaram o navio como o Vapor Catalão, de 4 mil toneladas, que havia pertencido à Companhia Transatlântica Argentina, mas que fazia a sua primeira viagem com a bandeira brasileira. Partindo de Buenos Aires, o barco tinha como destino os estados do Rio de Janeiro, Bahia e Pará.
A embarcação era um paquete (navio de passageiros e correio com rotas fixas) de 100 metros de comprimento e 12 metros de largura, construído pelo estaleiro inglês Stephenson Robert & Co. Hebbun-On-Tyne, em 1889 — um tipo de barco que havia se tornado popular no século 19.
Como aconteceu o naufrágio de Laguna
A tripulação era composta por 50 pessoas, enquanto o comandante do navio foi Lúcio Duarte Valente. De acordo com o documento oficial feito pelo capitão, o naufrágio ocorreu por condições climáticas, causadas pela “correnteza oceânica e a cerração que havia naquela fatídica noite”.
Desenho ilustrativo de um paquete a vapor do século 19. Foto: Blog do Vlamir Guedes/ Reprodução
Valente teria se perdido em meio ao clima hostil, a ponto que nem mesmo o navio a vapor (isso é, que utiliza a pressão do vapor d’água para propulsão) conseguiu impedir o naufrágio. Assim, antes mesmo de chegar ao seu destino, o barco encalhou na Praia de Cigana e Cardoso, em frente ao Ilhote do Cardoso.
Felizmente, segundo o historiador Vlamir Guedes, toda a tripulação humana teria sido resgatada com vida e levada até o Centro de Laguna, ficando por lá durante 17 dias até partir para o Rio de Janeiro — o último destino da viagem –, no dia 31 de março.
Por outro lado, a embarcação não carregava apenas humanos. Segundo registros da época, o Catalão transportava 800 carneiros e 190 bois em seus porões. “Alguns desses animais de pura raça, como uma vaca holandesa e uma égua de puro sangue”, destacou o jornalista.
Peixes entre os escombros do navio. Foto: Instagram @joaobaiukafarol/ Reprodução
A maioria dos animais foi salva e desembarcou ali mesmo, em Laguna, local do naufrágio, permanecendo na praia ou solta nos campos vizinhos. Porém, muitos não tiveram a mesma sorte e morreram antes de serem socorridos.
Em publicação do jornal O Albor, no dia 31 de março daquele ano, foi anunciada a partida do navio “Oceano” rumo ao Rio de Janeiro, que zarpou de Laguna com o que tinha sido recuperado do naufrágio, os tripulantes e os oficiais da embarcação. Entretanto, o periódico não informou se todos os animais salvos seguiram nos porões ou se parte deles permaneceu na praia — sendo provavelmente negociados por lá.
Corpo embalsamado e marinheiros “esquecidos”
Além de humanos e animais, o navio carregava consigo histórias — e uma delas bem triste. A bordo do Vapor Catalão vinha também um corpo embalsamado da filha de um coronel de sobrenome Fragoso, que havia integrado a Casa Militar do ex-presidente do Brasil, Afonso Pena.
Falecendo em terra estrangeira, a criança estava sendo levada para ser sepultada no seu país natal. A mesma edição do periódico O Albor não informou o nome e nem a causa da morte da menina. Já o jornal O Dia, de Florianópolis, edição do dia 18, trouxe mais informações.
Farol de Santa Marta. Foto: Prefeitura de Laguna/ Divulgação
“O caixãozinho deu à praia no lugar do sinistro. Sabendo da ocorrência o governador do estado telegrafou ao superintendente municipal da Laguna, Oscar Pinho, solicitando que o caixão fosse recolhido e posto à disposição dos parentes da criancinha”, noticiou o jornal.
Não há informações de jornais da época se o caixão teria seguido sua viagem com o restante da tripulação até o Rio de Janeiro. “Imaginemos que também seguiu viagem em busca da paz do seu campo final de repouso, em sua terra natal”, disse o jornalista Vlamir Guedes.
Outra história envolve o “abandono” de três marinheiros. De acordo com o jornal O Dia, na edição de 2 de abril de 1911, três tripulantes do naufrágio em Laguna tinham se apresentado na Capitania dos Portos da Capital. Eles foram deixados no munícipio catarinense pelo comandante “em abandono e sem pagar-lhe as soldadas (salários)”. O trio seguiu ao Rio de Janeiro pelo paquete “Sírio”.
