Não é todo dia que vemos um revolucionário barco movido a hidrogênio, como o exposto na COP30. Com uma tecnologia totalmente limpa de emissões, o JAQ H1 tem atraído autoridades e especialistas ambientais, como é o caso de Thomaz Toledo, biólogo e presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que veio conhecer de perto a tecnologia do barco-escola.
Responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, a CETESB fiscaliza o que pode gerar contaminação no estado de São Paulo. Em Belém (PA), Toledo marcou presença no encontro climático para acompanhar as alternativas sustentáveis no transporte.
JAQ H1 é apresentado para Thomaz Toledo. Foto: Marco Nascimento/ Revista Náutica
“No Estado de São Paulo, o principal emissor de gás de efeito estufa é o transporte, diferente de outras realidades do nosso país”, pontou o chefe da agência estatal. Segundo ele, SP tem investido bastante em opções de descarbonização — como a utilização do biometano — em diversas rotas de hidrogênio.
O presidente da CETESB citou como exemplo a estação de hidrogênio na Universidade de São Paulo (USP), um projeto piloto que oferece abastecimento com biometano em automóveis dentro da Cidade Universitária.
Descarbonização do transporte é um ponto de interesse do nosso estado– destacou Toledo à NÁUTICA
Thomaz Toledo e sua equipe da CETESB a bordo do JAQ H1 na COP30. Foto: Marco Nascimento/ Revista Náutica
A bordo do JAQ H1, Toledo disse estar interessado em tecnologias sustentáveis e em “tudo que vai no sentido de reduzir a nossa pegada sobre o meio ambiente.”
[O objetivo é] melhorar a convivência e o desenvolvimento das atividades, para que a gente tenha atividades econômicas, mas também tenha preservação do nosso planeta– pontou Thomaz
Sobre a iniciativa do JAQ H1, ele não poupou elogios. Com 36 metros de comprimento, o primeiro barco-escola do mundo movido 100% a hidrogênio será dedicado à promover educação ambiental e estudos dos biomas marinhos e fluviais.
Maquete do JAQ H2. Foto: Marco Nascimento/ Revista Náutica
É uma revolução realmente que a gente tem aqui
O biólogo, que já frequentou outros eventos de pauta ambiental ao redor do mundo, destacou a evolução da tecnologia usada na embarcação a hidrogênio. “É uma grande surpresa como isso evoluiu num tempo muito curto”, confessou.
JAQ H1 é apresentado para Thomaz Toledo. Foto: Marco Nascimento/ Revista Náutica
Eu estive há dois anos na COP de Dubai e a gente não teve contato com essa tecnologia que já está aqui– relembrou
“Não é um modelo reduzido, não é só um PowerPoint. Nós podemos visitar a embarcação e conhecer toda a adaptação que existe para que ela possa ser útil”, ressaltou Toledo sobre a exposição do JAQ H1 na COP30. Não à toa, o presidente da CETESB já considera o barco-escola um grande parceiro nos desafios da descarbonização.
Estamos juntos na mesma missão de salvar o planeta– declarou
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O JAQ H1 tem chamado atenção e sido visitado por diversas autoridades do Brasil e do mundo na COP30, que movimenta a cidade de Belém, no Pará, até 21 de novembro. Nesta quarta-feira (12) o Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), conheceu o barcopioneiro 100% movido e alimentado por hidrogênio verde e destacou a importância da iniciativa.
Poder visitar a embarcação que já está usando o hidrogênio como fonte de combustível é uma esperança que a gente tem para o transporte pelo mar-declarou Casagrande
Em entrevista à Revista Náutica, o chefe do executivo capixaba se mostrou contente por poder apresentar na conferência o trabalho que o Espírito Santo tem feito na área de transição energética e de adaptação às mudanças climáticas.
Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica
Além disso, Renato preside o Consórcio Brasil Verde, uma iniciativa de governos estaduais para fortalecer a governança climática e ambiental. Também por isso ele disse ter sido importante estar na COP30 para ver, na prática, como a transição energética é possível em um modal de transporte utilizado no mundo todo.
A gente vê que as empresas estão se unindo para poder apresentar e discutir alternativas para a descarbonização desse modal [náutico]-destacou o governador
Na mesma linha de interações e ligações entre empresas em busca de soluções para o meio ambiente, Renato Casagrande aproveitou para elogiar Ernani Paciornik pelo Projeto JAQ. A iniciativa trouxe o JAQ H1 em 2025, primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, e promete lançar o JAQ H2 em 2027, que promete ser totalmente autossificiente, sendo alimentado apenas pela águaem que navega.
Veja mais fotos de Renato Casagrande na COP30:
Foto: Geovani Pantoja / Revista NáuticaFoto: Geovani Pantoja / Revista NáuticaFoto: Geovani Pantoja / Revista Náutica
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Entre painéis simultâneos e agendas lotadas durante a COP30, o JAQ Hidrogênio foi o destino de autoridades e empresários nesta quarta-feira (12), em Belém (PA). O governador do Piauí, Rafael Fonteles, foi um dos que conheceu de perto a embarcação 100% movida a hidrogênio verde.
Em entrevista à Náutica, Fonteles destacou que a iniciativa “é muito positiva, pois materializa um debate de anos e mostra que projetos desse tipo podem ganhar escala”.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Com 36 metros, hotelaria pronta para H₂V e um plano de evolução que prevê propulsão híbrida em 2026 — e produção de hidrogênio a bordo na etapa seguinte —, o JAQ H1 é tido como um avançado laboratório flutuante, uma vez que deve atuar como barco-escola, promovendo a educação ambiental e o estudo dos biomas marinhos e fluviais brasileiros.
A iniciativa é muito positiva, pois materializa um debate de anos e mostra que projetos desse tipo podem ganhar escala. Fica claro que é viável substituir combustíveis fósseis por alternativas de baixo carbono na navegação– destacou Rafael Fonteles
Também durante a COP30, o governador Rafael Fonteles apresentou o Plano Estadual de Ação Climática do Piauí, que define as diretrizes para que o estado alcance a neutralidade de carbono até 2050 e se torne referência em resiliência climática e transição energética limpa.
O documento define objetivos, medidas e formas de gestão voltadas à reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e lidar com os efeitos do aquecimento global, priorizando a justiça socioambiental e o desenvolvimento sustentável. Entre as principais metas estão:
Redução de 100% das emissões de gases de efeito estufa até 2050;
Ampliação da coleta e tratamento de esgoto para toda a população;
Restauração de 80% das áreas degradadas;
Eliminação do desmatamento ilegal;
Expansão do uso de energias renováveis, como solar e eólica;
Fortalecimento da bioeconomia e da agricultura de baixo carbono.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O JAQ H1, primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, segue despertando o interesse de autoridades na COP30, em Belém, no Pará. Nesta terça-feira (12), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), esteve a bordo da embarcaçãoe destacou o projeto como um exemplo concreto da transição energética no planeta.
A gente fica muito feliz de ver aqui uma aplicação direta do hidrogênio como instrumento para propulsão e para a parte de hotelaria do barco. É uma grande oportunidade para todos nós, para o planeta, para a humanidade em termos de transição, mas também uma oportunidade econômica-afirmou o governador à Revista Náutica
A visita reforçou a importância da inovação náutica brasileira diante da busca global por soluções sustentáveis. No JAQ H1, o hidrogênio será a principal fonte tanto para mover o barco quanto para alimentar seus sistemas internos — um modelo que pode inspirar o futuro da mobilidade, seja no marou até em terra.
JAQ H1 na COP30. Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
Apesar de não haver relação institucional entre o projeto e o estado gaúcho, Eduardo Leite ressaltou que o exemplo do JAQ H1 está em sintonia com a política energética do Rio Grande do Sul.
A questão da transição energética é fundamental dentro do propósito de reduzir emissões, e são duas frentes que o Rio Grande do Sul está trabalhando: a de mitigação e a de adaptação climática, depois das enchentes que tivemos no ano passado-afirmou
Segundo o governador, o estado tem atuado de forma “muito ambiciosa” na produção de hidrogênio verde, aproveitando a matriz renovável já consolidada — com energia eólica, hidrelétrica e solar — e a forte demanda da indústria e da agricultura por fertilizantes.
Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
O chefe do executivo gaúcho disse que o RS busca diversificar outras bases de combustíveis sustentáveis para além do hidrogênio. Ele conta que com a liderança na produção de biodiesel no país, o estado tem avançado nas produções de etanol a partir do milho e que também tem aproveitado fontes como biodigestores, biogás e biometano.
A soma dessas iniciativas reforça o compromisso do Rio Grande do Sul em se tornar referência na produção de combustíveis de base sustentávelno país — um movimento que, como o JAQ H1 demonstra, já começa a ganhar força também no mar.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O debate global sobre a transição energética encontrou na COP30 um palco estratégico para anunciar projetos de embarcações movidas a hidrogênio verde. O JAQ H1, inaugurado na véspera do evento, e o BotoH2, lançado nesta quarta-feira (12), carregam tecnologias desenvolvidas pela Itaipu Parquetec. À NÁUTICA, o diretor superintendente da empresa de tecnologia, Irineu Mario Colombo, falou sobre essa revolução nos barcos.
