Ilha paradisíaca recupera recife de corais de forma criativa e vira referência

26/06/2024

A ilha de Mnemba, no arquipélago de Zanzibar, na Tanzânia, atrai turistas do mundo todo para verem de perto a beleza incontestável de seu recife de corais. Submersos a 10 metros de profundidade, os corais são cobertos por uma água tão transparente que os deixa como a um passo de distância.

Essa maravilha da natureza segue por sete quilômetros além da ilha e foi designada pelo governo de Zanzibar como uma área de conservação marinha. Além da beleza, o famoso recife de corais também contribui com a renda da população local, por meio do turismo e da pesca.

Beleza ameaçada

Os corais da ilha de Mnemba não conseguiram fugir das consequências das mudanças climáticas. Com a água do mar acima da sua temperatura natural, os corais passam por uma situação de “estresse”, fazendo com que ele expulse as algas de cores brilhantes que vivem em seu interior.

 

Sem as algas, os corais perdem sua principal fonte de nutrientes. Dessa forma, suas cores, aos poucos, vão embora, causando o famoso branqueamento — situação que segue até o coral morrer.

Como se não bastasse, a pesca invasiva também colocou em xeque a vida marinha dos peixes na região — uma das principais fontes de renda das pessoas que vivem na ilha de Mnemba. Para se ter uma ideia, pescadores chegaram a usar dinamites para captar peixes. Mergulhadores e barcos turísticos não autorizados também contribuíram para os danos ao coral.


Um criativo projeto de restauração

Com a percepção dos danos sofridos pelos corais, a população da ilha de Mnemba se deu conta de que precisava agir para continuar tendo o local como lar e meio de sobrevivência.

 

Assim, em setembro de 2021, comunidades locais passaram a atuar em conjunto com as organizações de turismo responsável &Beyond e African Foundation para proteger a área e apoiar a prática da pesca de forma sustentável.

Foto: Oceans Without Borders / Divulgação

A principal ação para a recuperação dos corais ficou por conta de uma ideia criativa. Estruturas de aço, em forma de tartarugas e estrelas-do-mar, foram construídas com o objetivo de refletir a vida silvestre no recife.

Foto: Oceans Without Borders / Divulgação

Posteriormente, os objetos foram fixados ao recife existente. Aliado à solução, corais recém-cultivados também foram plantados no viveiro submarino. A ideia deu tão certo que, três anos depois, 80% da cobertura de coral foi restaurada.

Foto: Oceans Without Borders / Divulgação

Para preservar a área recuperada, mudanças no turismo e na pesca foram adotadas. O local, que recebia cerca de 400 pessoas, limitou a entrada na ilha para um número muito menor: 80.

 

O preço para visitar a ilha de Mnemba também aumentou de US$ 3 (cerca de R$ 16 com valores convertidos em junho de 2024) para US$ 25 (por volta de R$ 135). “Esta medida melhorou a preservação do meio ambiente e também aumentou a receita”, afirma Bakari Jaha, coordenador da Fundação África Zanzibar. A pesca, por sua vez, foi suspensa nas regiões de restauração do recife.

 

Conheça mais sobre o projeto no vídeo a seguir:

 

 

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