O passado ensina
O naufrágio de Laguna trouxe lições para as autoridades. No mesmo ano do ocorrido, o Capitão de Fragata Tito Alves de Brito, dos Portos de Santa Catarina, solicitou ao Governo Federal a instalação de uma linha telefônica ligando o Farol de Santa Marta à Estação Telegráfica do centro da cidade.
Naufrágio do Vapor Catalão filmado de cima. Foto: Instagram @joaobaiukafarol/ Reprodução
“O Farol, de tamanha importância para segurança marítima, ficava isolado. Todo e qualquer acidente, principalmente naufrágios, uma constante naquela região, dependia de comunicação via terrestre ou marítima pelo Rio Tubarão e Lagoa até ao centro da cidade. Ou a cavalo, por caminhos quase sempre tomados por cômoros de areia”, explicou Guedes.
Em 16 de julho daquele ano, o telégrafo foi anunciado. Em 1937, já com o equipamento instalado, outro barco afundou perto daquela região, próximo ao Farol de Santa Marta.
Atualmente, restaram apenas os destroços do Catalão. Mas sua história segue viva, por mais que muito bem escondida e rodeada por peixes nas águas de Santa Catarina.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Além da alta velocidade em uma disputa de tirar o fôlego, a Fórmula 1 também é sinônimo de luxo e exclusividade — e no GP de Miami, em 3 de maio, nos Estados Unidos, essa fama promete ganhar ainda mais força. Por lá, os visitantes mais afortunados poderão assistir à corrida de dentro de um “superiate” realista construído dentro da “marina falsa” do circuito, com visão privilegiada e ingressos custando até R$ 500 mil.
Desde que estreou no circuito, em 2022, o GP de Miami tomou as manchetes não só pelos astros que pilotam algumas das máquinas mais rápidas do mundo, mas também pela tal “marina falsa” — que sequer tem água de verdade. Em 2024, embora os iatesatracados por ali fossem reais, eles “flutuavam” em água artificial, criada a partir de uma placa de madeirarevestida com vinil azul.
Foto: Formula 1 Miami Grand Prix / Divulgação
Dando de ombros para as piadas acerca do assunto, neste ano, a organização do eventofoi ainda mais além. Entre as curvas 5 e 9 do circuito, que estão entre os trechos mais requisitados da disputa, estará instalado um “superiate” realista com 80,4 metros de comprimento, 29,2 m de largura e até 15,2 m de altura, elaborado pela MSC, uma das patrocinadoras da corrida.
Foto: Formula 1 Miami Grand Prix / Divulgação
A embarcação soma 2.972 m², distribuídos em cinco níveis, cada um com atrações diferentes. O mais “premium” deles promete ser o que a organização classificou como “cabanas privativas”. Por lá, os visitantes poderão desfrutar de uma experiência de jantar inspirada na culinária francesa enquanto assistem à corrida com visão de 360º da pista no ponto mais alto da “embarcação”.
Visitantes do espaço contarão, inclusive, com uma piscina. Foto: Formula 1 Miami Grand Prix / Divulgação
O espaço é comercializado em um lote de até 20 ingressos, cada um custando US$ 4,75 mil, cerca de R$ 25 mil na cotação de fevereiro de 2025 — quando somados, o valor chega aos US$ 95 mil, quase R$ 499,1 mil. Vale destacar que foram colocadas à venda nove cabanas deste tipo.
Já os ingressos para as demais áreas desse superiate da Fórmula 1 são vendidos individualmente, com preços que variam entre US$ 3,9 mil (R$ 20,4 mil) e US$ 4,7 mil (R$ 24,6 mil). Também é possível assistir à prova no trecho da marina sem estar dentro do barco: qualquer portador de ingresso terá acesso a uma área elevada na parte interna da curva 7 do circuito.
Foto: Formula 1 Miami Grand Prix / Divulgação
O GP de Miami marcará a 6ª corrida da temporada de 2026, que começa em março, na Austrália, passando por China, Japão, Bahrein e Arábia Saudita antes de atracar nos EUA. Neste ano, a prova chega à quinta edição, tendo como maior vencedor o holandês Max Verstappen, com dois triunfos.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Quem nunca sonhou em disputar uma corrida de Mario Kart na vida real? Pois bem, na cidade de Marrakech, em Marrocos, é possível fazer esse sonho sair das telas de videogame. Isso graças ao “waterkarting”, uma espécie de “kart aquático” do N.A.R. Complexe Sportif, um resort completo para os amantes de adrenalina.