Enquanto o barco-escola JAQ H1 é parcialmente alimentado a hidrogênio, o barco-conceito BotoH2 é totalmente movido pela tecnologia limpa. Para Irineu, as embarcaçõesrepresentam uma “vitória tremenda”, fruto de uma jornada de desenvolvimento tecnológico importante não apenas para os investidores do projeto, mas para o meio ambiente a nível global.
Estamos dando a nossa contribuição para o planeta […] e a contribuição é gigantesca-disse Colombo
Irineu Mario Colombo, diretor superintendente da Itaipu Parquetec. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica
A parceria entre o Projeto JAQ e a Itaipu Parquetec surgiu em conversas entre Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, com a própria empresa de tecnologia. Dali veio o JAQ H1, primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, e virá o JAQ H2, em 2027, com a promessa de ser 100% autossuficiente, utilizando apenas o hidrogênio extraído da própria água como combustível para navegar.
JAQ H1 na COP30. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Já o barco-conceito da Itaipu, o BotoH2, foi apresentado ainda em outubro, em evento fechado, e lançado estrategicamente durante a COP30. Com menor porte que o JAQ H1, a embarcação já consegue navegarutilizando apenas hidrogênio. Irineu conta que a tecnologia não apenas elimina a poluição, como inverte o processo ambiental da navegação tradicional.
Boto H2. Foto: William Brisida / Itaipu Binacional
Quem hoje navega soltando gás carbônico pelo diesel ou gasolina, com hidrogênio vai soltar água puríssima — na própria água. Veja que maravilha-destacou
Além do benefício ambiental, a navegação com esse sistema é muito silenciosa. A mudança é considerada disruptiva, pois permite que a embarcação navegue com pouco barulho de motor, deixando de contaminar a águae beneficiando, inclusive, a parte de hotelaria, por não gerar ruídos.
Como hidrogênio verde vira combustível?
Irineu Mario Colombo, além de diretor superintendente da Itaipu Parquetec, é professor. Em entrevista à NÁUTICA, ele explicou como a tecnologia que transforma água em combustível funciona no BotoH2.
Primeiro o hidrogênio é gerado através de uma eletrólise alimentada por energia solar (que vem do sol), que quebra a molécula de água (H2O).
Esse hidrogênio é enviado para cilindros a bordo da embarcação, onde o gás hidrogênio é transformado em energia elétrica, a partir da separação próton/elétron
A energia elétrica alimenta tanto o motor quanto uma bateria, que serve para garantir a estabilidade energética dos sistemas do BotoH2.
No barco, o sistema se comporta como uma “espécie de usina produtora de energia elétrica”, utilizando o sol, a bateria e, sobretudo, o hidrogênio.
Motor do barco é alimentado por um sistema desenvolvido inteiramente pelo Itaipu Parquetec que utiliza gás hidrogênio armazenado em cilindros. Foto: Revista Náutica
Embora agora mais fácil de explicar, Irineu relembra que o processo de desenvolvimento de novas tecnologias não foi, não é e nem será fácil. O caminho envolve tempo, altos custos, divergências técnicas e tecnológicas, e opiniões diferentes — o que não deixa de ser “absolutamente natural”. Não à toa, o início da pesquisasobre hidrogênio verde começou na empresa há 11 anos e os primeiros resultados foram apresentados agora, no contexto da COP30, em 2025.
Hidrogênio verde e missões sociais
Enquanto o JAQ H1 é o primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, com objetivo de contribuir de forma sustentável para a pesquisa no Brasil, o BotoH2 terá uma missão social específica na Amazônia.
Maquete do JAQ H1. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica
A solução foi encomendada pela Itaipu Nacional para que os catadores e coletores de resíduos recicláveis de Belém pudessem se deslocar entre ilhas, de forma que busquem e levem recicláveis para a unidade de valorização que a própria Itaipu está patrocinando.
Brasil líder na indústria náutica sustentável
Irineu relembra que o Brasil é “cheio d’água e com muito sol”, o que o torna ideal para a produção de hidrogênio verde. O cenário posiciona esse viés tecnológico como um ativo estratégico para ser trabalhado no país, seja no continente ou embarcado.
Maquete do JAQ H2. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica
Colombo não tem dúvidas de que a solução do hidrogênio verde “chegou para ficar” na indústria náutica. “As empresas que trabalham poluindo vão ter que pensar em começar lentamente mexer na sua frota de colocar as soluções do hidrogênio”, afirma.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O JAQ H1, primeiro barco-escola do mundo movido 100% a hidrogênio, está no centro das atenções da COP30. Lançado pelo Grupo Náutica, a embarcação de 36 metros já recebeu diversas autoridades durante o evento, mas prepara uma novidade para todos: uma visitação gratuita aberta ao público!
Neste fim de semana de exposição (15 e 16 de novembro), o JAQ H1 estará aberto para visitação das 13h às 19h. O navio se encontra ancorado na Estação das Docas, em Belém (PA) e, para embarcar, será necessário retirar sua pulseira no balcão de credenciamento.
JAQ H1 em Belém(PA). Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica.
Tido como um avançado “laboratório flutuante”, o JAQ H1 será dedicado à promover educação ambiental e estudos dos biomas marinhos e fluviais, tornando-se o primeiro barco de explorações e pesquisas do mundo movido a hidrogênio verde — tudo isso com o equivalente a uma área de cerca de 400 m².
A embarcação marca a primeira fase do projeto JAQ Hidrogênio, que foi lançado com as suas operações (hotelaria) utilizando o poder da molécula. Porém, durante a COP30, por uma questão logística, o navio funcionará com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono, mantendo a proposta de navegação limpa e sustentável.
JAQ H1 na COP30. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, é o idealizador do projeto do JAQ H1, que contou ainda com a expertise científica da Itaipu Parquetec, a potência industrial da GWM, a relevância de ações sustentáveis e de consumo da Heineken e do Café Orfeu, a excelência em design brasileiro da Artefacto e a engenharia da MAN para dar forma ao JAQ.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Nos holofotes do mundo, o JAQ H1 segue atraindo autoridades de diversos setores do Brasil na COP30. O primeiro barco-escola do planeta movido 100% a hidrogênio recebeu a visita de Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que elogiou a iniciativa ecológica da embarcação e reforçou a importância de um futuro sustentável.
Entusiasta do debate ambiental — sobretudo da crise do meio ambiente — , Dantas compareceu a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas para acompanhar o que está sendo feito em Belém (PA). O ministro esteve acompanhado do presidente Lula na abertura do evento e acompanhou os projetos expostos.
Bruno Dantas, ministro do TCU. Foto: Geovani Pantoja/ Revista Náutica
Achei formidável a ideia de trazer a COP para o Brasil, e mais especificamente para a Amazônia– destacou Dantas à NÁUTICA
Acompanhado da comitiva de Rui Costa, ministro da Casa Civil, o magistrado conheceu todos os detalhes do “laboratório flutuante”, que terá como missão colaborar em pesquisas científicas, promover a educação ambiental e o desenvolvimento comunitário nos biomas.
Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União. Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
Lançado pelo Grupo Náutica, a embarcação de 36 metros está na COP30, por questões de logística, operando com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono e que mantém a proposta de navegação limpa e sustentável.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Para o ministro do TCU, o JAQ H1 representa uma “evolução muito grande” no quesito sustentabilidade em relação aos últimos anos e coloca o Brasil no epicentro global do combate à crise climática.
Acredito que o Brasil pode ser um protagonista nessa cena: da discussão de sustentabilidade– opinou
Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
Dantas pontua que, um país com as potencialidades do Brasil “não pode ficar alijado” desse debate. “Foi uma experiência riquíssima e volto para Brasília para compartilhar com meus colegas do TCU tudo que eu vi por aqui”, declarou o ministro.
Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, é o principal nome por trás do projeto do JAQ H1, que contou ainda com a expertise científica da Itaipu Parquetec, a potência industrial da GWM, a relevância de ações sustentáveis e de consumo da Heineken e do Café Orfeu, a excelência em design brasileiro da Artefacto e a engenharia da MAN para dar forma ao JAQ.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Quem acompanha a Construção do Veleiro Bravura no Canal Náutica do YouTube tem visto o barco tomando cada vez mais forma. Apesar de tanto já feito, Angelo Guedes ainda tem uma série de desafios para finamente velejar. O 15º episódio da saga, que vai ao ar às 20h desta quarta-feira (12), é marcado por importantes avanços na finalização estrutural, pela chegada do motor Yanmar e pela mudança de local da embarcação.
A esse ponto, Angelo se assemelha a um maratonista que, após completar a maior parte da corrida (construção do casco), recebe novos equipamentos(motor, guincho), mas precisa parar no pit stop (a “nova oficina”) para um último ajuste (acabamentos, hidráulica e elétrica) antes do sprint final rumo à linha de chegada (o tão esperado lançamento na água).
Veleiro Bravura no local da “nova oficina”. Foto: Revista Náutica
Um dos pontos altos do novo episódio foi o preenchimento, pintura e instalação da quilha — que pesa mais que uma tonelada (ou 1.150 kg “de pura emoção”) — em um processo que foi remodulado e usou guincho elétrico ao invés de catracas manuais e pistões hidráulicos. Embora trabalhoso, o resultado deu certo e ainda custou cerca de 20% a menos do que o valor esperado por Angelo.
