Expedição realizada no Chile pode ter descoberto mais de 100 novas espécies marinhas

Biólogos do Censo Marinho têm o objetivo de encontrar 100 mil novos seres do mar nos próximos 10 anos

01/03/2024
Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute/ Divulgação

Ainda há muita coisa para ser explorada nos oceanos, e a expedição realizada pelo Schmidt Ocean Institute (SOI) é prova disso. Nas águas profundas do Chile, cientistas descobriram o que pode ser mais de 100 novas espécies marinhas, além de montanhas subaquáticas nunca vistas antes.

A expedição ocorreu na costa chilena, próximo a Valparaíso, onde ficam as ilhas de Sala y Gómez. Com ajuda de um robô subaquático chamado SuBastain, que é operado remotamente (ROV) foi possível descer a uma profundidade de 4,5 km, e registrar centenas de espécies que habitam o fundo do mar.

Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute/ Divulgação

Entre os achados não estão apenas animais, mas também uma variedade de corais exóticos, ouriços-do-mar e esponjas-do-mar. Além disso, muitas novas espécies de peixes e lagostas foram encontradas nessa expedição, liderada por Javier Sellanes, doutor da Universidad Católica del Norte.

Achados curiosos de novas espécies

Entre as centenas de novas espécies registradas pelo robô aquático, alguns merecem atenção, de acordo com os biólogos. É o caso do peixe ósseo vermelho do gênero Chaunax (foto de destaque na matéria), capaz de inflar como uma bexiga e que parece ter vindo de um desenho animado.

 

Também foram encontradas lagostas de olhos arredondados, crustáceos, moluscos e outros inúmeros organismos vivos em meios aos montes submarinos. Inclusive, os pesquisadores mapearam cerca de 52,8 mil km² do oceano, que revelaram quatro “montanhas submersas”.

Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute/ Divulgação

O maior monte submarino foi apelidado de Solito, com incríveis 3,5 km acima do fundo do mar, o que o torna até quatro vezes maior que o Burj Khalifa — o edifício mais alto do mundo.

Descobrimento tardio?

Mesmo sendo recém-descobertos, as novas espécies encontradas podem estar em risco de extinção. Isso porque as criaturas vivem em habitats classificados como “vulneráveis”. Logo, se o lugar onde moram é vulnerável, a vida desses seres também são.

Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute/ Divulgação

Quem corre maior risco são os organismos que vivem entre os corais de água fria e as esponjas-do-mar, por conta do aumento da temperatura da água, o que pode afetar a sobrevivência desses seres. A mineração em alto-mar e a pesca de arrasto também são sérios perigos para a vida marinha no local.

Novas espécies para serem encontradas

Através do Censo Marinho — ou Censo dos Oceanos –, cientistas lançaram, em 2023, uma iniciativa de aliança internacional. Segundo eles, o objetivo é descobrir novas espécies antes que o aquecimento global ou a pesca predatória levem seres inteiros a extinção.

Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute/ Divulgação

A ideia é aumentar o ritmo de descobrimento de novas espécies, visto que a cada ano os cientistas encontram 2 mil novas espécies de vida marinha. Mas o Censo Marinho quer mais, e pretende escalar esse número para 10 mil — ou seja, 100 mil novas espécies em uma década.

Nos resta aguardar

E caso você esteja se perguntando se há realmente tudo isso para ser descobrir, a resposta é: claro que sim! Afinal, exploramos apenas 20% dos oceanos, que cobrem 70% do planeta Terra. Ou seja, tem muito a ser encontrado pelos próximos anos.

Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute/ Divulgação

Agora, nos resta aguardar. Os pesquisadores desta expedição irão estudar cada um dos achados, para verificarem se, de fato, as espécies encontradas são novas. Mas de acordo com Jyotika Virmani, diretora-executiva do instituto, a identificação completa e as devidas nomeações dos seres podem durar anos.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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