É como dirigir um kart na água. Montado sobre uma estrutura flutuante com motor de jet, o “carro aquático” foi projetado para ser parecido com um carro de corrida, com direito a um “volante” digno de Fórmula 1. Os modelos são da marca Waterkart, feitos para navegarem ao mesmo tempo que garantem uma boa estabilidade — e, claro, velocidade.
O N.A.R. disponibiliza coletes salva-vidas e capacetes para que a corrida seja ainda mais segura. O waterkarting permite até dois passageiros ao mesmo tempo (um piloto e um passageiro com idade mínima de 5 anos).
Pista aquática do waterkarting. Foto: Rents.MA/ Reprodução
A pilotagem é simples e a pista oferece curvas que não exigem habilidades tão complexas — e, diferente do Mario Kart, não há o risco de rodopiar numa casca de banana. Apesar da ótima velocidade, a ideia não é que a atividade seja competitiva, mas, sim, casual.
Os preços costumam variar a depender do pacote escolhido com as agências de turismo. Quando fechado de forma isolada, por “kart”, os valores são:
Sessão de 10 minutos: 400 dirham marroquinos (MAD) – aproximadamente R$ 227;
Sessão de 20 minutos: 700 dirham marroquinos (MAD) – aproximadamente R$ 400;
Sessão de 30 minutos: 900 dirham marroquinos (MAD) – aproximadamente R$ 512.
Além do waterkarting, o N.A.R. tem outras atrações que envolvem adrenalina, como paintball, corrida de kart — esse de verdade, fora da água — , e passeios alucinantes em quadriciclos.
Foto: N.A.R. Complexe Sportif/ Divulgação
O resort fica aberto todos os dias da semana, das 9h às 22h, sem necessidade de reserva. A localização exata é no Centre Commune Bourrous, Marraquexe 40000, na zona da Palmeraie/Route de Casablanca. Basta chegar, pagar e se divertir.
*Os valores foram informados pelo site oficial e consideram a conversão de fevereiro de 2026.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Barcos deslizando sobre as águas não são uma novidade. Mas e no gelo? Parando para analisar, “deslizar” faz até mais sentido nesse contexto, e é o que chamou atenção em um vídeo que vem ganhando força na internet. As imagens mostram um típico “iceboat”, justamente, deslizando sobre uma lagoa congelada entre as margens de Long Island e Fire Island, em Nova York, nos Estados Unidos.
Esse barquinho, flagrado por Michael Busch, é a Miss Clella, um veleiro de madeira construído ainda em 1969 que segue esbanjando muita classe na região da baía de Great South. Assim como outros iceboats, esse modelo se aproveita do vento e da superfície lisa para ganhar velocidade com seus “patins” de aço. Veja em ação:
Sim, tal qual um patins, os iceboats têm o casco montado sobre patins de aço (geralmente dois na frente e um atrás), que reduzem o atrito e permitem velocidades altíssimas — eles podem atingir de 100 a 140 km/h, dependendo do modelo e das condições do gelo.
Foto: Michael Busch / Great South Bay Images / Reprodução
Embora pouco populares no Brasil— por motivos óbvios — os iceboats surgiram no século 17, principalmente nos Países Baixos, onde os canais congelados eram comuns no inverno. Por lá, eles foram primeiramente usados para o comércio, mas logo evoluíram para embarcaçõesde recreio.
Com o tempo, a prática foi se espalhando pela região da Escandinávia e por países como Alemanha e Rússia. Mais tarde, alcançou os Estados Unidos e o Canadá.
Tipos e classes de iceboats
Existem diferentes classes de iceboats, com regras específicas de tamanho e construção.
Ice Optimist
Essa é uma classe juvenil, inspirada no Optimist da vela tradicional. Não à toa, usa o mesmo mastro e vela do Optimist Internacional e é igualmente pensada para a formação de jovens velejadores.
Foto: Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação
DN Internacional
A “classe mais popular do mundo”, presente na América do Norte, Europa e Ásia. É um iceboat monoposto, com cerca de 3,6 metros de comprimento, mastro de quase 5 metros e vela de 60 pés².
