Por que apenas 20% do oceano foi explorado até agora? Entenda as dificuldades do fundo do mar

Mesmo que ocupe 70% do Planeta Terra, fatores como custo e pressão no fundo do mar dificultam as descobertas

25/01/2024
Foto: NOAA Ocean Exploration, Windows to the Deep 2019/ Divulgação

Você já ouviu falar que “sabemos mais do espaço do que do oceano”? Esta frase faz sentido e ressalta o quão difícil é explorar o fundo do mar, visto que conhecemos apenas 1/4 do que cobre 70% do planeta Terra. Mas afinal, por que é tão difícil mapear sua totalidade?

Primeiramente, é preciso saber a imensidão que isso representa. Responsável por cobrir boa parte da Terra — só o Pacífico ocupa 45% — ,  o mar pode chegar a níveis de profundidades completamente inacessíveis para o ser humano — aí começa o primeiro problema de mapear o oceano.

A profundidade média dos oceanos é maior que 3,6 quilômetros. Para se ter ideia, o nível de 100 metros — onde começa a síndrome de descompressão — já pode ser mortal aos humanos. É claro que há registro de pessoas que desceram bem mais que isso, como James Cameron, diretor do filme Titanic.

 

A nível de curiosidade, o ponto mais profundo conhecido pelo homem é a Fossa das Marianas, com mais de 10,9 quilômetros — maior até mesmo que o Monte Everest. Caracterizada por depressões longas e estreitas, o ponto mais profundo também fica nela, o Challenger Deep, com quase 11 km.

Ainda é pouco

Com o passar do tempo, foi possível analisar as características dos oceanos de acordo com a profundidade, além de descobrir algumas espécies que precisam de uma certa altitude para viver.

 

A tecnologia trouxe ainda drones submersíveis (ou ROV, sigla em inglês para “veículo aquático operado remotamente”), que permitem aos pesquisadores explorar as profundezas — mas esse uso ainda representa uma fração minúscula.

É neste momento que a frase sobre conhecermos mais o espaço do que o oceano se cumpre. Enquanto 12 astronautas passaram um total coletivo de 300 horas na superfície lunar, só três pessoas passaram cerca de três horas explorando o Challenger Deep, segundo o Woods Hole Ocenographic Institution.

Temos melhores mapas da Lua e de Marte do que do nosso próprio planeta- Gene Feldman, oceanógrafo emérito da NASA

Outros problemas de explorar o oceano

Suponhamos que, por algum milagre, você consiga resistir a toda pressão da profundidade do oceano e mergulhar até o fundo do mar. Ainda assim, teria uma série de problemas para enfrentar, como animais nem sequer descobertos pela ciência, água extremamente gelada e inexistência de luz.

Sem contar que a própria logística para se chegar até o fundo do oceano é um grande problema. Afinal, trata-se de um investimento de alto risco em todos sentidos, inclusive financeiro, que inclui o uso de submarinos especiais, profissionais e outras tecnologias nada baratas.

É possível explorar todo o oceano?

A missão é complexa e pode envolver derivadores oceânicos (boias que dependem das correntes oceânicas para carregá-los, enquanto coletam dados) e veículos — ocupados por humanos (HOVs) ou remotamente (ROVs).

Mas sim, é possível explorar todo o oceano — só demoraria cerca 200 anos! Pelo menos é isso que, em 2001, disse Walter Smith, geofísico da Agência Americana Oceânica (NOAA), numa hipótese na qual o mapeamento aconteceria com apenas um navio oceanográfico.

Com 40 embarcações, levaria 5 anos– Walter Smith

Na época, ele estimava que o custo dessa operação seria de aproximadamente US$ 3 bilhões de dólares. Vale ressaltar que a tecnologia evoluiu de lá para cá, o que poderia encurtar o tempo que levaríamos para explorar 100% o oceano.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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