Teste Real 40 Cabriolet: lancha se destaca pelo conforto no cockpit, cabine e posto de comando

Testada nas águas de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, modelo ainda chama atenção pela pilotagem a céu aberto

Por: Redação -
23/05/2024
Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A Real 40 Cabriolet, lançada no Rio Boat Show 2023, causou boa impressão logo à primeira vista, por conta do projeto bem-pensado e executado. Para conferir seu desempenho, a equipe de NÁUTICA embarcou na lancha para uma boa navegada pelas águas de Ilhabela. Confira abaixo como foi o teste da Real 40 Cabriolet.

Em atividade desde 1986, o estaleiro Real Powerboats conta com mais de 12 mil barcos na água. Atualmente, de sua sede no Rio de Janeiro saem treze modelos de lanchas, de 22 a 60 pés. Mas Paulo Thadeu, CEO da marca, já apresentou o 3D do projeto da Real 53 Fly, prometido para 2026.

 

Novidades à parte, é na faixa dos 40 pés que o estaleiro melhor se posiciona. Prova disso é que, desde o lançamento do primeiro modelo, em 2020, mais de 60 embarcações desse tamanho foram entregues — somando-se as vendas dos modelos Fly, HT e Cabriolet, que dividem o mesmo casco e se diferenciam entre si pelo tipo de teto.

 

 

Destas, a Real 40 Cabriolet, equipada com capota de lona aberta nas laterais e recolhível na parte da frente — o que resulta em uma generosa circulação de ar pelo cockpit –, leva vantagem sobre as “irmãs”. Somente em 2023 foram 11 unidades vendidas, sendo quatro delas apenas no último trimestre.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

A Real 40 Cabriolet tem uma bela targa, boca larga (3,70 metros), proa lançada em V, cinco opções de motorização (diesel ou a gasolina, de centro-rabeta ou pé de galinha, e versão POD prometida para 2024), cockpit dividido em dois ambientes e uma cabine com pernoite para até seis pessoas. Neste último atributo, vale destacar que é uma das cabines mais altas da categoria, com pé-direito de 2,20 metros.

 

Detalhes, enfim, que credenciavam o modelo a ocupar lugar no topo da pirâmide entre as lanchas de 40 pés. Faltava, porém, saber se as expectativas criadas em torno dela se confirmariam na água e aí que o Teste NÁUTICA da Real 40 Cabriolet entra.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Mas, antes de acelerar, o Teste Real 40 Cabriolet te apresenta os mínimos detalhes da lancha — que conta com muitos diferenciais em relação às outras 40 pés do mercado, a começar pela grande área do cockpit, com opções de uso para todo gosto.

 

A plataforma de popa é fixa, mas com o benefício de uma extensão móvel, para ser aproveitada como apoio durante as jornadas ao mar. Ao lado dessa plataforma extra molhada há uma escada de quatro degraus, dimensão ideal para ser instalada nessa área.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O tradicional móvel gourmet tem duas caixas de gelo (aliás, há várias geleiras distribuídas pelo cockpit, outro diferencial deste barco), além de pia com água pressurizada e churrasqueira (com grill elétrico ou, opcionalmente, a carvão), com um grande pega-mão na parte da frente. Embaixo, para embalar o churrasco, há duas caixas de som.

 

Neste teste da Real 40 Cabriolet, a unidade utilizada, com grill elétrico, não havia a chave corta-contato e a placa de inox no interior da tampa, dois itens essenciais para cortar a corrente na hora de fechar a churrasqueira, sob o risco de gerar um incêndio. Fica o alerta ao estaleiro.

 

A altura do móvel gourmet é a mesma do encosto do sofá da praça de popa, o que, resulta em um efeito visual muito agradável e em uma atmosfera bem equilibrada. Além de agradarem esteticamente, deixando os cômodos mais espaçosos e arejados, esses sofás são firmes e confortáveis.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Como o barco tem muito volume, por conta dos 3,70 m de boca, o projeto reservou duas entradas largas para o cockpit. Este, por sua vez, se divide em duas áreas distintas: a praça de popa, em que há dois sofás um de frente para o outro, paralelos à popa, com uma mesa no meio, o que gera uma interação perfeita entre as pessoas; e convés central, integrado ao posto de comando.

 

A praça de popa fica protegida por uma capota, presa à targa, com 1,98 m metro de altura; uma segunda capota, do tipo bímini, se estende até o posto de comando — onde, quando fechada, fica em posição que afeta visão do piloto.