Foto: Gretchen Dorian / US Sailing / Divulgação
Monotipo XV
A Monotipo XV é uma classe europeia tradicional, baseada em um projeto de 1932. Pode ser navegada por uma ou duas pessoas e segue regras rígidas de construção, praticamente inalteradas desde os anos 1930.
Foto: Pataki Attila István / Wikimedia Commons / Reprodução
Nite
Aqui o iceboat é um monotipo com fuselagem de fibra de vidro, dois assentos lado a lado e vela de 67 pés², também construído segundo especificações rigorosas. É conhecido pela uniformidade entre as embarcações, o que valoriza a habilidade do piloto.
Foto: Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação
Renegade
Classe caseira, criada em 1947 nos Estados Unidos, com foco em praticidade e transporte — o projeto original podia ser levado sobre o teto de um carro. Usa vela de 67 pés² e mastro aerodinâmico flexível.
Foto: Silver Fox Viz / Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação
Skeeter
A Skeeter é uma classe de alto desempenho, dividida nas subclasses A, B e C, todas limitadas a 75 pés² de área vélica.
Classe A: pode ter um ou dois tripulantes, com mastro mais alto e uso de materiais avançados, como fibra de carbono;
Classe B: dois tripulantes sentados lado a lado;
Classe C: versões menores, com mastro mais baixo e configuração para um ou dois tripulantes.
Foto: Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação
De forma geral, em um iceboat o velejadornormalmente fica muito próximo ao gelo, sentado ou deitado parcialmente para reduzir a resistência ao vento. O controle é feito através de um leme traseiro e ajustes finos de vela.
A navegação exige leitura constante do gelo, já que rachaduras, áreas finas ou neve acumulada representam risco. Até por isso, pilotar um desses requer uma camada de gelo espesso e homogêneo (normalmente acima de 12 a 15 cm) e o uso de capacete, óculos, roupas térmicas e equipamentosde flutuação.
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
O portfólio de embarcaçõesentre 17 e 26 pés da Ross Mariner está prestes a ganhar uma nova companhia de peso. Dentro de alguns meses, o estaleiro pretende lançar a SLR340 Legend, lanchade 34 pés que inaugura uma nova categoria no catálogo da marca e promete unir sofisticação, estética marcante e bom aproveitamento de espaços, sem abrir mão de um toque esportivo.
Com apenas três anos de atuação, a Ross Mariner vem movimentando o mercado náutico como prova de que novos estaleiros podem, sim, inovar. Mesmo jovem quando comparada a outras fabricantes brasileiras, a marca já consolidou sete modelos em linha e agora se prepara para ampliar sua atuação com um projeto mais robusto — e ainda atingir novos públicos.
Ross SLR340 Legend: o que esperar?
A nova Ross SLR340 Legend representa um objetivo antigo de Márcio Ishikawa, CEO do estaleiro: consolidar a presença da marca no segmento de lanchas acima de 30 pés. Segundo a Ross Mariner, o modelo chega com “uma proposta de tamanho inigualável” e tem lançamento oficial previsto para abril, durante o Rio Boat Show 2026.
Detalhes da Ross SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / Reprodução
As imagens do projeto, assinadas pelo designer Marcos Zenas e divulgadas no Instagramdo estaleiro, revelam uma lancha com T-top, solário de proa, sofás em L com detalhes em vermelho — já característicos da marca —, cabine para até quatro pessoas, banheiro e motorizaçãode popa.
Detalhes da cabine da Ross SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / Reprodução
Além do que já foi adiantado publicamente, a Ross Mariner revelou à NÁUTICA, com exclusividade, outros detalhes da SLR340 Legend. Entre os principais diferenciais do modelo, estão:
Proa com solário para até três pessoas e corredor frontal para facilitar o acesso à âncora;
Corredor de acesso à proa com escada de degraus largos;
Piso totalmente nivelado no cockpit, sem degraus;
Painel do piloto moderno e clean, com banco para até duas pessoas;
Plataforma de popa equipada com espaço gourmet, churrasqueira e geleira.
Painel do piloto com banco para até duas pessoas na SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / ReproduçãoSofás em L com detalhes em vermelho na SLR340 Legend, em piso nivelado do cockpit. Foto: Instagram @rossmariner / Reprodução
O design da cabine também reforça apostas da marca para se diferenciar no mercado. Nesse ambiente, se destacam:
Área total de 16 m², com pé-direito de 1,92 m;
Quatro ambientes bem definidos: cama de proa fixa, área de estar, cama à meia-nau e banheiro;
Banheiro com box, sanitário e bancada com pia em ambientes separados, além de 1,85 m de pé-direito.
