Resorts ‘no meio do nada’ oferecem de natação com cavalos a plantio de recifes
Enquanto alguns resorts buscam atrair clientes com fartos cafés da manhã, piscinas a perder de vista e ambientes isolados, outros concentram seus esforços em oferecer atividades inusitadas — e até extravagantes, em alguns casos.
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A experiência, nesses locais, fica ainda mais singular pelo recorte de localização: praticamente no meio do nada, cercados por belas águas dos oceanos. Confira abaixo algumas dessas acomodações!
Cinco resorts isolados com passeios extravagantes
Soneva Jani, Maldivas
Com uma vasta gama de passeios que envolvem terra, água e astronomia, este resort permite que seus hóspedes vivam experiências únicas no ambiente isolado em que se localiza. Uma delas é plantar recifes de corais com o auxílio de um biólogo.


Após a experiência, o visitante recebe fotos a cada seis meses para acompanhar o progresso da colônia. É possível também ajudar a recolher lixo das praias.
Para chegar ao Soneva Jani, é necessário fazer parte do percurso de lancha ou hidroavião. Todas as vilas aquáticas estão a poucos metros da praia e possuem piscinas privativas, além de toboágua para uma imensa lagoa.
The Manta Resort, Tanzânia
Entrar em um quarto desse resort equivale a fazer um mergulho no oceano — com a diferença de que nenhuma roupa fica molhada no processo. Alocados em quartos subaquáticos, os hóspedes podem observar cardumes de peixes e outros animais passarem à distância de apenas algumas camadas de vidro.


Quem escolhe ficar no espaço submerso ainda tem à disposição outros dois andares — sendo o terraço focado para observação às estrelas. O estabelecimento também oferece aposentos à beira-mar e em meio a jardins.
Nihi Sumba Island, Indonésia
Entrar no mar com cavalos de raça é uma das experiências mais excêntricas desse resort, localizado na praia de Nihiwatu. Um dos pontos altos, segundo o estabelecimento, é flutuar nas costas dos animais quando os cascos deles deixam a areia firme.


Quem quiser algo mais comum, pode optar por esportes aquáticos, cruzeiros e receber aula de apneia. Outras inúmeras atividades aquáticas e terrestres — com recortes culturais, gastronômicos e para crianças — compõem a lista de adicionais do Nihi Sumba.
Fogo Island Inn, Canadá
Construído como palafita sobre uma enorme rocha, este local é digno de filmes com os cenários mais selvagens. Por lá, as opções de lazer são divididas conforme a estação: inverno com neve, verão quente, temporada de gelo, época de frutas e outras mais amenas.


Localizado no meio do nada, o resort isolado permite uma imersão por parte de seus visitantes, que podem se dedicar a construir barcos, explorar o “selvagem oceano Atlântico Norte”, pescar bacalhau, produzir cerâmicas ou participar de uma roda de histórias ao redor da fogueira.
O Fogo Island Inn conta com 29 quartos, todos com vista do chão ao teto para o mar.
Laucala Island, Fiji
Um dos resorts isolados mais caros do mundo, o endereço desse ultraluxuoso espaço é Laucala — uma das maiores ilhas privadas ao redor do globo. Cada uma das 25 instalações conta com piscina de borda infinita, belos jardins, banheira com vista para o mar e acesso direto à praia pelo quintal.


Dentre as experiências ofertadas, está passeio a cavalo pela orla, pesca em alto mar, esportes aquáticos, mergulho pelos recifes de corais e tour pelos jardins orgânicos e plantações que abastecem as cozinhas do local.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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