Teste NX44 Pininfarina: uma lancha à altura do estúdio de design italiano

Desenhada pela Pininfarina e construída pela NX Boats, a embarcação navega com dois motores de 440 hp cada

24/07/2025
NX44 Design by Pininfarina foi lançada no Rio Boat Show 2024. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Fundada em 2014, a pernambucana NX Boats, comandada por Jonas Moura, chama atenção pelo rápido crescimento, impulsionado por investimentos em inovação e lançamentos que atraem e retém clientes. Em dez anos, o estaleiro ocupa um lugar de destaque em seu segmento. De sua fábrica, onde ocupa uma área construída de 12 mil m², já saíram quase 2 mil barcos — incluindo a NX44 Design by Pininfarina.

Atualmente, o estaleiro produz 11 modelos de lanchas, de 26 a 50 pés, que são distribuídas por boa parte do país e até no exterior. São embarcações únicas e com projetos exclusivos, que estão sendo certificadas internacionalmente — o que abriu para o estaleiro a possibilidade de exportação para os Estados Unidos — , já que o objetivo da NX Boats é ser uma empresa global.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Para enfrentar a concorrência, seu mais recente trunfo foi firmar uma parceria com um dos mais importantes estúdios de design do mundo, o italiano Pininfarina, famoso por ter desenhado quase todas as Ferraris, entre outros carros de luxo, como Alfa Romeo, Lamborghini e Maserati. Nasceu, assim, a NX44 design by Pininfarina.

 

A lancha de passeio rápido — não é uma esportiva — foi totalmente criada pelo estúdio insular. “A NX44 é o primeiro barco 100% desenhado pela Pininfarina”, afirma Jonas Moura. Lançada no Rio Boat Show 2024, o barco logo caiu no gosto dos fãs da marca.

 

 

O casamento Brasil-Itália — ou NX-Pininfarina — resultou em muitos detalhes interessantes que uma avaliação detalhada da NX44 revela. Começando pelas linhas esportivas da superestrutura, harmônica e rica em detalhes, com curvas salientes na targa incorporada à casaria.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Feliz, também, foi a combinação de cores, com o emprego de preto, cinza, bege e frisos vermelhos nos estofados. Por sua vez, os seis grandes cunhos de amarração de embutir, de 25 cm cada, vieram diretamente da Itália, estampados com o símbolo da NX Boats. E o que dizer do reluzente guarda-mancebo de inox na proa, que mais parece uma escultura metálica criada por algum artista do país de Michelangelo.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A plataforma de popa de 1,61 m de comprimento por 3,38 m de largura chama atenção. Ela serve de apoio para quem estiver pilotando a área gourmet, composta por tábua de cortar, pia, caixa térmica e grelha elétrica equipada com corta-corrente, para cortar a energia caso a tampa desta grelha seja abaixada sem se desligar o botão de acionamento do equipamento.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na unidade testada por NÁUTICA, a primeira da série Pininfarina, o estaleiro instalou uma plataforma de mergulho, apelidada de fun dive, com acionamento hidráulico elétrico abaixo da parte fixa de popa. Este arranjo resulta na formação de uma prainha particular na popa. Porém, pode-se encomendar a lancha com a tradicional plataforma submersível hidráulica.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na passagem para o cockpit, uma elegante portinhola de correr — embutida no móvel do sofá de popa quando aberta — é mais um exemplo da criatividade emprestada pelo estúdio italiano à embarcação brasileira — geralmente, nossas lanchas usam portas articuladas.

 

