Surfista escapa de morte por afogamento graças a recurso do Apple Watch
Australiano viveu momentos de pânico ao não conseguir retornar para a praia, mas foi resgatado após acionar função de emergência do relógio


Não é novidade que o Apple Watch tem várias funções, mas nem todos sabem que salvar vidas pode ser uma delas. Na Austrália, um homem de 49 anos se livrou de um afogamento eminente ao usar um recurso do relógio, que o permitiu acionar a emergência e obter ajuda antes que fosse tarde demais.
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O caso aconteceu na praia de Tallow, onde Rick Shearman praticava bodysurf — modalidade que dispensa o uso de prancha, sendo necessário movimentar apenas o corpo para pegar ondas.


Ele estava a cerca de um quilômetro da costa quando, ao tentar retornar para a praia, ficou preso na zona em que as ondas quebravam.
Levei algumas pancadas fortes na cabeça e fiquei debaixo d’água por um tempo. Comecei a entrar em pânico e a ter cãibras– Rick Shearman ao portal australiano ABC News
Surfista e nadador experiente, Rick sabia que de nada adiantava lutar contra o oceano. Ele, então, deixou que a correnteza o levasse e tentou manter a calma, já que sabia que não conseguiria se livrar do perigo sem ajuda.
Embora sua namorada estivesse na praia, o australiano acreditava que ela já havia saído para fazer compras. Ou seja, ninguém estaria procurando por ele. Foi aí que se lembrou do acessório em seu pulso.
Como o Apple Watch salvou a vida de Rick
Enquanto lutava contra as ondas, o surfista acionou a função de emergência do relógio e ligou para o 000, número que, na Austrália, serve para acionar polícia, bombeiros e ambulâncias.
As condições do mar, no entanto, não facilitaram a tarefa de Rick, “sacudido pelo vento e pelas grandes ondas” e distante da costa.
Foi bastante difícil utilizar [o relógio]. Eu tinha que segurá-lo próximo ao ouvido para ouvir o que estava acontecendo e falar com o atendente– Rick Shearman
Ele permaneceu na linha ao longo de uma hora, até que o socorro veio a seu encontro por meio de um helicóptero da Westpac Lifesaver Queensland. A equipe de resgate recebeu o pedido de ajuda por volta das 10h. Veja abaixo:
Após ser içado pela aeronave, Rick foi levado a um lugar seguro e recebeu atendimento médico. Apesar do susto, ele passa bem. “É incrível que eu tenha conseguido usar essa tecnologia para salvar minha vida”, comentou. “Se não fosse por esse serviço no relógio, eu provavelmente estaria vagando por águas internacionais agora”.
O Apple Watch tem certificação à prova d’água em profundidades de até 50 metros desde a linha Series 2 — sendo que alguns modelos mais robustos garantem o funcionamento em profundidades ainda maiores.
Ainda que tenha chamado a atenção, esta está longe de ser a primeira vez que o Apple Watch ajuda a salvar uma vida. Diversas pessoas relataram, no passado, terem sido socorridas graças à função de emergência do dispositivo.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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