Quilha foi pintada e instalada no 15º episódio da série. Foto: Revista Náutica
A quilha foi encaixada e alinhada unicamente por Angelo, que utilizou o guincho e alavancas em um processo de muitos “vai e vem”. O equipamento, no entanto, foi mantido recolhido por segurança, afinal, seu uso acontecerá, de fato, apenas quando o veleirojá tiver navegado o Rio Paraná e for para o mar.
Foto: Revista Náutica
O novo episódio também mostra a chegada e o início da preparação do motorYanmar 3JH40. O equipamento foi levado a um torneiro mecânico para algumas adaptações na flange e na junta homocinética para garantir que o eixo do hélice fique bem firme e adequado uma vez que o motor for instalado.
Motor Yanmar. Foto: Revista Náutica
Além disso, capítulo mostra a chegada de outros equipamentos, como a âncora, o guincho da âncora, bombas de porão, uma bomba pressurizada para água doce, o fogão e a cuba dupla para a cozinha. O episódio ainda mostra avanços — e alguns desafios — que aconteceram no interior do Bravura.
Entre os avanços, estão o revestimento de algumas estruturas com isopor e placas de ACM branco fosco, o início da montagem de alguns cômodos e as últimas soldas da embarcação. Já o desafio na verdade foi um erro de um fornecedor, que enviou uma das chapas de ACM em cor errada, o que mudou um pouco dos planos de Angelo, mas não interrompeu o processo.
Veleiro Bravura foi içado por guincho para ser colocado e retirado de carreta, entre a antiga e a nova oficina. Foto: Revista Náutica
O 15º episódio da saga mostra a remoção do Veleiro Bravura até o local da “nova oficina”. A logística de transporte revelou momentos de medo e tensão, mas foi concluída com sucesso. Com um guindaste, o barco foi içado para uma carreta e estacionado em um local em Porto Rico, às margens do Rio Paraná, que se tornou a nova oficina de Angelo.
Foto: Revista Náutica
O episódio também acompanha o início dos estudos do construtor para tirar a carteira de Mestre Amador. Afinal, a documentação do Bravura vinha sendo feita para mar aberto, tornando necessária habilitação compatível — ainda que o objetivo de Angelo seja navegarinicialmente no Rio Paraná.
Foto: Revista Náutica
Agora cada vez mais próximo da chegada, o maratonista se mostra bastante empolgado para ver o barco pronto. Assista!
Impulsionado pela Yanmar
Não que Angelo Guedes precisasse de um incentivo ainda maior para realizar o seu sonho. Mas, com o apoio da fabricante de motores Yanmar, tudo ficou mais fácil — pelo menos no quesito motorização.
3JH40. Foto: Yanmar/ Divulgação
O equipamento que será o “coração” do Veleiro Bravura é o Yanmar 3JH40, tido como o menor motor marítimo diesel common rail interno do mundo em termos de deslocamento, dimensões e peso.
Com 3 cilindros, o motor oferece uma potência de 40mhp, que, segundo a marca, permitirá que novos proprietários de barcos de lazer menores se beneficiem, pela primeira vez, das vantagens de eficiência e desempenho, por conta da tecnologia de injeção de combustível CR gerenciada eletronicamente.
3JH40. Foto: Yanmar/ Divulgação
De acordo com a Yanmar, a tecnologia common rail do 3JH40 oferece consumo mínimo de combustível e níveis de ruído e emissão excepcionalmente baixos, que resultam numa operação praticamente sem fumaça e odor.
O 3JH40 de quatro tempos refrigerado a água é a solução ideal para novas construções e aplicações de repotenciação, especialmente para pequenos barcos a motor, saveiros, embarcações comerciais leves e veleiros monocasco — como é o caso do Bravura.
Acompanhe tudo no Canal Náutica do YouTube!
Para não perder nenhum episódio dessa épica jornada, inscreva-se no Canal da Náutica no YouTube e ative o sininho. Assim, você sempre será notificado quando um vídeo estrear — não só da “Construção do Veleiro Bravura”, mas também de outras produções NÁUTICA.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Como um bom barco-escola, o JAQ H1 não poderia deixar de receber alunos — e eles visitaram a embarcação100% movida a hidrogênio verde em grande estilo. Em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Pará, o Instituto Mondó levou alunos da rede pública para inaugurar o auditório do barco, que funcionará como um laboratório flutuante para pesquisa científica.
O encontro, que aconteceu nesta terça-feira (11), durante a COP30, proporcionou aos jovens a oportunidade de conhecer de perto a tecnologia pioneira, junto a um painel sobre educação ambiental e mudanças climáticas.
Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
Eu diria que é o momento mais emocionante da gente, por estar recebendo alunos das redes estadual e municipal aqui– destacou Cila Schulman, CEO do JAQ Hidrogênio
Cila Schulman, CEO do JAQ Hidrogênio. Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
O Instituto Mondó tem como propósito promover o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural em regiões vulneráveis, especialmente na Amazônia.
Julia Jungmann, diretora de Relações Internacionais da instituição, destacou que “esses jovens, em suas escolas, já estão pensando em soluções verdes”, mas, a partir da iniciativa, eles puderam “ver na prática como é uma solução que causa impacto na vida das pessoas”.
Julia Jungmann, diretora de Relações Internacionais do Instituto Mondó. Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
Na ocasião, os alunos apresentaram projetos que garantiram, inclusive, medalha de ouro olímpica de eficiência energética, além de trabalhos como a criação de uma placa de controle térmico usando o caroço de açaí.
Joana Acácio, aluna e medalhista de ouro na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética. Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica. Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
Esse barco tem o futuro brilhante porque navega pelas águas usando o hidrogênio, uma energia que não causa danos à natureza– Joana Acácio, medalhista de ouro na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética
O JAQ H1 simboliza uma nova era de navegação, limpa e responsável. Apresentado pela primeira vez na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a embarcação é resultado de uma visão de cinco décadas de Ernani Paciornik, presidente do Grupo NÁUTICA.
Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, também falou com os alunos durante o encontro. Foto: Marco Nascimento / Revista Náutica
Com 36 metros, o barco foi concebido como um avançado “laboratório flutuante”, que tem como missão atuar como uma plataforma de pesquisa e educação ambiental nos biomas brasileiros.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Para Schulman, a visita dos alunos ao projeto é bastante simbólica, uma vez que marca o encontro da geração da transição energética com a geração que, de fato, vai parar de poluir.
É a geração do futuro, a geração que de fato vai parar de poluir. Nós estamos fazendo a transição energética. Eu espero que no mundo dessas crianças a gente já tenha superado essas questões ambientais– ressaltou
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Um marco na navegação sustentável, o JAQ H1, exposto na COP30, recebeu a presença de Marjorie Kauffmann, Secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul, que prestigiou a embarcação em Belém (PA). O primeiro barco-escola do mundo movido 100% a hidrogênio encantou a chefe da pasta, que sonha em levar a tecnologia da embarcação para as águas gaúchas.
Em entrevista à NÁUTICA, Kauffmann destacou a versatilidade do navio, que foi lançado com as suas operações (hotelaria) utilizando o poder da molécula. Durante a COP30, por uma questão logística, o barco está funcionando com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono, que mantém a proposta de navegação limpa e sustentável.
Marjorie Kauffmann durante visita no JAQ H1. Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
No evento, a comitiva do Rio Grande do Sul pôde conhecer todos os detalhes da embarcação. A delegação já esteve presente em outros momentos do projeto, como na visita específica que ocorreu na China, ainda durante a fase de planejamento. “Isso mostra o quanto que nós estamos conectados”, apontou a Secretária.
Tido como uma plataforma da descarbonização, do conhecimento e da ciência, o “laboratório flutuante” de 36 metros de comprimento navegará em águas gaúchas para difundir a navegação limpa e sustentável.
Marjorie Kauffmann ao centro, rodeada pelos parceiros do JAQ H1. Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
Queremos essa tecnologia e com certeza vamos usar o barco para poder dividir isso com o público em geral– enfatizou Kauffmann
A missão do navio será atuar como uma plataforma de pesquisa e educação ambiental nos biomas brasileiros. Para a Secretária, um desafio no Rio Grande do Sul será a popularização do hidrogênio verde — mas nada melhor que um barco-escola para ensinar uma navegação ecológica.
Marjorie Kauffmann na COP30. Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
Ser um barco-escola é fundamental para que a gente possa evoluir como sociedade e colocar esse combustível, esse energético, de uma vez por todas para dentro da cadeia– afirmou Marjorie
Depois de ver com os seus próprios olhos o barco na COP30, Kauffmann parabenizou o Grupo Náutica pela iniciativa — e mais do que isso, pela conclusão.
Precisamos ver o que já está acontecendo. Ver que não é o futuro, é o presente– conclui
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Durante a COP30, Natália Resende, da Semil-SP, destacou o alinhamento entre o projeto movido a hidrogênio e as metas do estado para um futuro sustentável
O JAQ H1, primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, segue atraindo autoridades de diversos países durante a COP30, que acontece em Belém, no Pará, até o dia 21. Nesta segunda-feira (10), o projeto recebeu a visita da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil-SP), Natália Resende, que reconheceu na iniciativa uma sintonia com os esforços do governo paulista em direção a uma economia mais limpa e sustentável.