Uma ducha de padrão internacional, com água quente e fria, fica estrategicamente posicionada próxima a essa portinhola, assim como a lixeira.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A praça de popa, com convés revestido por madeira teca e convenientemente protegido por um toldo elétrico (itens de série), tem um sofá em L a bombordo, com assentos para cinco adultos, e outro menor a boreste, para duas pessoas.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A mesa de centro — decorada com as cores do barco — oferece regulagem de altura com acionamento elétrico. Com um simples toque de botão, o tampo oscila da altura normal de uma mesa de refeições para uma posição mais baixa, indicada para beber um bom vinho, por exemplo, e vice-versa.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Outra solução interessante adotada pelo estaleiro são as portas de entrada do cockpit, que podem ser deslocadas para um bordo ou outro, facilitando a circulação. Com isso, a cozinha, posicionada à bombordo do salão, pode ficar totalmente integrada à praça de popa, com as folhas da porta de correr à boreste. Se houver necessidade de proteção contra o vento, basta voltá-las à posição normal.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O pé-direito na entrada no salão é de 2,12 m. Apenas na passagem pela porta que a altura cai para 1,93 m. Uma TV de 32 polegadas fica embutida — por acionamento elétrico — atrás do móvel do posto de comando, voltada para quem estiver na praça de popa.

 

E para iluminar todo o ambiente com luz natural, os projetistas instalaram grandes janelas de vidro e um igualmente generoso para-brisas, além do teto solar elétrico.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A cozinha vem de fábrica com fogão elétrico por indução de duas bocas — na unidade testada, porém, faltou a grelha de proteção, para evitar que as panelas saiam do lugar — , forno, caixa térmica, pia e uma pequena geladeira com uma prática porta de correr. Tudo a ver com a simplicidade e a beleza atemporal típicas dos designs by Pininfarina.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Gavetas e armários junto à bancada da cozinha oferecem bom espaço para guardar mantimentos e utensílios como louças e panelas. Para os copos e taças, há uma cristaleira. Porém, para quem navega com um número grande de convidados a bordo, vale a pena colocar uma placa de refrigeração na caixa térmica da bancada da cozinha, já que a geladeira elétrica não é lá muito grande.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

No posto de comando, o piloto conta com um banco fixo duplo — duas pessoas se sentam com folga — , cuja parte dianteira do assento pode ser rebatida para que o condutor fique sentado em uma posição mais alta. Usamos este recurso durante a fase de navegação deste teste.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Um suporte para os pés do piloto, útil para cruzeiros mais longos, também está presente. No painel, há dois monitores de 12 polegadas da Garmin, com gps e sonda, que são itens de série, assim como sistema de som, o ar-condicionado e o gerador Onan de 9 kVA.

 

Todos os instrumentos, assim como o timão, os manetes, aceleradores, o joystick e os botões de acionamento dos flaps, estão bem-posicionados. As exceções ficam com o rádio VHF, fixado muito baixo, obrigando o piloto a se abaixar para visualizar o canal em uso no visor deste aparelho.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Merecem elogios também o revestimento escuro na parte superior do painel, o que evita reflexos no para-brisa, e a visibilidade do piloto, muito boa, com poucos pontos cegos — como nas colunas de sustentação do teto solar. O quadro elétrico dos disjuntores está instalado no móvel do banco do piloto, com acesso fácil e protegido com porta, o que dificulta o acesso de crianças.

 

O acesso à proa é fácil e seguro: basta transpor uma portinhola e, em seguida, uma porta maior, a bombordo, com amortecedor hidráulico, o que facilita a abertura e o fechamento — a abertura dessa porta promove uma ventilação natural abundante dentro do cockpit, dispensando o ar-condicionado.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O corredor até a proa é largo e protegido por um elegante guarda-macebo de inox. Lá na frente, há um grande solário para três adultos, além de um pequeno sofá para duas pessoas na frente, formando uma espécie de lounge.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O acesso ao guincho da âncora é muito bom. Um chuveiro de água doce permite tanto lavar a corrente da âncora como refrescar quem estiver tomando sol. Porém, falta uma trava para a corrente, recurso que impede a descida acidental do ferro, além de evitar danos à coroa do guincho elétrico, que “sofre” com os trancos causados pelas marolas de outras lanchas.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Uma escada com degraus dá acesso à cabine, em que cinco podem pernoitar a bordo, em duas suítes e um sofá na sala conversível em cama. A escada, com um degrau individual para cada pé, é elegante, mas muito íngreme — provavelmente o estaleiro modificará essa inclinação nas próximas unidades.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O sofá do pequeno salão do convés inferior, à bombordo, tem 1,90 m de comprimento, daí poder ser usado como uma cama individual. Embaixo dele há gavetas, úteis para guardar alguns pertences — durante este teste, a equipe de NÁUTICA deixou ali suas bolsas e mochilas. Uma janela à bombordo deixa passar luz natural, assim como o próprio para-brisas. O pé-direito é de 1,89 m.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na proa, fica o camarote para os convidados, com 1,87 m de altura na entrada e cama de casal medindo 1,81 m x 1,42 m, ladeada por vários armários e gavetas e com uma TV de 32 polegadas na frente. Janelas e vigias nos dois bordos garantem boa iluminação e ventilação natural ao ambiente, que tem luzes individuais de leitura e, claro, pode ser climatizado.

