Passeios guiados de moto aquática: um novo horizonte para o turismo náutico

04/02/2025

A atualização da NORMAM-212 pela Marinha do Brasil representa muito mais do que uma simples mudança de regramento. Ao autorizar estabelecimentos de aluguel de moto aquática (EAMA) a oferecer passeios guiados, essa nova norma inaugura uma fase promissora para o turismo náutico no Brasil.

Trata-se de uma oportunidade estratégica que amplia o acesso à navegação, atrai novos públicos e fomenta o desenvolvimento econômico em regiões litorâneas e lacustres (ou seja, à beira de lagos).

Foto: King_satriaru/ Envato

Até então, a condução de motos aquáticas era restrita a proprietários ou locadores que, individualmente, precisavam obter habilitação náutica e se responsabilizar pelo uso da embarcação.

 

Com a nova regra, pessoas habilitadas como Motonautas (MTA) ou Motonautas Especiais (MTA-E) poderão vivenciar passeios organizados por empresas especializadas, com rotas pré-definidas e acompanhamento de guias.

Essa mudança não apenas democratiza o contato com a navegação, mas também cria uma experiência turística diferenciada, permitindo que visitantes explorem águas antes inacessíveis com segurança e orientação.

Mais turismo, mais empregos, mais renda

A introdução dos passeios guiados de moto aquática abre um novo nicho de mercado para empresas do setor náutico e turístico. Locadoras de embarcações, operadores de turismo e marinas podem agora estruturar roteiros e pacotes específicos para turistas em busca de aventura, conectando-se com a crescente demanda por experiências personalizadas ao ar livre.

Foto: nutthasethw/ Envato

Além do impacto direto no turismo, a nova regulamentação impulsiona a geração de empregos. Profissionais qualificados como guias de moto aquática, instrutores de navegação e equipes de suporte técnico terão novas oportunidades de atuação.

 

Empresas também poderão investir em treinamentos e certificações para seus funcionários, profissionalizando ainda mais o setor.

Foto: cookelma/ Envato

Outro ponto positivo é a atração de novos adeptos para a navegação recreativa. Muitos turistas que experimentarem a condução guiada podem se interessar em obter sua própria habilitação náutica, movimentando ainda mais a economia do setor.

 

Escolas náuticas, fabricantes de motos aquáticas e fornecedores de equipamentos de segurança tendem a se beneficiar do aumento da demanda.

Segurança e organização como prioridade

A NORMAM-212 também estabelece diretrizes importantes para garantir a segurança dos passeios. Cada grupo de até três motos aquáticas deve ser liderado por um guia experiente, enquanto grupos maiores, de quatro a seis veículos, precisam de um segundo guia para dar suporte na retaguarda. Essa estrutura minimiza riscos e assegura que os participantes aproveitem a experiência com tranquilidade.

Foto: Beachbumledford/ Envato

Além disso, há exigências claras quanto ao uso de equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas homologados, chave de segurança atada ao condutor e a recomendação de acessórios adicionais, como óculos protetores e luvas.

 

Isso reforça o compromisso do setor com a segurança e ajuda a consolidar os passeios guiados como uma atividade confiável e bem-organizada.

Oportunidade para investimentos e desenvolvimento regional

Com a regulamentação estabelecida, o desafio agora é difundir a informação e estimular que empresas invistam nesse novo formato de turismo náutico. A criação de roteiros exclusivos, a capacitação de profissionais e a adaptação das infraestruturas existentes podem transformar essa modalidade em uma forte alavanca para o desenvolvimento de destinos turísticos.

Foto: wirestock/ Envato

Regiões com águas navegáveis, como litorais, lagos e represas, têm agora uma excelente oportunidade para ampliar suas ofertas turísticas. Municípios podem se beneficiar ao promover esse tipo de passeio em seus planos estratégicos de turismo, atraindo visitantes e aumentando o tempo de permanência dos turistas.

 

Dessa forma, a mudança na NORMAM-212 não é apenas um ajuste regulatório, mas um marco que expande as possibilidades do turismo náutico no Brasil. Ao abrir portas para novas experiências, essa regulamentação fortalece a economia do setor, gera empregos e estimula um contato mais acessível e seguro com as águas brasileiras.

 

Para os empresários, a hora de investir é agora. Para os turistas, uma nova aventura está à vista.

 

Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

 

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