Cartão postal “profético” escrito no Titanic é vendido por mais de R$ 2 milhões

09/05/2025

Um cartão postal “profético”, escrito a bordo do Titanic, foi leiloado pela quantia milionária de 300 mil libras, aproximadamente R$ 2,2 milhões na conversão de maio de 2025. A casa de leilões responsável pela venda foi a Henry Aldridge and Son.

A mensagem foi escrita por Archibald Gracie, passageiro da primeira classe C51 e um dos sobreviventes do naufrágio. De acordo com a Henry Aldridge and Son, o cartão postal é datado de 10 de abril de 1912, em Southampton, mesmo dia em que o homem embarcou no navio.

Foto: Henry Aldridge & Son/Divulgação

Para seu tio-avô, que estava em Londres, Archibald Gracie comentou suas primeiras impressões sobre o Titanic — e deu uma leve alfinetada no navio, que viria a naufragar quatro dias depois.

É um belo navio, mas esperarei o fim da minha viagem antes de julgá-lo– escreveu Gracie no cartão-postal

Em seguida, ele relembra o navio Oceanic, com o qual havia cruzado o Oceano Atlântico no final do século 19, além de compará-lo com o Titanic.

Embora não tenha o estilo elaborado e o entretenimento variado deste grande navio, suas qualidades náuticas e a aparência de iate me fazem sentir falta dele– pontuou Gracie

Titanic partindo de Southampton em 10 de abril de 1912. Foto: Domínio Público

“Foi muita gentileza sua me dar esta gentil despedida, com os melhores votos de sucesso e felicidade, Archibald Gracie”, encerra a mensagem. Não à toa, a casa de leilão classifica a carta como “uma das melhores do gênero”.

Não foi escrito apenas por um dos mais importantes passageiros de primeira classe do Titanic, [mas] a carta em si contém o verso mais profético– Andrew Aldridge, leiloeiro do Henry Aldridge and Son

Bastidores do desastre

Na viagem, Gracie passou grande parte da viagem fazendo companhia a algumas mulheres desacompanhadas, como a escritora Helen Churchill Candee, de 52 anos, e as irmãs Lamson: Charlotte Appleton, Malvina Cornell e Caroline Brown. Todas também sobreviveram ao naufrágio.

Titanic atracado no porto de Southampton, na Inglaterra, em 9 de abril de 1912. Foto: Wikimedia Commons/ Creative Commons/ Domínio Público

No dia em que o Titanic se chocou contra o iceberg, Gracie percebeu que os motores não estavam mais se movendo e ficaram ligeiramente inclinados. Com isso, Archibald ajudou várias pessoas a embarcar em segurança nos botes salva-vidas e também buscou cobertores para as mulheres nos botes.


Junto ao amigo J. Clinch Smith, Gracie auxiliou o Segundo Oficial Charles Lightoller a carregar botes com mulheres e crianças. Porém, Archibald foi arrastado para a água quando o convés superior submergiu repentinamente, se salvando ao embarcar num bote virado.

 

Por lá, passou a noite à deriva, antes de ser resgatado pelo RMS Carpathia, o primeiro navio a responder ao pedido de socorro do Titanic. Já Smith desapareceu e seu corpo nunca foi encontrado.

A vida depois da tragédia

Assim que retornou a Nova York, Gracie começou a trabalhar em seu livro extremamente rico em detalhes sobre o naufrágio do Titanic. Porém, nunca se recuperou do desastre: diabético, sua saúde foi severamente afetada pela hipotermia e lesões sofridas.

Archibald Gracie. Foto: Domínio Público

Oito meses após o naufrágio, em 4 de dezembro de 1912, Archibald Gracie morreu por complicações da diabetes, antes que pudesse terminar as correções de seu livro, que viria a ser publicado em 1913 sob o título original The Truth about the Titanic (“A verdade sobre o Titanic”, em inglês).

 

Figura conhecida em Washington e Nova York, nos Estados Unidos, Archibald foi descendente do homem que construiu a Mansão Gracie, que foi residência oficial do prefeito de NY na virada do século 19.

 

113 anos depois, seu cartão postal escrito a bordo do navio foi leiloado junto a outros itens relacionados à tragédia, como uma medalha de bronze nunca vendida, concedida a um marinheiro a bordo do Carpathia e arrematada por aproximadamente R$ 150 mil; e o violino utilizado no filme Titanic, vendido por cerca de R$ 412 mil.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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