Área de estar na SLR340 Legend, com cama de proa ao fundo da imagem. Foto: Instagram @rossmariner / ReproduçãoDetalhes da cabine na SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / ReproduçãoRoss SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / ReproduçãoDetalhes da Ross SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / Reprodução
Com a SLR340 Legend, a Ross Mariner amplia seu alcance e inaugura uma nova fase, mirando um público que busca embarcações maiores sem abrir mão da identidade, conforto e personalidade característicos do estaleiro.
Ross SLR340 Legend. Foto: Instagram @rossmariner / Reprodução
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
Um peixe nativo do Indo-Pacífico, a um oceano de distância, já está se reproduzindo e se adaptando ao litoral paulista, o que soa como um alerta para o ecossistema marinho. Trata-se da donzela-real (Neopomacentrus cyanomos), espécie invasora que vive em corais e é conhecida pela sua agressividade territorial e formação de grandes cardumes.
O animal não é exatamente uma novidade para os cientistas, já que foi descrito pela primeira vez ainda em 1865 pelo especialista holandês Pieter Bleeker. Porém, em águas brasileiras, a espécie só veio a ser registrada em 2023 — relativamente recente em termos científicos. Agora, está se sentindo mais à vontade.
Segundo pesquisadores, as donzelas-reais foram confirmadas em ilhas costeiras como a Ilha da Queimada Grande, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e a Estação Ecológica Tupinambás, no Arquipélago de Alcatrazes. E quanto mais espaço elas têm, mais perigoso fica o ambiente marinho.
Isso porque, por natureza, a espécie possui um comportamento totalmente territorial e agressivo, conforme explicou ao g1 o biólogo e mergulhador Eric Cormin. Segundo ele, o peixe “defende o local de desova de uma forma feroz contra quaisquer outras espécies”. Por consequência, acabam disputando espaço com seres nativos.
A descoberta ainda é recente, e os especialistas notaram, por enquanto, apenas pequenos cardumes, com impactos no ecossistema marinho ainda em avaliação. Entretanto, a principal preocupação segue sendo a competição por recursos.
Eles estão sim se reproduzindo com sucesso, porém é preciso que haja um monitoramento contínuo para ver se a espécie na nossa região está se estabelecendo com sucesso– afirmou Comin ao veículo
O biólogo defende ainda que se faz necessário um levantamento amplo para mensurar o impacto dessa invasão ao longo dos anos. Mas fato é que, ao se estabelecer em recifes de coral — como vem acontecendo — , ela pode alterar a dinâmica populacional do local.
Um problema real
Um lugar onde esse peixe já está estabelecido é o Golfo do México, com direito a cardumes de alta densidade formados. Muito mais que uma inquilina, a donzela-real é avistada por lá desde 2013. Para um certo alívio, contudo, os estudiosos não conseguem afirmar que a espécie levou danos significativos ao ecossistema, mesmo que há mais de uma década nessas águas.
Foto: Instagram @familiamergulho e @terradagente / Reprodução
Segundo um artigo publicado na Bulletin of Marine Science, houve sim uma queda no número de espécies nativas no Golfo do México, mas não por conta da invasão da donzela-real. Para os autores da pesquisa, a causa dessa diminuição é a crescente degradação do habitat dos recifes.
Foto: Wikimedia Commons/ AravindManoj/ Reprodução
O estudo sugere que a donzela-real, sendo muito resistente, consegue prosperar em ambientes degradados e em estruturas artificiais (como plataformas de petróleo), enquanto os peixes nativos não aguentam a barra. Logo, ela é mais uma consequência do declínio do que a causa.
Outros estudos também sugerem que o impacto imediato sobre peixes nativos planctívoros (que se alimentam de plâncton) poderia ser limitado, embora o potencial de invasão e a rápida colonização de novas áreas ainda sirva como um alerta para os recifes brasileiros.
Como eles chegaram aqui?
A resposta para essa pergunta ainda não é certeira, mas sim uma hipótese. A principal delas, segundo os pesquisadores, é de que chegaram pela chamada água de lastro — aquela que os navios colocam em tanques internos para garantir equilíbrio e estabilidade durante a navegação. Nessa teoria, as embarcações teriam vindo do Caribe.
