Réptil marinho mais antigo que os dinossauros é encontrado pela primeira vez no Hemisfério Sul

Descoberto na Nova Zelândia, o animal media 4 metros de altura e viveu há 246 milhões de anos; confira

03/07/2024
Foto (da esquerda para direita): Benjamin Kear/Museu da Evolução da Universidade de Uppsala/ Divulgação. Google Maps/ Reprodução

Você consegue imaginar como era o mundo há mais de 246 milhões de anos, quando sequer os dinossauros existiam? Pois os cientistas facilitaram esse exercício, ao encontrarem uma vértebra que pertencia a um notossauro, o réptil marinho mais antigo encontrado no Hemisfério Sul.

Não que encontrar um fóssil deste animal seja a coisa mais rara do mundo, mas o que surpreendeu os especialistas foi a sua localização. Encontrado na Nova Zelândia, a vértebra foi escavada no Monte Harper, na Ilha Sul, onde não havia nenhum vestígio do notossauro até agora.

 

 

Por isso, chama atenção o fato de a descoberta deste antigo réptil marinho acontecer logo no Hemisfério Sul. Afinal, as evidências de migração dessa espécie para os oceanos só eram conhecidas da ilha ártica de Spitsbergen, localizada no noroeste da América do Norte e sudoeste da China.

 

Logo, esta descoberta sugere que a criatura se espalhou rapidamente por altas latitudes ao redor de Gondwana (supercontinente que existiu há 2,5 bilhões de anos), vindos do norte de Tethyan (fossa oceânica da época do Mesozoico, que durou entre 252 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Esta hipótese coincide com o período de extinção em massa dos notossauros, no Período Permiamo — que antecedeu o Mesozóico. Além disso, acredita-se que esse réptil marinho migrou pelo Ártico e Panthalassa (único oceano mundial durante a época da Pangéia), há cerca de 247 milhões de anos.

Um velho conhecido

Por mais recente que o estudo tenha sido publicado, os restos do animal já tinham sido localizados em 1978. Porém, só agora foram realizadas novas análises que possibilitaram determinar sua origem — além de ter mais detalhes sobre a vida primitiva dos répteis marinhos no Hemisfério Sul.

Vértebra do notossauro. Foto: Benjamin Kear/Museu da Evolução da Universidade de Uppsala/ Divulgação

Segundo o artigo publicado na Current Biology, este animal semi-oceânico tinha cerca de 4 metros de comprimento, e podia alcançar até 7 metros. Além disso, eles tinham crânios achatados com dentes cônicos, alongados e afunilados, que ajudavam a capturar lulas e peixes — suas principais presas.

 

De acordo com a pesquisa, este antigo réptil marinho utilizava os quatro membros — que pareciam remos — para ser mover pela água. Os paleontólogos ainda dizem que os notossauros viviam em um ambiente costeiro raso, porém repleto de outras criaturas dentro do que era então o Círculo Polar do Sul.

Qual a origem deste antigo réptil marinho?

Como não havia evidências dos notossauros no Hemisfério Sul até essa pesquisa, os cientistas mudaram o entendimento de como o animal se espalhou pelo planeta — já que antes, os fósseis só tinham sido encontrados a margem norte do antigo super oceano Panthalassa.

Contexto biogeográfico do notossauro mais antigo do Hemisfério Sul. Foto: Reprodução no artigo “O mais antigo sauropterígio do sul revela a globalização inicial dos répteis marinhos”.

Portanto, sua origem ainda é debatida, pois a distribuição e o momento em que esse antigo réptil marinho chegou a outro hemisfério ainda gera incerteza. Mas é possível afirmar que eles vieram 15 milhões de anos antes dos dinossauros — que surgiram há 231 milhões de anos.

 

Algumas das teorias de como esse animal se espalhou é que eles teriam migrado ao longo das costas polares do Norte, nadando por rotas ou correntes marítimas. Mas as novas análises realizadas pelos paleontólogos logo derrubaram essa hipótese.

 

 

Os pesquisadores usaram um modelo evolutivo para confirmar que os notossauros se originaram perto da Linha do Equador. Já que o início da Era dos Dinossauros foi caracterizado pelo aquecimento global extremo, esses antigos répteis marinhos se desenvolveram melhor no Polo Sul — onde a temperatura era mais baixa.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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