Foto: Real Powerboats / Divulgação

Ao lado de um dos sofás, a bombordo, há uma geleira com cerca de um metro de profundidade, além de uma lixeira e da caixa com as chaves das baterias e as tomadas de cais; a boreste, um paiol, uma cristaleira e um chuveirinho com água pressurizada. Ainda no convés de popa, embaixo dos bancos, os felizes passageiros contam com caixas de som com de alta fidelidade.

 

Por sua vez, o cockpit central tem um sofá em L a bombordo, com mesa de aperitivos triangular (formato que facilita a circulação das pessoas por essa área), e uma minicozinha a boreste, com pia, lixeira, área de apoio, armários para pratos e copos e uma geladeira de gaveta.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Embaixo da mesa, que é removível, há um paiol para a boia circular e o Facho Holmes (dispositivo de iluminação automático para boia salva-vidas). Por meio desse paiol se tem acesso aos tanques de água doce (de 400 litros) e de combustível (cerca de 550 litros).

 

Os tanques estão separados por antepara e assim isolados da casa de máquinas, o que é excelente. São dois tanques de combustível (um deles atende também o gerador), mas eles não estão conectados um ao outro, o que seria desejável, mesmo que pelo sistema de gravidade.

 

O posto de comando, com assento e encosto duplos, fica dois degraus acima dos demais ambientes. Nesta posição, o timoneiro tem quase a sensação de estar pilotando um barco com flybridge! A visão é de 360 graus, sem nenhum obstáculo. Para isso, contribui o fato de o painel ser baixo e a visão ficar acima do para-brisa.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Para completar essa sensação de conforto, ao contrário do que acontece na maioria das embarcações de lazer, que exigem que o banco seja rebatido e que o comandante pilote em pé, a Real 40 Cabriolet permite navegar totalmente sentado.

 

Na unidade testada por NÁUTICA o proprietário optou pela instalação de dois eletrônicos: um Raymarine e um Simrad, que faz integração com os motores. Para melhorar o que já é bom, os comandos estão bem-posicionados, super à mão, e o volante é escamoteável.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O para-brisa sextavado não tem cantos vivos, o que significa menos risco de lesão caso ocorra um acidente. Se bem que, por sua posição abaixo da linha de visão do piloto, funcione mais como um quebra-vento para o cockpit. Sob o assento do banco do piloto, há um bem-vindo paiol. Mais abaixo, duas caixas de som.

 

As únicas ressalvas no posto de comando ficam por conta da identificação da botoeira, que não é fácil de entender, e para a posição do VHF, muito baixa e difícil de operar. Nos dias de tempo e temperatura favoráveis, a pedida é navegar a céu aberto; ou seja, com a capota rebaixada. Se chover ou fizer frio, basta o piloto fechar tudo com a bímini.

 

Com até excelentes 2,20 metros de altura, a cabine da Real 40 Cabriolet divide-se em três ambientes, com opção de pernoite para até seis pessoas, sem apertos: duas no camarote de proa (que é fechado, com porta de correr), em cama triangular mais curta; uma na sala central, onde a mesa e o sofá podem ser convertidos em cama; e três no camarote de meia-nau, onde há uma cama de casal e outra de solteiro.

Foto: Real Powerboats / Divulgação

O pé-direito na entrada do camarote de meia-nau é de quase 2 metros. A cozinha, na sala central, não é grande, mas é completa. Tem até uma adega para quem gosta de degustar um vinho quando não está no comando. O banheiro, com box fechado, ducha embutida e vigia com ventilação, não deixa nada a desejar.

 

Em toda cabine há um bom número de janelas e até uma claraboia para a entrada de luz natural. Porém, só há uma vigia com abertura para circulação do ar, além da vigia do banheiro.

Foto: Real Powerboats / Divulgação

Para o acesso à proa, por uma abertura no para-brisa, a bombordo, o projetista bolou uma escada com degraus grandes que caiu como uma luva nesta lancha. Além de facilitar a passagem, essa pode ser usada como banco, quando o barco estiver em movimento. Para isso, tem até uma geleira do lado.

 

A proa é bem alta — valorizando o pé-direito da cabine, especialmente do camarote de proa — e lançada em V, o que faz com que o casco não sofra tanto o impacto das ondas. Com o barco planando, o bico lançado diminui a resistência com a água; em caso de mar agitado, essa característica evita que o casco mergulhe nas ondas.

Foto: Real Powerboats / Divulgação

O solário tem encosto rebatível com apoios para a cabeça. Na área operacional, há um chuveirinho, que serve tanto para lavar a âncora quanto para refrescar as pessoas que estão tomando banho de sol, nos dias mais quentes.