 

Um banheiro pequeno, mas completo, com pé-direito de 1,87 m e vigia para ventilação natural, serve tanto este camarote na proa como para a área social durante os passeios diurnos, já que tem duas portas, uma voltada para o camarote e outra, para a sala.


A maior surpresa fica por conta da suíte principal, à meia-nau, com aproveitamento completo da boca do barco, que é de 3,83 metros. Normalmente acanhado, já que fica embaixo do salão, esse cômodo neste barco é bem amplo, com 1,75 m de pé-direito junto à cama — a altura só fica mais baixa à bombordo.

 

A entrada da suíte de meia-nau é muito bem iluminada por duas janelas laterais, ambas equipadas com vigias para ventilação livre do ar-condicionado, o que é muito bom.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A entrada de luz natural amplia a sensação de espaço, colaborada pelo sofá, à boreste, e por um móvel grande a bombordo, equipado com vários nichos. Armários e uma TV de 32 polegadas completam este ambiente, cuja cama de casal mede 1,93 m x 1,40 m, um bom tamanho para o porte desta lancha. O banheiro dessa suíte é exclusivo e conta com box separado para banho, com 1,16 m por 0,49 m.

Navegação da NX44 Design by Pininfarina

Se rouba a cena quando parada, seus encantos não se resumem a formas atraentes. No desempenho, a expectativa é de uma lancha de passeio rápido — lembrando que ela não é uma esportiva — , embora com bom fôlego nos motores. Para avaliar se sua performance corresponde ao DNA, levamos a NX44 Design by Pininfarina para as águas fora da barra de Itajaí, em Santa Catarina.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Após a transição do Rio Itajaí-Açu para o Atlântico, as águas não costumam ser tranquilas. Mas, nos dois dias pelos quais se estendeu este teste, não havia ondas significativas e os ventos estavam na casa dos 9 nós.

 

Nessas condições, não ideais para pôr à prova toda a capacidade do casco, cruzamos as marolas produzidas pelo próprio barco, além de outras embarcações que cruzaram a nossa proa. Naturalmente, reduzindo a velocidade e aproando o casco contra as ondulações.

 

O resultado? Gostamos da agilidade deste conjunto, com os dois motores a diesel de centro-rabeta D6/440 da Volvo Penta de 440 hp cada.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A aceleração até os 20 nós (37 km/h), condição onde toda lancha está planando, foi de 11,1 segundos, tempo coerente com o porte e a categoria desse barco, que pesa 12,8 toneladas quando vazio e 16,5 toneladas totalmente carregado, de acordo com o que informa o fabricante. Durante o teste, o peso estimado era cerca de 14,5 toneladas. A bordo havia quatro adultos, 630 litros de diesel e 400 litros de água doce.

 

Nas manobras na velocidade de cruzeiro econômico, que foi de 28,8 nós — sim, quase 30 nós, o que mostra a eficiência do conjunto casco-motores — , importantes para desviar de um objeto flutuante, como os troncos que costumam boiar próximo a barras ou a ligações de rios ou canais com o mar, como em Itajaí, não tivemos nenhuma surpresa preocupante.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Em todos os zigue-zagues intencionais, a lancha se comportou de maneira previsível, sem afundar demasiadamente a proa na água nem fazer o piloto perder o leme. E quando o joystick entra em operação, manobrar esta lancha passa a parecer brincadeira de criança.

