Teste Oceanis 46.1: elegante e confortável, tanto para passeios quanto para cruzar o oceano

Equipe de NÁUTICA testou o veleiro da francesa Beneteau nas águas da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro

Por: Redação -
26/12/2023
Foto: Guido Cantini / Beneteau / Divulgação

O estaleiro francês Beneteau, de reputação mundial inquestionável, lançou recentemente uma nova série de veleiros da linha Oceanis, essencialmente de cruzeiro, com modelos de 30 a 51 pés de comprimento. São barcos de última geração, caracterizados por um acabamento primoroso, tanto no cockpit como na cabine. E entre eles, está o Oceanis 46.1.

Representante no Brasil da Beneteau, a Aloha Náutica — das duplas Chico Fragoso e Luciana Vianna, Paulo Avena e Cecília Avena — apresentou no Rio Boat Show 2023 dois modelos desta linha: o Oceanis 51.1 e o Oceanis 46.1 — este, um lançamento e tanto para quem procura um monocasco confortável para longas travessias ou apenas para velejadas domésticas numa baía, como a de Guanabara, onde foi testado por NÁUTICA, com uma tripulação comandada por Chico Fragoso.

 

Com 14,60 metros de comprimento na linha d’água (47,9 pés), o caprichado Oceanis 46.1 tem linhas bem modernas e costado alto. É um veleiro, portanto, de borda alta (o que resulta em uma navegação bastante seca), mas com casario de convés baixo, o que garante boa visão da proa pelo timoneiro. A popa bem larga garante ótima estabilidade no vento folgado.

 

 

A arquitetura permitiu a exploração máxima da boca do barco, de 4,50 metros. No cockpit, esse molde permitiu a inserção de uma mesa central (espécie de ilha, com abas dobráveis, que quase não atrapalham a circulação) para oito pessoas, além de duas espreguiçadeiras reclináveis com suporte de bebidas nos dois lados. Debaixo dos assentos, os paióis são enormes.

 

A total ausência de cabos no cockpit (todos estão diretamente ligados à área de comando junto às rodas de leme) facilita a circulação, o que é muito bem-vindo, especialmente se houver crianças a bordo. Para prevenir situações de homem ao mar, o guarda-mancebo têm boa altura e há vários pega-mãos distribuídos pelo convés.

Foto: Guido Cantini / Beneteau / Divulgação

Já para proteger a tripulação do sol e da chuva, o Oceanis 46.1 tem o chamado máxi bímini, com lona Sunbrella, de fechamento total.

 

Há duas rodas de leme (o comando principal fica a boreste, onde estão os manetes de controle do motor) e um painel móvel com os eletrônicos de navegação, O barco já vem de fábrica também com enrolador para vela grande e com catracas elétricas.

 

Para facilitar ainda mais as manobras, o  enrolador, a genoa autocambante, o conjunto de adriças e escotas estão associados a uma só catraca em cada um dos postos de leme. Assim, dá para tocar o barco mesmo com uma tripulação reduzida. E olha que estamos falando de um barco de 46 pés que pesa com pouco mais de 10 toneladas.

Na cabine, com, com 1,95 metros de altura, o estaleiro oferece quatro opções de layouts. A versão padrão tem três camarotes de casal, sendo dois idênticos na popa (um deles é chamado de suíte canadense, por dividir o banheiro com a área social) e uma suíte pura na proa (onde a cama mede 1,60m x 2,05 m), arranjo comum nos veleiros deste porte.

 

Em nenhum dos banheiros, porém, há box fechado. O que observamos é que o ralo do chuveiro exige o acionamento manual da bomba de sucção para o escoamento da água, sistema já um pouco ultrapassado.

A escada de acesso à cabine tem inclinação de 45°, com corrimão a bombordo, uma ótima entrada. O salão está decorado com dois sofás, mesa de jantar para quatro ou até seis pessoas (que pode ser rebaixada e formar uma boa cama), uma mesa profissional de navegação e uma tv em cuja tela podem ser replicados os instrumentos de navegação.

 

O pé-direito alto, aliado à ventilação e à ótima iluminação natural, com uso de claraboias e muitas (e grandes) vigias, tornam o ambiente agradável e fresco. Para ampliar a sensação de conforto, o mobiliário é de madeira clara (carvalho escovado ou mogno).

 

A cozinha, integrada ao salão, a bombordo, está equipada com fogão de duas bocas e forno, duas pias (uma exclusivamente com água doce; a outra, com água doce e salgada), uma grande bancada de apoio, armários, geladeira, freezer e lixeira embutida.

Opcionalmente, é possível incluir uma adega na receita. Os armários para os mantimentos são vazados por cima, para ventilar e não mofar o que está dentro, o que é muito útil num barco.

 

Outros detalhes que merecem destaque são as persianas rígidas, que ficam embutidas e, quando abertas, criam uma sombra mais agradável; a boa quantidade de paneiros (tampos que cobrem o piso e os espaços do barco destinados a guardar utensílios e miudezas); e o ar-condicionado de 36.000 BTU, que é excelente para um barco de 47 pés. Tudo isso para acomodar com conforto, sem nenhum aperto, três casais em pernoite.