À NÁUTICA, Natália ressaltou que São Paulo vem estruturando uma política sólida de transição energética, com foco em fontes renováveis e tecnologias de baixo impacto ambiental. Segundo ela, o estado já alcançou 59% de participação de energias renováveis em sua matriz, um índice acima da média nacional e muito superior ao dos países da OCDE.
Natália Resende. Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
Essa conquista é resultado de uma estratégia de longo prazo. Resende lembrou que, em 2024, o governo paulista aprovou o primeiro plano subnacional de energia, com metas projetadas até 2050. O documento orienta ações para ampliar o uso de hidrogênio verde, biometano e biogás, além de estabelecer diretrizes para infraestrutura, regulação e incentivos à inovação.
Em resumo, a Semil-SP trabalha para que o Estado de São Paulo avance em escala, transformando resíduos e outras fontes limpas em geração de energia, emprego e renda. Por isso, inclusive, que laboratórios de pesquisa desenvolvidas pela USP e pelo IPT buscam identificar gargalos e soluções para o uso do hidrogênio em larga escala — um tema que conecta diretamente o estado paulista ao propósito do JAQ, idealizado por Ernani Paciornik.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Para Natália, a presença do barco-escola na COP30 é simbólica e representa o potencial da união entre governo e iniciativa privada na construção de um futuro mais sustentável. Não à toa, Natália reafirmou que o Estado de SP está aberto a parcerias que impulsionem a inovação ambiental.
Por fim, a secretária celebrou a notícia de que o JAQ H2 será produzido em São Paulo. Previsto para ser lançado em 2027, o barcocarrega a promessa de ser 100% autossuficiente, navegandocom tecnologias que reaproveitam o hidrogênio extraído da própria água do mar.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Os olhares do mundo estão voltados à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém, no Pará, até 21 de novembro. Por lá, um dos destaques é o JAQ H1, barco movido a hidrogênio verde, fruto de um projeto do Grupo NÁUTICA. O Ministro da Casa Civil, Rui Costa, visitou a embarcação e apontou a importância da iniciativa.
Em entrevista à NÁUTICA, o ministro destacou que a embarcação“promete revolucionar e contribuir muito com a transição energética” no país, uma vez que o Brasil detém, em suas palavras, “muitos rios e uma costa extraordinária”. “É um combustível que veio para ficar”, apontou.
Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
O país está na rota do desenvolvimento tecnológico. O desafio é ganhar escala, reduzir custos e ampliar o uso não apenas em embarcações de serviço, mas também em barcos voltados ao consumidor e à população– detalhou
Além de sustentável, o JAQ H1 deve atuar como um laboratório flutuante para pesquisa científica, educação ambiental e desenvolvimento comunitário nos biomas.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, é o principal nome por trás do projeto, que contou ainda com a expertise científica da Itaipu Parquetec, a potência industrial da GWM, a relevância de ações sustentáveis e de consumo da Heineken e do Café Orfeu, a excelência em design brasileiro da Artefacto e a engenharia da MAN para dar forma ao JAQ.
Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
Nesse sentido, Rui Costa destacou que empreendedores e pessoas com iniciativas inovadoras são fundamentais. “São eles que impulsionam as mudanças, e o Ernani tem contribuído muito para isso”, disse
À medida que experiências como essa se consolidam e ganham visibilidade, elas ajudam a impulsionar o desenvolvimento e espalhar essa tecnologia pelo Brasil– ressaltou
A Agenda das Nações, que estabelece 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas a serem alcançadas até 2030, também foi tema da entrevista.
Questionado sobre o projeto de lei do marco do hidrogênio — que deve regulamentar as leis do hidrogênio no Brasil —, Rui Costa destacou a intenção de assinar o decreto “já na virada do ano”.
Estamos avançando rapidamente para que, já na virada do ano, possamos começar a colher frutos — como este projeto e outros que estão em andamento– declarou
Segundo ele, dentro do programa de transição energética, o desenvolvimento de várias matrizes tem sido apoiado, como o hidrogênio, o etanol e o biometano. A ideia, conforme detalhou, é que o Brasilpossa usar essas tecnologias aproveitando suas plataformas já existentes.
Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
“Com o ganho de escala, será possível reduzir custos e adaptar o uso a diferentes finalidades. O hidrogênio verde, por exemplo, pode ser aplicado em embarcações, no transporte de cargas, no transporte de passageiros e até em ônibus. O biometano também tem um grande potencial de produção no Brasil. Essas tecnologias competem entre si, mas também compartilham avanços e desenvolvimento”, detalhou.
Atualmente, estamos focados no hidrogênio verde e na geração de energia limpa. O Brasil já ocupa uma posição de liderança mundial. Eu diria que é o país cuja energia consumida é uma das mais limpas do planeta– concluiu Rui Costa
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Quando se fala em natureza, mesmo quando já se espera uma surpresa, ela consegue se superar. Foi o que aconteceu com cientistas que buscavam vestígios do Endurance(o navio do explorador Ernest Shackleton, que naufragou em 1915) no Mar de Weddell, Antártica. Eles não encontraram nem rastros do navio, mas se depararam com um grande sinal de vida, disposto em milhares de ninhos circulares padronizados.
Com o auxílio de um robô subaquático, os pesquisadores puderam constatar que se tratava de uma grande colônia de peixes, situada sob uma antiga plataforma de gelo com 200 metros de espessura.
A colônia chamou atenção dos oceanógrafos pela organização, de modo a parecer uma espécie de “condomínio” subaquático de peixes notie-de-barbatana-amarela (Lindbergichthys nudifrons), conhecidos também como “peixes-rocha”.
O Lindbergichthys nudifrons. Foto: GeSHaFish / Wikimedia Commons / Reprodução
Isso porque os mais de mil ninhos possuíam formas circulares e estavam surpreendentemente limpos. Os pesquisadores ainda observaram que cada uma das “casas” dessa vizinhança parecia ser vigiada por um dos peixes — possivelmente o pai —, de modo a proteger os ovos.
Para eles, a organização reflete a estratégia de sobrevivência da espécie, que demonstra na prática a teoria do “rebanho egoísta”, em que indivíduos ao centro de um grupo ganham proteção, enquanto os que ocupam as bordas — geralmente maiores e mais fortes — defendem suas posições.
Vale destacar que a descoberta ocorreu durante a Expedição ao Mar de Weddell de 2019, organizada logo após o desprendimento do colossal iceberg A68, em 2017. Com cerca de 5.800 km², o bloco se separou da plataforma de gelo Larsen C, abrindo um corredor natural para pesquisa científica em áreas antes inacessíveis.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Neste domingo (9), o mundo pôde presenciar um lançamento que promete revolucionar a navegação global: o JAQ H1, o primeiro barco-escola movido 100% a hidrogênio e que estará exposto na COP30, que inicia hoje e vai até 21 de novembro. A apresentação do navio ocorreu na Estação das Docas, em Belém (PA), e contou com a ilustre participação de Celso Sabino, ministro do Turismo.
Prontamente, ele reconheceu a visão estratégica por trás da iniciativa, idealizada por Ernani Paciornik e que contou com diversas parceiras de nomes de peso, como o Itaipu Parquetec, GWM e Man. Em sua fala, destacou o apoio do Governo na trajetória do projeto JAQ e a sua grandiosidade, que alia educação ambiental e energia limpa.
Celso Sabino e Ernani Paciornik durante discurso. Foto: Geovani Pantoja/ Revista Naútica
Este é um projeto desenvolvido graças à visão do Ernani, e hoje está aqui para ser apresentado ao mundo, e preparado para operar com energia verde. Este é o turismo que queremos para o futuro, sustentável– endossou o ministro
Sabino confessou que, no começo, ficou um pouco cético com o projeto devido as dificuldades e o curto tempo de entrega: “era uma coisa grandiosa e envolviam muitos fatores”, admitiu. Porém, ele elogiou a resiliência, determinação e humildade das pessoas envolvidas no JAQ.
Thiago Sugahara, representante da GWM; Celso Sabino, Ministro do Turismo e Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
Eu sei o quanto foi difícil, mas hoje nós estamos marcando história, entregando o que muito provavelmente será o futuro da navegação no planeta– declarou o ministro
O futuro é hoje!
Durante seu discurso na Estação das Docas, Sabino ressaltou os tributos do JAQ H1, o primeiro passo para o JAQ H2, barco que terá 50 metros e será 100% autossuficiente, programado para ser lançado em 2027. “Não vai precisar parar em nenhum porto para abastecer o combustível para os motores ou para sua eletricidade” destacou.
Ernani Paciornik e Celso Sabino. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
O representante do turismo no Brasil apontou que a embarcação de 36 metros será um dos pilares mundiais para a transição energética e independência definitiva dos combustíveis fósseis. “Você traz para Belém — que nesta segunda-feira também passa a ser a capital do país e da COP30 — um pedacinho do que será o futuro”.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Para ele, o futuro do turismo passa por habitações que respeitem o tratamento necessário aos resíduos líquidos e sólidos, a utilização de energias renováveis e meios de transporte como o JAQ, que será uma das estrelas da COP30.
O futuro do turismo na Amazônia terá que ser feito com embarcações como essa– pontou
Autoridades e parceiros do projeto no barco JAQ H1. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
Motivo de orgulho nacional, a iniciativa teve apoio técnico dos cientistas brasileiros da Itaipu Parquetec, em parceira com outros especialistas de várias partes do mundo — mas o berço da ideia surgiu no Brasil. Segundo Celso, num futuro próximo, veremos barcos como esse navegando nos rios da Amazônia.