Exemplo de como funciona as águas de lastros nas embarcações. Foto: Observatório de Justiça e Conservação/ Reprodução
Por serem capturadas no mar, as águas de lastro têm seu descarte geralmente feito nos portos de destino. Ou seja, tudo o que foi capturado é despejado no local de chegada, transferindo microrganismos e espécies exóticas para o ambiente local, o que causa desiquilíbrio biológico e riscos sanitários.
Não à toa, a distribuição desse animal não é exclusiva. No Oceano Índico, vai desde a África Ocidental, Mar Vermelho e Golfo Pérsico até o Oceano Pacífico, incluindo Filipinas, Malásia, Indonésia, sul do Japão, norte da Austrália e Nova Caledônia. Agora, chegou a vez dela no Atlântico Sul.
Como ela é?
O peixe mede, em média, 10 centímetros, cabendo tranquilamente na palma da mão. Eles apresentam um corpo alongado com coloração que varia do azul-escuro para o preto, com uma mancha branca próxima da barbatana dorsal.
Foto: Wikimedia Commons/ Serge Planes/ Reprodução
Quando jovens, apresentam barbatanas amarelas que tendem a escurecer conforme chegam à fase adulta. A donzela-real se alimenta principalmente de zooplâncton (composto de animais que flutuam ou nadam fracamente, que dependem de correntes para se deslocar a grandes distâncias). De acordo com os estudos, o animal é encontrado entre 5 e 30 metros de profundidade.
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A Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil (MB) divulgou, ao final de janeiro, as atualizações das Normas de Autoridade Marítimas (Normam) 211 e 212. Visando esclarecer de forma prática os principais pontos de mudança, NÁUTICAconversou com Marcello Souza, instrutor de navegação da escola Argonauta e especialista no assunto.
Enquanto a norma 211 trata das atividades de esporte e recreio no tráfego aquaviário, a 212 regula as motos aquáticas e os motonautas. Na prática, elas se completam em alguns pontos, como você pode conferir a seguir.
Atualização nas normas 211 e 212: principais mudanças
Flexibilização na regulamentação de documentos
Até então, para fazer a inscrição, renovação ou transferência da embarcação, o condutor precisava comparecer a uma capitania, delegacia ou agência onde tivesse domicílio. A partir da atualização da norma 211, o proprietário passa a contar com esses serviçosem qualquer um desses estabelecimentos, mesmo que fora de sua localidade.
A nova tratativa vale tanto para condutores de embarcações de esporte e recreio quanto para proprietários de motos aquáticas.
Documentos digitalizados
Uma grande demanda dos usuários de embarcações foi atendida — ainda que com ressalvas: a Marinha passa a aceitar documentações de forma digitalizada. Contudo, conforme reforçou Marcello, “o usuário deve procurar informações detalhadas na Organização Militar (OM) onde está dando entrada”.
Isso porque cada uma das quase 60 unidades (capitanias, delegacias e agências) pode trabalhar de um jeito diferente no aceite. Um exemplo dessa variação são os documentos assinados pelo Gov.br, que, por vezes, precisam ser verificados ou materializados em cartório, visando garantir a autenticidade.
Obrigatoriedade do seguro DPEM
O Seguro DPEM (Danos Pessoais Causados por Embarcações ou por suas Cargas), que estava suspenso desde 2016, foi retomado pela seguradora Akad. Ele funciona tal qual ao DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), atuando na indenização de vítimas de acidentes náuticos.
Proprietários de embarcações de esporte e recreio e motos aquáticas deverão portar o documento de forma obrigatória, preferencialmente impresso. O valor para ambos é de R$ 22,22 ao ano. A multa, no caso da falta do documento em uma abordagem, varia de R$ 40 a R$ 800.
EPIRB obrigatório
Outra mudança diz respeito ao EPIRB (Emergency Position-Indicating Radio Beacon, em inglês, ou rádio-baliza indicadora de posição de emergência, em português). O equipamento, obrigatório para navegação oceânica, deve ser cadastrado no sistema INFOSAR através do site oficial.
Atestados de treinamento náutico reconhecidos em firma
Os atestados de treinamento náutico (tanto para Arrais-Amador quanto para Motonauta) agora precisam de reconhecimento de firma (em cartório ou via digital, pelo Gov.br) do proprietário da escola, instrutores e também do aluno.
Acessibilidade nas escolas
As escolas náuticas passam a ser obrigadas a disponibilizar um intérprete de Libras para alunos com deficiência auditiva que manifestem essa necessidade.