O casco quinado (ou chine, a linha de junção entre o costado e o fundo) ajuda na estabilidade (o barco quase não se mexe), além de conferir um espaço interior mais generoso também na proa.

 

Para quem dá prioridade à performance, mas sem abrir mão do conforto oferecido pelos barcos da linha Oceanis, que prioriza o lazer, estaleiro oferece opcionalmente a possibilidade trocar o mastro original, de alumínio, por outro, superdimensionado. São três configurações diferentes de mastro, incluindo uma opção de fibra de carbono.

O acréscimo de um metro na altura no mastro resulta em uma área vélica 28% maior (58m², contra 44,50 m² da versão padrão) e faz com que a performance de um veleiro puro de cruzeiro, como este, fique próxima à de um veleiro da linha First, de maior desempenho.


O estaleiro oferece também três opções de quilha, com calado profundo, raso e de desempenho. No teste de NÁUTICA, o barco estava equipado com a quilha standard, com 2,35 metros de calado. Outra possibilidade são as quilhas rasa, com 1,75 m de calado, e em L, de 2,65 m, com bulbo de chumbo.

Navegação do Beneteau Oceanis 46.1

Hora de velejar. A bordo do Oceanis 46.1 oito pessoas; o tanque, de 200 litros, estava com cerca de 100 litros de combustível. Antes de abrir as velas, experimentamos o motor, um Yanmar de 57 hp, com rabeta. Na velocidade de cruzeiro econômico, que foi de 6,55 nós, a 1.800 rpm, o consumo é de 3 litros/hora, o que representa uma autonomia de 430 milhas, considerando-se o tanque de combustível de 200 litros.

A 3.200 rpm, atingimos a velocidade máxima, que foi de 9,6 nós, com consumo de 16,40 litros por hora. Ou seja, a velocidade subiu, mas o consumo aumentou bastante, prejudicando um pouco a autonomia. Daí, o melhor é manter o motor operando a 1.800 rpm, trabalhando silencioso e sem vibração.

 

Já com a Marina da Glória ficando para trás, içamos as velas. Velejando com vento de través (e ainda sem desligar o motor), o gps marcou 7,4 nós. As águas estavam calmas, com ondas baixas, condição ideal para um bom cruzeiro.

Usando a gennaker, em um ângulo de 60°, com ventos de 13 nós, a velocidade saltou para 9,5 nós. Em seguida, abrimos a genoa e desligamos o motor. Com ventos de 14 nós, em ângulo aparente de 40°, registramos 5,5 nós. Feita a sintonia fina, com o vento de 15,3 nós, em um ângulo de 35°, o veleiro passou a desenvolver 6,2 nós.

 

Para mostrar como é fácil a operação, o comandante decide fazer uma manobra de cambagem (girar a proa através da linha do vento, mudando as velas de lado), e tudo acontece de forma muito simples e prática, como era de se esperar de um veleiro que tem todas as operações concentradas nos postos de comando.

 

Para caçar a escota da genoa, a fim de orçar, também não é necessário fazer força: as catracas elétricas fazem por você. Na orça (orçar: girar a proa na direção do vento), mantendo o Oceanis 46.1 em um ângulo aparente de 50° e vento real de 14,6 nós, registramos bons 7,7 nós.

Foto: Guido Cantini / Beneteau / Divulgação

Nova cambada. Tudo muito rápido. Basta dar uma pequena arribada (girar a proa no sentido de afastá-la da linha do vento) para manter a velocidade.

No contravento e com a genoa armada, a velocidade ficou nos 6,5 nós em orça folgada, outra boa marca. Nas mudanças de bordo o leme foi muito eficiente, fazendo o barco girar rápido.

 

Em resumo, o Oceanis 46.1 veleja fácil e rápido, mesmo com ventos fracos. Nenhuma surpresa. Afinal, antes deste teste, o veleiro já havia encarado sem problemas a travessia do Atlântico, entre a França e o Brasil.

Saiba tudo sobre o Beneteau Oceanis 46.1

Pontos altos

  • O espaço e a luminosidade da cabine;
  • A facilidade nas manobras;
  • Boa performance na vela na autonomia a motor;

Pontos baixos

  • Banheiros não têm boxe fechado;
  • Ralo do chuveiro exige acionamento manual;
  • Passagem no salão estreita com as banquetas em uso;

Características técnicas

  • Comprimento total: 14,60 m;
  • Comprimento do casco: 13,65 m;
  • Boca: 4,50 m;
  • Deslocamento leve: 10 597 kg;
  • Combustível: 200 litros;
  • Água: 370 litros;
  • Potência do motor: Yanmar 57 hp saildrive.

 

Consultor técnico: Guilherme Kodja
Edição de texto: Gilberto Ungaretti
Fotos: Victor Santos, Rogério Pallata e Divulgação

 

 

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