 

Os cunhos estão bem dimensionados, assim como a caixa de âncora, cuja tampa tem duas folhas e abre para os dois lados. Porém, na unidade testada por NÁUTICA, o lançador de âncora saia do trilho e o circuit breaker do guincho estava mal dimensionado para o tamanho do barco, causando desligamentos.


A entrada na casa de máquinas é feita por meio da abertura de uma tampa no cockpit, sob a mesa da praça de popa. O espaço lá dentro é adequado para as manutenções tanto dos motores quanto do gerador (Cummins Onan de 4 Kva) e das instalações hidráulica e elétrica. E ainda há outros dois pontos de acesso aos motores, um lateral e outro traseiro.

 

O revestimento termoacústico promove isolamento de temperaturas e ruídos. Mas na unidade testada por NÁUTICA esse revestimento se concentrava apenas no teto, não se estendendo para as anteparas e laterais do casco, como seria desejável.

Navegação da Real 40 Cabriolet

No teste da Real 40 Cabriolet no mar, realizado em Ilhabela, ora no Canal de São Sebastião, ora em águas abertas na região de Borrifos e Sepituba, em um total de 23 milhas navegadas, o barco estava equipado com dois motores Mercury, a diesel, de 350 hp cada, com rabetas Bravo 3 e hélices de 23 polegadas. Mas o estaleiro oferece cinco opções de motorização, entre gasolina e diesel.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Em um dia de mar liso, com vento sul de 8 nós, a lancha se mostrou bastante ágil e estável, tanto na reta quanto nas curvas, navegando como se estivesse em um trilho.

 

Para testar sua capacidade de amortecimento, passamos pelas marolas produzidas por ela mesma, contra e a favor do sentido de propagação delas. E a Cabriolet passou com muita suavidade. Mérito de um casco que tem o DNA da Real Powerboats, famosa por produzir barcos com bom desempenho mesmo em mares ruins.

 

Com 11 a 12 nós, já se forma a esteira. Um pouquinho mais de manetes, e já estamos em planeio. A proa quase não levanta. De tão leve, a sensação durante o teste da Real 40 Cabriolet foi de estar pilotando uma lancha bem menor, na faixa dos 27 ou 28 pés.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

É preciso até ficar esperto durante as manobras de tão fácil que o barco responde quando se atua no volante da direção hidráulica. E olha que a Real 40 Cabriolet carregada, com motores e todos os acessórios, pesa 10,7 toneladas.

 

Com três pessoas a bordo, tanques quase a 50%, chegou à marca de 36,8 nós de velocidade máxima. No arranque, demonstrou ter a aceleração adequada para seu porte e proposta, com bom equilíbrio do conjunto, precisando de 11,6 segundos para ir da marcha lenta aos 20 nós.

 

A posição de pilotagem é segura e muito confortável. Apesar de passar o tempo todo sentado, o comandante não sente dificuldade alguma para observar a proa durante a navegação. Vale lembrar que o casco tem um quê a mais: uma elevação no fundo, que o estaleiro batizou de Hydrolift System, que atua de forma semelhante a uma suspensão automotiva, absorvendo o impacto das ondulações e, consequentemente, deixando a lancha mais estável.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Além disso, segundo o estaleiro, o Hydrolift permite que se construam cascos até 35% mais largos, sem a necessidade da colocação de motores mais potentes. Não foi à toa que a linha de 40 pés da Real caiu no gosto dos compradores.

Saiba tudo sobre a Real 40 Cabriolet

Pontos altos

  • Excelente navegação e posição de pilotagem;
  • Cockpit bem-bolado;
  • Altura na cabine e pernoite para até seis pessoas;

Pontos baixos

  • Número de vigias de ventilação na cabine;
  • Revestimento termoacústico não envolve as laterais da casa de máquinas;
  • Taques de combustível não conectados.

Características técnicas

  • Comprimento: 12,31 metros;
  • Comprimento na linha d’água: 9,89 metros;
  • Boca: 3,30 metros;
  • Ângulo V na popa: 19 graus;
  • Capacidade (dia): 16 pessoas;
  • Capacidade (noite): 6 pessoas;
  • Altura na cabine: 2,20 metros;
  • Tanque de água: 400 litros;
  • Tanques de combustível: 700 litros;
  • Peso com motores: 10.700 kg;
  • Motorização: centro-rabeta;
  • Potência: 2 x 270 a 400 hp;

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