Veremos ribeirinhos andando de rabeta, de motor de popa, de embarcações pequenas movida a hidrogênio verde. Isso será o futuro!
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Por fim, Sabino agradeceu aos parceiros que colaboraram com o projeto. Além das empresas já citadas, o JAQ contou com a ajuda da Artefacto, Heineken e Café Orfeu.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O Brasil escreveu um novo capítulo na história da descarbonização marítima mundial neste domingo (9), com o lançamento do JAQ H1, o primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio. O eventoaconteceu em Belém (PA) e reuniu autoridades ligadas ao setor náutico e à transição energética — entre elas, João Campos, prefeito de Recife (PE).
Em seu discurso durante o coquetel de inauguração, Campos parabenizou Ernani Paciornik, idealizador do Projeto JAQ, destacando a importância da iniciativa para o futuro do transporte marítimo. O prefeito ressaltou que o JAQ H1 simboliza um avanço significativo na busca por novas formas de propulsão limpa, especialmente por partir de uma embarcaçãobrasileira.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Parabenizo a iniciativa de poder trabalhar uma nova forma de propulsão de um modal importante de transporte, e começando aqui pelo Brasil– afirmou o prefeito
Campos também reforçou o papel estratégico do Nordeste brasileiro na produção de hidrogênio limpo, lembrando que a região concentra hoje as maiores fontes de energia solar e eólica do país. “O Nordeste brasileiro é uma grande potência futura de geração de hidrogênio limpo e o Projeto JAQ teve a capacidade de levar isso [tecnologias sustentáveis] para modais de transporte”, destacou.
Autoridades presentes na inauguração do JAQ H1 Na imagem, Ernani aparece ao lado de João Campos. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
O político aproveitou a ocasião para convidar publicamente Ernani Paciornik a Recife, propondo futuras parcerias entre o município e o projeto.
Queria parabenizar Ernani pela iniciativa, lhe convidar para ir no Recife para a gente poder apresentar o que está sendo feito lá também e poder fazer parcerias que possam envolver a nossa cidade-afirmou João
João Campos convida Ernani Paciornik a Recife para falar de negócios. Foto: Jonhys Alves / Revista Náutica
O prefeito encerrou sua fala com otimismo, citando o crescimento do turismo internacional no Brasil. Ele acredita que 2025 seja marcado também por um novo recorde na categoria, superando, inclusive, períodos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no país. “Esse ano será o grande recorde”, cravou.
O momento de entusiasmo ocorreu às vésperas da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que neste ano será realizada em Belém, de 10 a 21 de novembro. O evento deve reunir delegações de quase 200 países e a cidade foi totalmente preparada para receber o público — inclusive com navios de cruzeiro transformados em hotéis flutuantes no Porto de Outeiro.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O futuro é hoje! Neste domingo (9), em Belém (PA), o Grupo Náutica apresentou na Estação das Docas, aos olhos do mundo o revolucionário JAQ H1, embarcação movida a hidrogênio verde que será uma das grandes estrelas da COP30, um dos encontros mais importantes do mundo e que reunirá diversas autoridades de quase 200 países em solo brasileiro de 10 a 21 de novembro. A inauguração do barco contou com a participação de Celso Sabino, Ministro do Turismo.
Durante a cerimônia de lançamento, Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e grande idealizador do projeto, não escondeu o orgulho da iniciativa, que carrega o lema “o barco que ensina, explora e transforma”. No seu discurso, ele mencionou suas décadas de dedicação às águas e destacou a importância da sustentabilidade marítima.
Ernani Paciornik e Celso Sabino, Ministro do Turismo. Foto: Geovani Pantoja/ Revista Naútica
Somos apenas visitantes e nossa pegada deve ser saudável, educativa, leve e limpa– discursou Paciornik
Ernani afirmou que o sonho por trás do projeto não era apenas construir um barco, mas sim construir a esperança de que o futuro da navegação seria “limpo, silencioso e, acima de tudo, brasileiro e com um propósito, educação”. O JAQ H1, presente em Belém, será a primeira embarcação de explorações e pesquisas do mundo movido a hidrogênio verde.
Ernani Paciornik discursando durante a cerimônia de inauguração do JAQ H1. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
Será um grande orgulho nacional e nosso embaixador da sustentabilidade. Aqui, em nossa Amazônia, se tornou o centro das discussões na COP– destacou o presidente do Grupo Náutica
“A minha vida foi dedicada às águas, à náutica, à vela, ao vento e a descobrir as belezas e os biomas brasileiros”, compartilhou Ernani durante a cerimônia do JAQ H1. “Queremos devolver a água o que ela nos deu”, completou.
JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista NáuticaJAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Conforme declarou Ernani, o JAQ Hidrogênio propaga conhecimento e educação. Depois desse JAQ H1, a iniciativa ainda englobará, em 2027, o JAQ H2, de 50 metros e 100% autossuficiente.
A solução é a água: o hidrogênio verde. Para o planeta, o futuro é sustentável. Para nós, o futuro é hoje e a transição energética também– disse Paciornik
Autoridades e parceiros do projeto no barco JAQ H1. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
A embarcação de 36 metros foi lançada com as suas operações (hotelaria) utilizando o poder da molécula. Porém, durante a COP30, por uma questão logística, o barco funcionará com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono, mantendo a proposta de navegação limpa e sustentável.
Celso Sabino, Ministro do Turismo, acompanhou a inauguração do barco revolucionário e enfatizou o momento histórico do lançamento, na véspera da abertura oficial da COP30. Ele declarou que o evento evento marca a história ao entregar “o que muito provavelmente será o futuro da navegação do planeta”.
Celso Sabino e Ernani Paciornik durante discurso. Foto: Geovani Pantoja/ Revista Naútica
Eu tenho certeza que meus filhos e os meus netos navegarão pelo rios da Amazônia em embarcações como essa, totalmente independente de combustíveis fósseis, respeitando o meio ambiente, sem emissão de gases e totalmente ecológico– afirmou Celso Sabino
“O futuro do turismo será feito com embarcações como essa e o futuro do turismo na Amazônia terá que ser feito com embarcações como essa”, pontuou o Ministro do Turismo, grande entusiasta do universo náutico.
JAQ H1 em Belém (PA). Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
Gravem esse dia de hoje, porque no futuro vocês vão se lembrar do que a gente começou e deu o pontapé inicial aqui– destacou
Um projeto de gigantes
Não faltaram agradecimentos por parte de Ernani. Na cerimônia de inauguração do JAQ H1, o amigo das águas deixou o seu “obrigado” à Marinha do Brasil e aos parceiros do projeto: Itaipu Parquetec, Great Wall Motor (GWM), MAN (fabricante global de motores por meio de motores de alta eficiência), Artefacto, Heineken e Café Orfeu.
Autoridades e parceiros do projeto no barco JAQ H1. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
É muito bom fazer parte desse momento. Uma realização de um projeto tão bonito que vai mudar na energia do mundo– declarou Alexandre Pimenta, Capitão de Mar e Guerra
“Além de trabalhar com a eletrificação dos automóveis, a gente entrou nessa parceria de pesquisa e desenvolvimento com a nossa divisão, a GWM Hydrogen, que começa a transferir tecnologia pensando em como auxiliar a descarbonização também da logística”, contou Thiago Sugahara, representante da GWM.
Thiago Sugahara, representante da GWM. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
Quem também marcou presença na inauguração do JAQ foi Adler Silveira, Secretário de Estado da Infraestrutura. Ele descreveu o projeto como uma “mudança de paradigma da transição energética” e destacou a transformação trazida pelo Grupo Náutica, que levará menos emissões de CO2 ao planeta.
Eduardo Colunna na COP30. Foto: Geovani Pantoja/ Revista Naútica
Eduardo Colunna, presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), ressaltou o poder de uma condução marítima sem emissões, como a trazida na COP30, e destacou o pioneirismo do Brasil em trazer um barco 100% movido a hidrogênio ao mundo.
Isso é uma tarefa que a gente tem que envolve o mundo todo, mas nasceu no Brasil e o Brasil vai mostrar pro mundo que é possível– ressaltou Colunna
Também estiveram na inauguração do JAQ Celso Sabino, Ministro do Turismo; Cilene Sabino, Secretaria Municipal do Turismo; João Campos, prefeito de Recife (PE); Izabelle Benedet, representante do Itapu Parquetec; Sebastião Oliveira, presidente da Federação do Comércio do Pará e Ricardo Barbosa, presidente da MAN dos Estados Unidos.
Autoridades presentes na inauguração do JAQ H1. Foto: Jonhys Alves/ Revista Náutica
Confira as fotos do evento de inauguração do JAQ H1
JAQ H1 na COP30. Foto: Foto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaJAQ H1 na COP30. Foto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaJAQ H1 na COP30. Foto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaJAQ H1 na COP30. Foto: Revista NáuticaFoto: Revista NáuticaFoto: Revista NáuticaFoto: Revista NáuticaCelso Sabino e Ernani Paciornik. Foto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista NaúticaErnani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e Cila Schulman, CEO do JAQ Hidrogênio Verde. Foto: Jonhys Alves/ Revista NáuticaFoto: Geovani Pantoja/ Revista Naútica
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Como a navegação pode evoluir de forma responsável com as águas? Essa é a pergunta que um brasileiro se fez nos últimos tempos, e que culminou em um projeto inovador: o JAQ H1. Trata-se de um tipo de “barco-laboratório” movido a hidrogênio verde, que simboliza uma nova era de navegação limpa e responsável. A embarcaçãoserá apresenta diante dos olhos do mundo na COP30, no domingo (9).
