Marinha usa radar capaz de rastrear embarcações além da linha do horizonte

Fabricado no interior de São Paulo, equipamento é o primeiro do tipo desenvolvido, instalado e operado na América Latina

30/06/2024
Foto: IACIT / Divulgação

Uma nova tecnologia para proteger as fronteiras marítimas do Brasil está em uso pela Marinha do Brasil. O Radar Além do Horizonte é o primeiro do tipo desenvolvido, instalado e operado na América do Sul. O equipamento foi produzido na cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Importante aliado na defesa das águas jurisdicionais do país (faixa oceânica de domínio brasileiro), o novo radar da Marinha ganhou o nome de OTH 0100. O aparato foi desenvolvido pela IACIT, empresa fundada ainda em 1986 na cidade, tida como um dos principais polos tecnológicos do Brasil — e do mundo.

Foto: IACIT / Divulgação

O OTH 0100 coloca o Brasil em um seleto grupo de países que detêm essa tecnologia de ponta, composto por Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França, Canadá, Austrália, China e Israel.

 

Instalado no sítio do Farol do Albardão, no Rio Grande do Sul, o radar da Marinha é considerado um sistema de última geração que, segundo a IACIT, é um dos poucos existentes no mundo capaz de rastrear embarcações não-cooperativas (ou seja, que não transmitem sinal de AIS, o Automatic Identification System) a uma distância de até 200 milhas náuticas (cerca de 370 quilômetros) da costa.


Dessa forma, o radar consegue fornecer informações de geolocalização e deslocamento dos chamados “navios-fantasmas”, permitindo a detecção precisa e o acompanhamento de alvos em alto-mar em tempo real. Ele também é capaz de suprimir interferências comuns na faixa de alta frequência, incluindo ruídos de sistemas de comunicação e da ionosfera.

 

A IACIT explica ainda que com “a abertura de 120º em seu sistema de transmissão, cada Radar OTH 0100 consegue monitorar uma área superior a 143 mil km², gerando imensos ganhos operacionais e reduzindo os custos no processos de monitoração da ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico).”

Foto: IACIT / Divulgação

Toda essa tecnologia colabora para que a Marinha consiga desenvolver um trabalho muito mais completo na preservação das riquezas naturais da Amazônia Azul e no combate a atividades ilícitas como pirataria, contrabando, tráfico de drogas e de pessoas, além da espionagem.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Assim como hotéis, lanchas entram na era do "day use"; entenda

    Na hotelaria, o modelo permite aproveitar a estrutura durante o dia sem hospedagem. No setor náutico, a lógica impulsiona embarcações voltadas ao uso por algumas horas

    Parceria de vida: Lars Grael e Clínio de Freitas relembram 40 anos de competição na antiga União Soviética

    Dupla com forte histórico de competições e regatas nutre relação de amizade mais intensa ainda. Conheça!

    Dono de estaleiro abre mão de R$ 2 bilhões e doa parte da empresa à caridade

    Decisão veio de Eddie Smith Jr., dono da Grady-White Boats, para manter a cultura da empresa viva mesmo fora do seu controle

    O lado escuro do oceano: jaqueta é encontrada a 3 mil metros de profundidade

    Peça foi retirada da água a cerca de 1,7 mil km da costa brasileira durante uma expedição do navio de pesquisa Schmidt Ocean Institute

    Joinville (SC) inaugura novo píer flutuante e potencializa estruturas para turismo náutico

    Lançado neste domingo (2), no bairro Espinheiros, atracadouro conta com estruturas flutuantes para receber embarcações de até 100 pés de comprimento