Moradores de ilha ameaçada de sumir do mapa poderão fugir para Austrália

Com 11 mil habitantes, a pequena Tuvalu, no Pacífico, pode ficar submersa em até 80 anos; entenda

20/11/2023
Foto: Timeless Tuvalu/ Divulgação

Uma das nações mais vulneráveis do mundo, Tuvalu recebeu uma importante ajuda ao acertar um acordo histórico com a Austrália. Ameaçada de “sumir” do mapa, a ilha recorreu ao país dos cangurus, que, a partir de agora, oferecerá residência às pessoas afetadas em uma eventual inundação que leve o território para dentro do mar.

O acordo também mantém os dois países em estreitos laços de segurança, já que a Austrália também se comprometeu a gastar 16 milhões de dólares australianos (R$ 50 milhões, em conversão realizada em novembro de 2023) para reforçar a costa de Tuvalu e recuperar terras perdidas.

Foto: UNDP/ ONU/ Reprodução

Assim, Kausea Natano e Anthony Albanese, os primeiros-ministros dos dois países, assinaram o tratado que ajuda os 11 mil moradores da ilha de Tuvalu a enfrentar as alterações climáticas e a procurar por refúgio caso o país fique debaixo d’água — ou se acontecer qualquer outra mudança significativa por conta do clima.

Porém, para não acontecer uma “fuga de cérebros”, o acordo inclui “caminho de mobilidade especial” e uma categoria de visto para 280 cidadãos tuvaluanos por ano, que terão residência permanente, direito de viver, trabalhar e estudar na Austrália, além de serviços de acesso.

Perigo iminente

O receio de que Tuvalu fique abaixo das águas é uma preocupação bem válida. Afinal, duas das noves ilhas de coral do país já desapareceram em grande parte sob as ondas. Por isso, os cientistas climáticos temem que todo o arquipélago se torne inabitável em torno de 80 anos.

É por isso que estamos ajudando na adaptação, mas também vamos proporcionar a segurança que estas garantias representam para o povo de Tuvalu, que quer preservar a sua cultura e também a sua própria nação no futuro– Anthony Albanese, primeiro-ministro da Austrália

Sendo assim, o novo tratado afirma que a Austrália agirá de acordo com os pedidos do seu parceiro em grandes desastres naturais, pandemias e “agressões militares contra Tuvalu”. Em contrapartida, a ilha será obrigada a “acordar mutuamente” sobre questões de segurança e defesa.

Foto: Timeless Tuvalu/ Divulgação

Albanese disse que a nova união entendeu os “desafios especiais e únicos” enfrentados por Tuvalu, devido às alterações climáticas enfrentadas pela ilha — que inclui o seu afastamento geográfico e os escassos recursos naturais.

Mais do que vizinhos

Reconhecida como União Falepili — uma palavra tuvaluana que se refere à boa vizinhança, cuidado e respeito mútuo — , a relação entre Austrália e Tuvalu também abrange outros acordos e parceria entre os dois países.

Foto: UNDP/ ONU/ Reprodução

Por exemplo: os militares australianos podem ter acesso e presença em Tuvalu caso necessário, para prestar a assistência solicitada pelo país. Além disso, o acordo ajuda a compensar as críticas do Pacífico sobre as emissões australianas, visto que o país está cooperando com uma causa ambiental.

 

E, obviamente, o acordo histórico também tem seu lado geopolítico. O pacto provavelmente será visto como uma vitória estratégica para a Austrália, que compete com a China pela consolidação de influência na região do Pacífico — justamente onde está Tuvalu.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Que tal jantar a 5 metros de profundidade? Conheça o restaurante onde é possível

    Under, na comuna de Lindesnes, na Noruega, oferece alta gastronomia sob as águas do Mar do Norte em uma estrutura impressionante

    NX Boats inaugura Concept Store em Maringá com lanchas à pronta entrega

    Quase toda a linha do estaleiro preencheu o novo e estratégico espaço da empresa em sua inauguração, nesta quinta-feira (12)

    Ross Mariner lançará o maior barco de sua história no Rio Boat Show 2026

    Estaleiro levará 6 lanchas ao salão náutico, com direito a 3 lançamentos exclusivos. Evento acontece na Marina da Glória, de 11 a 19 de abril

    Futuro verde: como os interiores dos barcos podem contribuir para uma navegação sustentável

    Do couro de cogumelo ao bambu, materiais ecológicos aplicados na parte interna das embarcações também contribuem para emissões zero

    Quase 25 metros de altura: brasileira pode quebrar recorde mundial no surf de ondas gigantes

    Em Nazaré, durante etapa da WSL Wave Challenge, Michelle des Bouillons encarou uma onda do tamanho de um prédio de sete andares