O marco tecnológico a ser apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) é resultado de uma visão de cinco décadas de Ernani Paciornik, presidente do Grupo NÁUTICA, e chega como a primera etapa do Projeto JAQ Hidrogênio.
Ernani Paciornik. Foto: Divulgação
Paciornik tem uma carreira marcada por soluções voltadas ao desenvolvimento do mercado náutico brasileiro, como a criação da Revista Náutica (líder do setor no Brasil) e os consolidados Boat Shows, os maiores eventos do setor na América Latina, além de inúmeras campanhas ambientais voltadas às águas.
Com essa novidade, vamos de encontro ao desejo da presidência brasileira da COP30 em fortalecer a Agenda de Ações com atitudes concretas– destacou Paciornik
O JAQ H1, um projeto 100% brasileiro
O JAQ H1 é tido como um dos anúncios mais aguardados da COP30. A embarcação de pesquisase explorações representa na prática a missão do Projeto JAQ Hidrogênio: criar barcos de grandes dimensões 100% movidos a hidrogênio.
Foto: Divulgação
Com 36 metros, o barco foi concebido como um avançado “laboratório flutuante”. Sua missão é atuar como uma plataforma de pesquisa e educação ambiental nos biomas brasileiros. No domingo, os olhos do mundo todo poderão ver o JAQ H1 com o sistema totalmente pronto para operar com hidrogênio verde,
Em razão da complexidade logística temporária, específica para o abastecimento de H2V em Belém no período da COP 30, a operação será 100% elétrica com baterias de lítio e “zero emissões”, mantendo o sistema H2V intacto e pronto para operação — suas operações internas (de iluminação a serviço de bordo) estarão em funcionamento com o hidrogênio.
O Brasil tem plenas condições para se destacar na área marítima, já que concentra, além de um potencial único pelas águas, e a riqueza de seus biomas, marcas e talentos para contribuir de fato com uma navegação mais limpa– ressaltou Paciornik
A apresentação na COP30 também revelará as próximas etapas do Projeto JAQ, que culminam com o desenvolvimento do JAQ H2, uma embarcação maior, de 50 metros, 100% autossuficiente.
O projeto “verde” reflete o compromisso histórico de Paciornik, que já na década de 1990 se uniu ao cartunista Ziraldo para criar a icônica campanha de conscientização “Só jogue na água o que o peixe pode comer”, além de ter participado da criação da SOS Mata Atlântica e ter incentivado outras campanhas voltadas à sustentabilidade. Ele, contudo, não está sozinho.
A apresentação do JAQ H1 em Belém e da continuidade das ações do projeto, representa um marco para o nosso país, graças à colaboração de um grupo de empresas visionárias e com alta capacidade para trazer inovação em tecnologia, arquitetura, performance e engenharia– pontuou Paciornik
O Projeto JAC é sustentado por um grupo de parceiros estratégicos, que vai da expertise em energia da Itaipu Parquetec e da força industrial da GWM (chinesa automotiva) à MAN, empresa alemã de motores, as quais mitigam os riscos que paralisaram outros projetos de hidrogênio verde globalmente.
Também se aliam ao consórcio marcas de renome em design como a Artefacto, Café Orfeu e a Heineken, que vem revolucionando a forma de fabricar produtos com a utilização de energia limpa.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Chegou o momento em que um dos projetos mais revolucionários do universo marítimo será apresentado aos holofotes mundiais. Neste domingo (9), às 17h, terá o lançamento do JAQ H1, barco movido 100% a hidrogênio e que vai ser exposto na COP30. O evento de escala global, que reúne autoridades de todo o planeta e quase 200 países em solo brasileiro, começa na segunda-feira (10) em Belém (PA).
Com o lema “o barco que ensina, explora e transforma”, o Grupo Náutica, liderado por Ernani Paciornik, em parceria com outros nomes de peso, atracará uma solução inovadora de 10 a 21 de novembro na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um dos encontros mais importantes do mundo.
JAQ H1. Foto: Divulgação
A embarcação de 36 metros marca a primeira fase do projeto JAQ Hidrogênio, que será lançado com as suas operações (hotelaria) utilizando o poder da molécula. Porém, durante a COP30, por uma questão logística, o navio funcionará com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono, mantendo a proposta de navegação limpa e sustentável.
Tido como um avançado laboratório flutuante, o JAQ H1 será dedicado à promover educação ambiental e estudos dos biomas marinhos e fluviais, tornando-se o primeiro barco de explorações e pesquisas do mundo movido a hidrogênio verde — tudo isso com o equivalente a uma área de cerca de 400 m².
Após apresentar a embarcação aos olhos do mundo na véspera da COP30 e destacar as suas funcionalidades internas operando com hidrogênio, a empresa vai anunciar as próximas fases que culminam com o desenvolvimento do JAQ H2, um barco ainda maior, de 50 metros e 100% autossuficiente.
O futuro é agora
O projeto “verde” que será levado à COP30 com suas operações internas — de iluminação a serviço de bordo — em funcionamento com o hidrogênio, é sustentado por um grupo de parceiros estratégicos, uma aliança que demonstra a capacidade de curadoria e de articulação de seu idealizador, Ernani Paciornik.
Ernani Paciornik. Foto: Divulgação
A parceria une gigantes: a expertise em energia da Itaipu Parquetec à força industrial da GWM (chinesa automotiva) e da MAN (alemã de motores), as quais mitigam os riscos que paralisaram outros projetos de hidrogênio verde globalmente.
Também se aliam ao consórcio marcas de renome em design como a Artefacto, Café Orfeu e a Heineken, que vem revolucionando a forma de fabricar produtos com a utilização de energia limpa.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
O projeto rumo a embarcações autossuficientes, de explorações e pesquisas científicas movidas a hidrogênio, a partir da água, terá uma representatividade de peso durante a 30ª Conferência das Nações Unidas. O barco de 36 metros, o JAQ H1, com toda a sua “hotelaria” tecnicamente preparada e testada para utilizar o hidrogênio, será lançado no dia 9 de novembro, véspera da abertura da COP30, a bordo.
Concebido como um avançado laboratório flutuante, o barco JAQ H1, um gigante com o equivalente a uma área de cerca de 400 m², será dedicado à promover educação ambiental e pesquisas dos biomas marinhos e fluviais.
JAQ HIdrogênio. Foto: Divulgação
Em razão da complexidade logística temporária, específica para o abastecimento de H2V em Belém no período da COP 30, a operação será 100% elétrica com baterias de lítio e “zero emissões”, mantendo o sistema H2V intacto e pronto para operação.
O sucesso da iniciativa, idealizada por Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, que atua no setor há mais de cinco décadas com soluções de impacto ao país e com participação em várias campanhas ambientais, traz outros nomes de peso ao projeto JAQ Hidrogênio.
Entre eles, o Itaipu Parquetec: parque tecnológico ligado à maior hidrelétrica do Brasil. Itaipu já é um centro de referência em pesquisa e desenvolvimento e garante que o hidrogênio utilizado no projeto seja produzido através de eletrólise alimentada por eletricidade de fontes renováveis.
Outro dos elementos disruptivos é a utilização da expertise industrial em tecnologia por meio da participação da Great Wall Motor (GWM). Também integra a parceria a alemã MAN, fabricante global de motores por meio de engenharia de alta eficiência.
JAQ HIdrogênio. Foto: Divulgação
Já as soluções de mobiliário e design na hotelaria dos barcos será apoiada pela Artefacto, referência em design de alto padrão brasileiro. Com campanhas ativas voltadas à sustentabilidade e energia solar utilizada na produção, a Heineken também integra o hall de parceiros no projeto, assim como o premiado Café Orfeu.
O roteiro para a autossuficiência
O projeto JAQ Hidrogênio está sendo implementado de forma faseada, uma estratégia do grupo para gerenciar o risco da adoção de um combustível totalmente novo.
Fase 1 (2025 – Apresentação na COP30): O primeiro barco, o JAQ H1 (de 36 metros), fará sua estréia formal na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, em Belém (PA). Nesta fase, a embarcação estará com o sistema tecnicamente pronto para operar a sua hotelaria – iluminação, ar-condicionado e serviços de bordo – com hidrogênio verde;
Fase 2 (abril de 2026): Durante o Rio Boat Show, em abril de 2026, no Rio de Janeiro, essa embarcação, a JAQ H1, será apresentada com a utilização de motores híbridos de alta eficiência (com tecnologia MAN), e deve reduzir as emissões de CO2 em até 80% durante a navegação;
Fase 3 (2027 – autossuficiência): O salto tecnológico ocorrerá em 2027 com o lançamento do barco JAQ H2, de 50 metros. Esta embarcação será capaz de produzir seu próprio hidrogênio a bordo. A tecnologia incluirá a extração da água do mar, dessalinização e, em seguida, o uso de um eletrolisador a bordo para quebrar a molécula. O hidrogênio gerado em ciclo fechado alimenta a célula de combustível, que, por sua vez, energiza os motores elétricos. A inovação confere uma autonomia operacional inédita e 100% livre de emissões.
