Gigante: “peixe fantasma” considerado extinto desde 2005 reaparece no Camboja

Espécie endêmica do Rio Mekong pode medir até 1,3 metros e pesar 30 kg; há menos que 30 delas registradas desde 1991

06/11/2024
Foto: University of Nevada/ Divulgação

O mega peixe conhecido como “fantasma do Mekong” renasceu — na verdade, nunca esteve totalmente morto. Considerada extinta desde 2005, a carpa-salmão-gigante (Aaptosyax grypus) foi avistada mais de uma vez no Camboja, e reacendeu a esperança pela sobrevivência da espécie.

Após quase duas décadas sem registros, o “mega peixe-fantasma” voltou a ser avistado — e na falta de um, logo três foram registrados de 2020 a 2023. As capturas dos espécimes adultos ocorreram no rio abaixo da área de distribuição histórica da espécie, mas ainda no vital Rio Mekong, no Sudeste Asiático.

Rio Mekong. Foto: Creative Commons/ Reprodução

Como era de se imaginar, estes recentes avistamentos animaram os cientistas. Novas ocorrências oferecem uma oportunidade para desenvolver um planejamento de conservação do ecossistema, aproveitando novas técnicas de DNA ambiental para identificar habitats prioritários para proteção.

 

Publicada no periódico Biological Conservation, a pesquisa enfatiza a necessidade de medidas inovadoras para proteger o Rio Mekong, denominado como uma “superestrada de peixes”, que abriga alguns dos maiores peixes de água doce da Terra — como uma arraia gigante que pesa 300 quilos!

Inclusive, estima-se que das mais de 1.100 espécies de peixes no Mekong, cerca de 25% não são encontradas em nenhum outro canto do planeta. Além disso, este rio sustenta a maior pesca interior do mundo, responsável por sustentar pelo menos 40 milhões de pessoas.

O ecossistema do Mekong é o rio mais produtivo da Terra, produzindo mais de dois milhões de toneladas de peixes por ano, no valor de mais de US$ 10 bilhões– Bunyeth Chan, pesquisador-chefe da Universidade Svay Rieng, no Camboja

Ainda resta esperança

O mega peixe fantasma — e outras espécies de Mekong — enfrentam outras ameaças além da sobrepesca, como a degradação do ecossistema, por exemplo. Porém, se serve como esperança, a descoberta desses três espécimes sugere que esta carpa ainda tem um ponto de apoio nessa região.

Intenso comércio de pesca no Rio Mekong. Foto: Mekong Wonders/ Divulgação

Entretanto, seu futuro continua precário e incerto. Atualmente, este peixe — que é nativo do Mekong — tem menos de 30 indivíduos registrados desde a sua identificação formal, em 1991. Logo, sem uma ação coordenada, tais carpas podem, agora de vez, entrar em extinção.

Os números de Aaptosyax são muito baixos, e não sabemos quantas populações permanecem, ou se elas estão conectadas– Zeb Hogan, coautor do estudo e diretor do programa Wonders of the Mekong

Pelo lado positivo, as três capturas recentes ocorreram na zona de distribuição central da espécie, no Rio Sesan, no Camboja, e na Província de Stung Treng, no Menkong. Logo, os cientistas cogitam que o alcance geográfico deste mega peixe fantasma pode ser mais extenso do que se acreditava.

Foto: Mekong Wonders/ Divulgação

Para que a dúvida se torne certeza, os pesquisadores defendem uma análise de DNA ambiental. Este método permite que os cientistas detectem a presença das espécies por meio de material genético em amostras de água — uma maneira menos invasiva e perturbadora de rastrear a distribuição do animal.

 

Também não está descartado uma ação com o envolvimento da comunidade local — inclusive, este é o desejo dos cientistas. Assim, pode-se reunir mais informações críticas sobre o habitat e o comportamento da carpa.

Os pescadores locais possuem conhecimento ecológico inestimável e podem ser essenciais na identificação de habitats importantes e no estabelecimento de zonas de conservação– Sébastien Brosse, um dos coautores do estudo

Uma raridade viva

Como dito anteriormente, o mega peixe fantasma é um animal endêmico e criticamente ameaçado da bacia do Rio Mekong. A espécie pode medir até 1,3 metros e chegar a 30 quilos, o que lhe coloca na família dos “megafish” — peixes de água doce que excedem 30 quilos.

Foto: Creative Commons/ Reprodução

Além disso, o animal possui uma protuberância notável na ponta da sua mandíbula inferior — que lembra até um gancho — e uma mancha amarela amedrontadora ao redor dos olhos. Atualmente, o Aaptosyax grypus está listado como criticamente ameaçado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Joinville (SC) inaugura novo píer flutuante e potencializa estruturas para turismo náutico

    Lançado neste domingo (2), no bairro Espinheiros, atracadouro conta com estruturas flutuantes para receber embarcações de até 100 pés de comprimento

    Morre Carlo Borlenghi, fotógrafo que ajudou a contar a história da vela mundial

    Italiano acompanhou a America’s Cup desde 1983 e construiu um dos acervos mais importantes da fotografia náutica internacional

    Apoio à vela: Schaefer Yachts renova parceria com Bruno Fontes e patrocina instituto que treina novos atletas

    Contratos foram firmados ao final de julho. Estaleiro de luxo começou a apostar na vela em 2023, com o primeiro patrocínio ao velejador olímpico

    Saiba como avistar baleias no Farol da Barra, em Salvador, a partir de R$ 10

    Ponto Fixo de Observação do Projeto Baleia Jubarte fica no Museu Náutico da Bahia, ponto privilegiado de onde cerca de 1,4 mil baleias foram vistas em 2025

    Mude transforma orlas brasileiras em polos gratuitos de esporte e bem-estar

    Com projetos em cidades como Rio de Janeiro, Fortaleza e Florianópolis, iniciativa leva aulas, academias ao ar livre e experiências gratuitas para espaços públicos à beira-mar