 

Tanto as manobras quanto as medições foram feitas com as rabetas totalmente abaixadas (marcação menos cinco no painel de instrumentos) e sem o acionamento dos flapes. Manter as rabetas totalmente baixas é normal na navegação com esse tipo de barco. Já os flapes costumam ser indispensáveis — não na NX44 Design by Pininfarina, que tem um ângulo de V na popa de 14,3 graus.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Barcos de lazer deste porte e categoria costumam ter um ângulo de V na popa entre 13 e 17 graus. É claro que, se houvesse ondas, provavelmente, deixaríamos os flapes atuantes. Mas, navegando em mar calmo, essa lancha não precisa deles, o que reforça o equilíbrio perfeito entre o casco e a motorização.

 

A velocidade máxima, de 37,3 nós (69 km/h), também é compatível com o peso e a potência dessa lancha, e cerca de 20% maior que a média das lanchas com flybridge deste porte. Durante os dois dias deste teste, o convés permaneceu seco na proa, sinal que o desenho do fundo do casco é eficiente, não deixando os respingos subirem além do verdugo (linha de união do casco e com o convés, marcada por um friso de borracha com metal).

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Ao desembarcar, veio a certeza de que a NX44 Design by Pininfarina atende bem tanto quem navega no mar quanto quem pretende usá-la em água doce. Nesta condição, a alta capacidade de carga (ela está homologada para 20 pessoas nos passeios diurnos) é um diferencial e tanto, assim como o bom aproveitamento de espaço na proa e na popa, onde a plataforma de mergulho serve de trampolim para as crianças.

 

Em resumo, uma lancha que faz jus ao nome Pininfarina estampado no casco.

Saiba tudo sobre a NX44 Design by Pininfarina

Pontos altos

  • Design exclusivo e atraente;
  • Guarda-mancebo e cunhos bem-feitos;
  • Tamanho da suíte à meia-nau;

Pontos baixos

  • Escada de acesso à cabine muito íngreme;
  • Geladeira na cozinha é pequena;
  • Faltam drenos na canaleta da tampa de acesso aos motores;

Características técnicas

  • Comprimento máximo: 13,75 m (45 pés);
  • Comprimento do casco na linha d’água: 11,50 m;
  • Boca (largura máxima do casco): 3,83 m;
  • Calado propulsão/casco: 1,10 m/0,75 m;
  • Ângulo do V na popa: 14,3 graus;
  • Borda-livre proa: 1,67 m;
  • Borda-livre popa: 1,57 m;
  • Peso sem motores: 12.800 kg;
  • Tanque de combustível: 1000 litros;
  • Tanque de água: 400 litros;
  • Capacidade (dia): 20 pessoas;
  • Capacidade (noite): 4/5 pessoas;
  • Motorização: popa ou centro-rabeta;
  • Potência: 2 x 380 e 600 hp cada.
Navegação da NX44 Design by Pininfarina com 2 motores centro-rabeta a diesel de 440 hp cada.

Equipamentos de série (itens principais)

Teto solar elétrico, para-brisa de vidro com limpador de aço inox, âncora tipo bruce com corrente, guincho elétrico para âncora, churrasqueira elétrica na popa, fogão elétrico de duas bocas, geladeira elétrica, micro-ondas, ar condicionado, gerador Onan de 9 kVA, carregador de bateria, duas bombas de porão de 2000 GPH com acionamento automático, seis baterias de 150 Ah cada para motores e serviço, vasos sanitários elétricos, sistema de água pressurizada quente e fria, tanque para águas servidas, flaps elétricos, dois exaustores na sala de máquinas e seis cunhos de embutir de aço inox de 25 cm cada.

Equipamentos opcionais (itens principais)

Estabilizador de movimento do barco, sistema de flaps automáticos, radar, piloto automático, AIS (sistema de identificação da embarcação por rádio), luzes subaquáticas.

 

Preço estimado da NX44 Design by Pininfarina: R$ 4,05 milhões — valor apurado em julho de 2024, com dois motores de centro-rabeta a diesel Volvo Penta D6/440, de 440 hp cada, ar-condicionado, gerador Onan 9kVA, instrumentos eletrônicos para navegação (exceto radar e piloto automático), som e totalmente pronta para ir para a água.

 

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