Além disso, o Projeto JAQ assinou recentemente um Memorando de Entendimentos (MoU) com o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, que será a base de testes a partir de 2026. O acordo abrange estudos de viabilidade comercial, ambiental, financeira, jurídica e contábil.
Ao apresentar sua tecnologia de eletrólise a bordo na COP30, o Projeto JAQ posiciona o Brasil como um centro de soluções tecnológicas em navegação sustentável, capaz de gerar um modelo replicável ao mundo.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Há decisões que falam por si. O Canadáacaba de revogar o imposto que, desde 2022, incidia sobre barcos. A medida foi anunciada com pompa há três anos, vendida como forma de “taxar o luxo”. Mas o resultado foi exatamente o oposto do que se prometia: menos arrecadação, menos empregos e mais prejuízo para a indústria.
No papel, a ideia parecia simples: cobrar 20% sobre barcos acima de US$ 250 mil. Na prática, foi um desastre. O governo esperava arrecadar US$ 176 milhões por ano. Conseguiu apenas US$ 12 milhões, menos do que o próprio custo de administrar o imposto. E, enquanto o dinheiro não entrava, os empregos desapareciam. Encomendas foram suspensas e centenas de trabalhadores foram demitidos.
O próprio governo canadense reconheceu o erro. Em seu orçamento de 2025, admitiu que a medida “custou mais do que rendeu” e “afetou negativamente setores estratégicos da economia”. O tributo que nasceu para punir o luxoacabou punindo a produção, os empregos.
Um país que entende o valor da náutica navega melhor rumo ao desenvolvimento
O que aconteceu no Canadá não é uma coincidência. É um alerta — e, talvez, um espelho do que o Brasildeve evitar a qualquer custo. Tenho repetido há anos: taxar barcos não é taxar o luxo. É taxar empregos.
Quem nunca pisou num estaleiro talvez não entenda, mas cada barco fabricado envolve dezenas de mãos, de histórias, de famílias que vivem desse trabalho. São laminadores, marceneiros, eletricistas, projetistas, pintores. Gente que transforma fibra em sonhos flutuantes.
NÁUTICA visitou o estaleiro Fibrafort, em Itajaí (SC), que soma mais de 18 mil lanchas pelo mundo. Foto: Revista Náutica
Quando se cria um imposto sobre barcos, não é o comprador que sofre, mas toda essa cadeia de empregos. É a cidade costeira que depende do turismo náutico, é o comércio local que deixa de vender, é a indústria nacional que perde competitividade. A náutica não é luxo. É economia real!
O setor náutico brasileiro tem tudo para ser um motorda Economia do Mar — um conceito que envolve turismo, lazer, tecnologia e sustentabilidade. Mas para isso, precisa de estímulo, não de estigma. Nosso setor não é luxo. É uma cadeia produtiva ampla. Precisamos de políticas que incentivem, não que penalizem o desenvolvimento.
Enquanto alguns ainda enxergam um barco apenas como um símbolo de status, o mundo desenvolvido enxerga um setor estratégico, que gera renda, movimenta turismo e exporta inovação. O Canadá, ao reconhecer seu erro, entendeu isso.
Crescer com inteligência
Revogar o imposto foi, para o Canadá, mais do que uma medida econômica. Foi um ato de inteligência. Admitir que o erro custava caro — e ter coragem de corrigi-lo — exige visão de futuro.
O Brasil precisa dessa mesma coragem. Porque o que está em jogo é o trabalho de muitos. Mais de 120 mil pessoas que vivem da náutica. Cada barco que deixa de ser fabricado, vendido ou usado são muitos empregos que se perdem, uma renda que deixa de circular, uma família que vê a maré baixar.
A náutica é, e sempre será, um dos pilares mais poderosos da economia que nasce da água. Basta que saibamos, como fez o Canadá, navegar com bom senso, e não contra a maré.
Otto Aquino é jornalista e diretor de conteúdo da Revista Náutica. Há mais de 20 anos acompanha o mercado náutico brasileiro
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Imposto sobre barcos, aplicada desde 2022, “foi um desastre para o setor náutico canadense”, afirma associação. Agora, o país agora espera recuperar empregos e reaquecer a produção
O governo do Canadáanunciou, nesta semana, a revogação do imposto sobre bens de luxoque incidia sobre barcos, aeronaves e automóveis. Criado em 2021 e aplicado a partir de 2022, o tributo fazia parte da Select Luxury Items Tax Act (SLITA) e incidia sobre embarcações de lazer com valor superior a US$ 250 mil.
A promessa era aumentar a arrecadação tributando produtos de alto valor. O resultado foi o oposto: queda de empregos, retração na produção e arrecadação pífia.
Segundo a National Marine Manufacturers Association Canada (NMMA Canada), apenas 450 embarcações foram taxadas desde a entrada em vigor da lei, gerando US$ 12 milhões em arrecadação — valor muito abaixo da meta inicial de US$ 176 milhões e inferior ao próprio custo operacional do sistema de cobrança.
Foto: wirestock / Envato
Um estudo conduzido pela NMMA em parceria com a Universidade de Calgary já havia alertado que a medida poderia provocar perdas de até US$ 65 milhões em vendas e eliminar 896 empregos diretos no setor náutico canadense. A previsão se confirmou: diversos estaleiros reduziram turnos, suspenderam encomendas e demitiram funcionários.
“Essa é uma grande vitória para os setores de manufatura e náutico. O imposto destruiu empregos e não atingiu suas metas. Estamos felizes que o governo tenha ouvido as evidências e agido em favor das empresas e dos trabalhadores”, declarou Marie-France MacKinnon, diretora-executiva da NMMA Canada.
Imposto que arrecadou menos do que custava
Na prática, a alíquota era calculada como o menor valor entre 10% do preço total do barco ou 20% do valor que excedesse US$ 250 mil. Mas o governo percebeu que a matemática não fechava.
No orçamento federal de 2025, o Ministério das Finanças anunciou oficialmente a eliminação do imposto para barcos e aeronaves, reconhecendo que a política se mostrou “ineficiente, cara de administrar e prejudicial à indústria canadense em um momento de incerteza econômica”.
A revogação, segundo estimativas oficiais, representará uma renúncia fiscal de US$ 97 milhões entre 2025 e 2030 — mas, para o governo, o custo vale a pena, já que a medida deve estimular novamente a produção e os empregos.
A fabricante de aviões Bombardier, por exemplo, declarou à Reuters que pretende criar cerca de 600 novos postos de trabalho nos próximos anos, aproveitando o fim do imposto como sinal de confiança para investir no país.
Um alerta direto ao Brasil
Para Otto Aquino, diretor de conteúdo da Revista Náutica e um dos maiores especialistas em embarcações no Brasil, o caso canadense é um recado claro para quem ainda defende taxar barcos como símbolo de luxo.
A revogação desse imposto mostra, com dados concretos, que tributar barcos é um erro econômico. Isso derruba a produção, paralisa investimentos e destrói empregos que o país levou décadas para construir. É fundamental que o Brasil não repita o mesmo equívoco– afirma
Otto reforça que o impacto real não recai sobre quem compra o barco, mas sobre quem vive dele: “Taxar barcos é punir trabalhadores, não compradores. Na prática, o peso cai sobre estaleiros, fornecedores, marinheiros, vendedores — toda a cadeia produtiva que sustenta o setor náutico. É uma indústria que gera milhares de empregos qualificados, movimenta o turismo e estimula a inovação. Penalizá-la é punir o lazer, a tecnologia e a economia do mar.”
A voz da indústria brasileira
O presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (ACOBAR), Eduardo Colunna, também vê na decisão canadense uma lição valiosa para o Brasil.
Nosso setor não é luxo. É uma cadeia produtiva ampla. Precisamos de políticas que incentivem, não que penalizem o desenvolvimento– afirma Colunna
Segundo ele, a indústria náutica brasileira emprega mais de 120 mil trabalhadores e tem papel estratégico na chamada Economia do Mar, que integra turismo, serviços, tecnologia e exportação.
O exemplo a ser ouvido
Com mais de 75 mil empregos diretos e 4.800 empresas ligadas à indústria de lazer náutica, o Canadá entendeu que o setor não é um símbolo de luxo, mas um motorde desenvolvimento.
Ao revogar o imposto, o governo canadense corrige uma distorção e envia uma mensagem ao mundo: fortalecer a náutica é fortalecer o emprego, o turismo e a inovação. O Brasil, agora, tem a chance de aprender com esse exemplo — e escolher crescer com inteligência, e não com preconceito fiscal.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Sair da França e navegar num veleiro-catamarã de 60 pés até o Brasil já é uma aventura e tanto. Agora, realizar toda essa travessia em 25 dias e transformar uma embarcação em um ateliê flutuante é algo que só um artista fora da caixa pensaria. Esse é o projeto do francês Xavier Veilhan, 62 anos, que depois de desbravar os mares por quase um mês, desembarca em São Paulo com todas as suas esculturas feitas a bordo.