EAMAs
As EAMAs(estabelecimentos de aluguel de moto aquática) agora podem optar, no cadastramento, por oferecer passeios guiados em rotas autorizadas, navegação em área restrita ou ambas as modalidades.
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A temporada de 2026 do SailGP já está a todo vapor — e a equipe brasileira na disputa também. Neste final de semana, nos dias 13 e 14 de fevereiro, o Mubadala Brazil SailGP Team embarca em mais um grande desafio, desta vez em Auckland, na Nova Zelândia, no ITM New Zealand Sail Grand Prix.
O time atualmente ocupa a 10ª posição no ranking do campeonato, com um ponto conquistado na estreia, em Perth, na Austrália, onde finalizou também na 10ª colocação geral. Em águasneozelandesas, o objetivo é ganhar consistência e transformar o aprendizado da abertura da temporada em performance.
Foto: AT Films / Divulgação
A etapa marca a sequência de um início de temporada intenso na Oceania, que ainda inclui Sydney, na Austrália, antes da tão aguardada passagem pelo Rio de Janeiro, no Brasil, nos dias 11 e 12 de abril — ao todo, serão 13 etapas ao redor do mundo em 2026.
Estamos contando os dias para velejar no Rio. É algo que esperamos há muito tempo […] Correr em casa, com amigos, família e torcida, e ainda fazer parte da primeira etapa do SailGP na América do Sul, é muito especial– destacou Martine Grael, capitã do Mubadala Brazil SailGP Team
Foto: SailGP / Divulgação
Antes disso, porém, muita água vai rolar. Focando no presente, o time contará com uma novidade em seu elenco para a etapa que se aproxima: a brasileira Marina Arndt, que completa a equipe como atleta reserva.
A paulista começou na velaaos sete anos e construiu uma carreira sólida, com campanhas olímpicas e participação nos Jogos de Paris 2024. Em 2025, teve seu primeiro contato com o SailGP em uma clínica de foil do projeto Breaking Boundaries e agora integra a equipe brasileira, reforçando o compromisso do time com a presença feminina de alto nível na competição.
Ainda sobre a equipe, vale ressaltar que novos nomes da temporada estrearam oficialmente na primeira etapa do SailGP 2026: Rasmus Køstner (Flight Controller), Pietro Sibello (Wing Trimmer) e o novo coach Paul Brotherton.
Em Auckland, queremos colocar em prática tudo o que conseguimos evoluir a partir dos estudos e análises realizados entre as etapas– afirmou Grael
As regatasdo ITM New Zealand Sail Grand Prix | Auckland terão transmissão para o Brasil pelos canais SporTV e BandSports. No SporTV3, o dia 1 será exibido em formato de VT na segunda-feira (16/02), às 13h, enquanto o dia 2 será transmitido ao vivo no domingo (15/02), às 00h. Já a BandSports exibirá as regatas ao vivo nos dois dias, com transmissões a partir de 23h55 de sexta-feira (13) e sábado (14).
SailGP: calendário 2026
A famosa regata de alta velocidade estreará quatro novos locais em 2026: Halifax (Canadá), Rio de Janeiro (Brasil), Perth (Austrália) e Bermuda. O campeonato tem início na Oceania, que recebe os três primeiros eventosda temporada, e finaliza nos Emirados Árabes Unidos (EAU), com as duas últimas etapas. Confira o calendário completo:
Perth (Austrália): 16 a 18 de janeiro;
Auckland (Nova Zelândia): 13 e 14 de fevereiro;
Sydney (Austrália): 27 de fevereiro a 1º de março;
Rio de Janeiro (Brasil): 11 e 12 de abril;
Bermuda (Bermuda): 9 e 10 de maio;
Nova York (EUA): 30 e 31 de maio;
Halifax (Canadá): 20 e 21 de junho;
Portsmouth (Reino Unido): 25 e 26 de julho;
Sassnitz (Alemanha): 22 e 23 de agosto;
Espanha (Local a definir): data a confirmar;
Saint-Tropez (França): 12 e 13 de setembro;
Dubai (EAU): 21 e 22 de novembro;
Abu Dhabi (EAU): 28 e 29 de novembro (grande final).
Estreia do Grupo Okean no salão náutico carioca será marcada ainda pelo maior barco do evento: a Ferretti 1000. Encontro acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória
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