Memória Náutica: relembre como foi o Rio Boat Show 2006
Em 2024, o Rio Boat Show chega a sua 25ª edição. Para comemorar esse momento histórico, a equipe de NÁUTICA vai revisitar o passado novamente para mais uma edição da série Memória Náutica. Hoje é dia de relembrar o Rio Boat Show 2006, que se destacou por ter sete grandes veleiros entre seus 20 lançamentos de embarcações.
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A 9ª edição do Rio Boat Show aconteceu durante 9 dias, de 6 a 14 de maio. Esse foi o tempo para mais de 50 mil pessoas comparecerem à Marina da Glória e conferirem de perto as mais recentes novidades do setor — que, naquele ano, foram muitas. Sobre as águas da Baía de Guanabara, o Boat Show do Rio navegou sobre as ondas do ano anterior, proporcionando aos visitantes condições especiais de pagamento.


Foi o salão dos produtos nacionais. Havia de tudo: motores, reversores e ar-condicionado– dizia a edição 214 da Revista Náutica
O que acontecia no mundo em 2006
O ano de 2006 começou animado — principalmente para os moradores do Rio de Janeiro. Por lá, 2 milhões de pessoas compareceram às festividades da virada de ano na praia de Copacabana. Ainda em terras cariocas, o carnaval daquele ano teve vitória da Unidos de Vila Isabel, quebrando um jejum de 18 anos.
No futebol, mal sabiam os brasileiros que, após o penta em 2002, o hexa se tornaria um sonho cada vez mais distante. Apesar de ser considerada uma das equipes favoritas da competição, a Seleção Brasileira caiu para a França nas quartas, com gol de Thierry Henry. O torneio, que aconteceu na Alemanha, teve a Seleção da Itália como campeã.
Ainda naquele ano, o astronauta Marcos Pontes tornou-se o primeiro brasileiro — e primeiro cidadão sul-americano — a ir ao espaço, ao lado do russo Pavel Vinogradov e do astronauta norte-americano Jeffrey Williams, a bordo da nave Soyuz TMA-8.
Como foi o Rio Boat Show 2006
Em um evento que se destacou por seus lançamentos, os veleiros, em especial, chamaram a atenção do público. Foram, ao todo, 7 novos modelos apresentados durante o Rio Boat Show 2006, incluindo o RO 400 — primeiro veleiro europeu para regatas e cruzeiros fabricado no Brasil, pelo estaleiro ILS Yachts.


Além da novidade da ILS, estaleiros como Bavaria Yachts, Hosk, Delta Yachts, Jeanneu, Beneteau e Emisul levaram ao salão o charme de seus novos barcos, com embarcações que foram dos 36 aos 56 pés.








Nas lanchas, mais novidades. Tida pela Revista Náutica da época como a “mais bela” do salão, a nova Spirit Ferretti 74 se sagrou na feira como uma das lanchas nacionais mais sofisticadas do mercado. Destaque também para a Phantom 375, da Shaefer Yachts, que chamou atenção por sua distribuição inteligente dos ambientes.




Nas lanchas menores, o modelo de 29 pés da Real Powerboats foi uma opção mais em conta para os visitantes, já que usava apenas um motor. Também nessa linha, o Thop Cat Fishing, de 18 pés, chamava atenção por, na realidade, aparentar ser bem maior, com um espaço interno comparado ao de uma 26 pés.


Os trawlers, sempre presentes nos Boats Shows do Rio, foram representados naquele ano pelo Bucaneiro, do estaleiro cearense Inace. O barco, apesar de não ser o maior da feira, era muito espaçoso. “O barco é tão grande que a casa de máquinas é muito maior que as cabines dos barcos na faixa dos 30 pés”, dizia a edição 214 da Revista Náutica.




Falando em tamanho, a edição de 2006 do Rio Boat Show abrigou o maior inflável do Brasil à época, com o Tecnoflex 940, da Tecnoboats. A embarcação contava com 9,4 metros de comprimento, capacidade para 12 pessoas e motorização de popa entre 200 e 300 hp.


Atrações do Rio Boat Show 2006
Como de costume em todos os Boat Shows — não só o do Rio –, o evento levou aos visitantes muito mais do que “apenas” barcos. Entre as grandes atrações daquele ano, por exemplo, estava um carro. Era o novo Audi Q7, que só seria vendido no Brasil a partir de novembro daquele ano mas, claro, já dava o ar da graça no salão.


Foi também no Boat Show que a Petrobrás apresentou seu projeto de gasolina náutica, específica para barcos. A Embratel, por sua vez, levava aos visitantes uma novidade que, para a época, foi revolucionária: o serviço móvel marítimo, que levaria sinal de internet para navegadores a até 150 km da costa brasileira.




Você já viu um pedalinho-catamarã por aí? Se sim, saiba que uma embarcação como essa foi lançada no evento, pela Smart Pier. A novidade alcançava os 20 km/h e custava R$ 5 mil. Para os mergulhadores, outra surpresa: uma máscara que permitia convesas dentro d’água com quem estava na superfície, desenvolvida pela Fun Dive.




Como de costume, a Barracuda construiu um barco ao vivo durante os 9 dias de salão. Dessa vez, a embarcação foi nada mais, nada menos que o primeiro Transat brasileiro. Quem passou pela feira também teve a oportunidade de esbarrar pelos corredores com o velejador Lars Grael, que distribuiu autógrafos aos fãs.




Confira mais fotos da edição de 2006 do Rio Boat Show






























































Vem aí o Rio Boat Show 2024!
Evento náutico mais charmoso do Brasil, o Rio Boat Show chega a sua 25ª edição recheado do que de melhor esse lifestyle pode oferecer. As águas da Baía de Guanabara, na Marina da Glória, recebem o evento entre os dias 28 de abril e 5 de maio. Por lá, o grande público poderá ver de perto os principais lançamentos e destaques do mercado náutico com barcos na água e test-drive de embarcações.


O repertório é grande: lanchas, veleiros, iates, jets, motores, equipamentos, acessórios, decoração e serviços náuticos estarão reunidos em um só lugar, ao lado de especialistas do setor, preparados para auxiliar todos os visitantes. Além disso, o Rio Boat Show exibe destinos náuticos, artigos de luxo e quadriciclos.
O público da 25ª edição do evento terá ainda atrações diversas, como palestras, desfile de moda e o tradicional Desfile de Barcos — em que os modelos de destaque do evento navegam pela Baía de Guanabara, junto com um show de luzes, música e até mestre de cerimônia.
Anote aí!
RIO BOAT SHOW 2024
Quando: De 28 de abril a 5 de maio;
Horário: De segunda a sexta-feira, das 15h às 22h | sábado e domingo, das 13h às 22h;
Onde: Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, S/N, Glória);
Ingressos: site oficial de vendas
Mais informações: rioboatshow.com.br.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