Essa ideia ousada estará materializada na galeria de arte Nara Roesler São Paulo, com abertura marcada para o dia 8 de novembro, às 11h. A exposição, batizada de “Xavier Veilhan – Do Vento”, levará todo o ativismo ambiental e os ecos da jornada em alto-mar do artista e sua equipe.
Xavier Veilhan a bordo do veleiro-catamarã. Foto: Cortesia Atelier Xavier Veilhan_Nara Roesler
Em São Paulo, Xavier Veilhan irá mesclar as obras produzidas durante a travessia transatlântica com partes de embuia (Ocotea porosa), madeira nativa de Florestas de Araucárias, ecossistema típico dos estados do Sul do Brasil, principalmente Paraná e Santa Catarina.
“Do Vento” incluirá ainda um vídeo realizado pelo artista durante a travessia transatlântica, “O Filme Fantástico” (“Le FilmFantastique”, 2025), gravado a bordo do Transatlantic Studio — nome dado ao barco nessa viagem — numa jornada sensorial que promete entregar comédia e horror.
“E se a gente fosse de barco?”
Comprometido com a defesa do meio ambiente, Veilhan tem empregado processos que minimizam os impactos ambientais em sua produção de materiais. Porém, dessa vez, ele decidiu expandir essa ideia para um outro nível, ao reduzir a emissão de poluente no transporte internacional de suas obras e levar seu ateliê para um veleiro-catamarã, movido pela energia dos ventos.
Foto: David Perreau/ Cortesia Atelier Xavier Veilhan_Nara Roesler
Em entrevista à NÁUTICA, Xavier, diretamente da Oficina São João — onde fazia os últimos ajustes de suas obras — , explicou como essa ideia saiu do papel. A partir de diferentes discussões com sua equipe — entre elas, as dificuldades de viajar para longe e realizar uma exposição de arte –, surgiu a proposta de iniciar uma jornada sem nenhum avião.
Entretanto, a ideia de usar uma embarcação como alternativa não veio de primeira. No começo, ele conta que foi difícil pensar em outro meio de transporte. Mas papo vai e papo vem, o artista optou pela opção mais ecológica. “Decidimos, contra lógica, tentar chegar em São Paulo por mar”, disse.
Foto: David Perreau/ Cortesia Atelier Xavier Veilhan_Nara Roesler
Antes de chegar a essa conclusão, Veilhan já se questionava sobre a dificuldade de enviar uma peça de arte de um país para outro, ou se era difícil construí-la no local, visto que parte do trabalho dele era bem grande. “Às vezes é economicamente viável, as vezes não é”, explica.
Além disso, as constantes viagens para as exposições de arte contemporânea traziam outro questionamento para Xavier: a repetição de rotina. Os mesmos rostos, os mesmos espaços e formatos que se repetem em diversas partes do mundo. “Você pode se perguntar, depois de algum tempo, se é realmente lógico fazer isso”, questiona.
É uma grande questão em relação a todos os hábitos que temos, a maneira como estamos viajando– indaga Veilhan
Xavier Veilhan a bordo do Transatlantic Studio. Foto: Atelier Xavier Veilhan/ Divulgação
Segundo o artista, essa dualidade inspirou seu novo projeto. A proposta não traz uma resposta definitiva, mas se apresenta como uma provocação, um exercício de imaginação: “E se, em vez de pegar um avião para a próxima exposição do outro lado do mundo, um artista decidisse ir de barco?”, indagou a ele mesmo.
É um projeto um pouco maluco, porque envolve muitas habilidades e apenas experimentar como é fazer a exposição sem nenhum avião envolvido– pontuou
Um artista em alto-mar
O universo náutico sempre esteve presente na vida de Veilhan. Desde criança, o futuro artista gostava muito de veículos pequenos e tinha no seu pai um construtor de barcos, daqueles bem simples, nada extraordinário. Era com esses barquinhos que sua família passeava, pescava e realizava pequenas viagens no litoral francês durante as férias.
Foto: Instagram @we_are_explorer/ Reprodução
Portanto, é uma relação diferente com um objeto quando você o usa, é como se você construísse sua própria bicicleta ou seu próprio carro– conta
Inclusive, este instinto construtor nascido na infância o acompanhou nessa travessia França-Brasil. A bordo, ele e sua equipe construíram uma serra de fita comum (ferramenta usada para cortar madeira ou outros materiais) e a transformou em um equipamento movido por pedal, semelhante a uma bicicleta.
Foi graças a recursos como esse que Xavier e seu time completaram com êxito a longa travessia. Partindo de Concarneau, na Bretanha, no dia 5 de outubro e chegando no Porto de Santos no dia 30 do mesmo mês, o longo trajeto foi desafiador, como descreve o artesão.
Catamarã Transatlantic Studio. Foto: We Explore/ Divulgação
A campanha a bordo do catamarã We Explore — modelo Outremer 5X, sustentável, construído com 50% fibra de linho — teve como companhia figuras como Roland Jourdain, bicampeão da regata transatlântica Routedu Rhum, no posto de capitão, além de Denis Juhel como vice-assistente.
Também acompanhado por Antonie Veilhan, seu filho e especializado em marcenaria, e Carmen Panfiloff, assistente de escultura e marcenaria, o artista enfrentou dificuldades óbvias para quem tenta produzir algo numa plataforma flutuante, como o enjoo e a falta de estabilidade.
Um catamarã é plano na água, mas a água em si não é plana– explicou
Xavier Veilhan e Roland Jourdain. Foto: Instagram @we_are_explorer/ Reprodução
O fato de tudo estar sendo feito a bordo fez com que com a equipe se antecipasse e trouxesse quase meia tonelada de compensado de madeira para a embarcação. “Você não apenas produz uma exposição — que já é algo complicado em terra — mas também tem que imaginar as diferentes condições, o vento, o movimento do barco e a combinação”, revelou à NÁUTICA.
Ele conta que, enquanto trabalhava no filme, cada vez que ele assistia às filmagens se sentia “completamente enjoado”.
Meu filme estava em movimento e tudo estava em movimento. [Foi um] pesadelo, de fato. Não é fácil. Mas não reclamo, porque eu estava procurando por esta situação– relembrou
Tripulação do Transatlantic Studio. Foto: Cortesia Atelier Xavier Veilhan_Nara Roesler
A expedição, além de artística, também terá um cunho científico. Esteve a bordo Matthias Colin, oceanógrafo, que coletou amostras de plâncton e monitorou o hidrofone, instrumento que permite a gravação de sons subaquáticos. Os dados recolhidos foram enviados via satélite para alimentar bases de dados científicas.
“Este é definitivamente uma forte conquista que fiz: entrar no barco por 25 dias para descer com a peça. É uma espécie de projeto mais antigo que eu gosto, que transformei não apenas em uma ideia, mas em uma situação real”, conta orgulhoso do resultado.
25 dias vivendo da arte
Dos 25 dias de aventura, 20 eles não viram nada além de água, sem terra alguma. Apesar de todo esse tempo, Veilhan sentiu que a viagem, liderada por Roland Jourdain, foi bem rápida e no tempo programado — principalmente para uma travessia que teve problemas técnicos e condições climáticas difíceis.
Da esquerda para a direita “Aure no1”, “L’Oiseau” e “Le Cavalier”. Foto: Atelier Xavier Veilhan/ Divulgação
Percebi que tudo estava planejado pelo capitão, e ele simplesmente não podia nos dizer, porque você nunca tem certeza no mar– lembrou
Segundo o artesão, o capitão escolheu as opções de trajeto que eram mais confortáveis para a tripulação, numa rota diagonal — do norte da França até a América do Sul. Inclusive, ele conta que a última terra avistada antes de atracar no Brasil foi ao passar nas imediações do Saara Ocidental. Fora isso, apenas mar aberto.
Por 20 dias não vimos terra nenhuma. O que faz você se sentir mais como um explorador do que um viajante
O que esperar da exposição em São Paulo?
A ideia de Xavier Veilhan é que a exposição na Nara Roesler São Paulo seja a primeira de um novo modelo de criação e transporte de obras pensado pelo artista, incorporando a sustentabilidade e o processo criativo de uma maneira mais enfática a sua poética.
Xavier na oficina produzindo suas esculturas. Foto: Cortesia Atelier Xavier Veilhan_Nara Roesler
Faz parte do trabalho como artista fazer seu sonho se tornar realidade. É um pouco clichê ao mesmo tempo, mas é verdade-declarou à NÁUTICA
“Trata-se do que chamamos, que é tudo o que é vivo. É sobre animais que estão perto de nós. É sobre uma tentativa de capturar a realidade deles em diferentes níveis de compreensão, porque quando você os vê, eles são uma combinação de diferentes maneiras de construir algo”, explicou sobre o que representa as esculturas que estarão em exposição.
Tripulação do Transatlantic Studio na chegada ao Porto de Santos. Foto: Atelier Xavier Veilhan/ Divulgação
De acordo com ele, quatro tipos de peças serão expostas na galeria Nara Roesler São Paulo: esculturas, pinturas em tela e parede e, por fim, o filme. Dessa forma, pretende-se, por meio de futuras parcerias dentro e fora da França, expandir esse formato, trazendo para ele novos arranjos, materiais e debates.
É uma maneira de representar um certo caótico. É muito forte, mas uma certa combinação de estados de realidade ao nosso redor– finalizou
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Um vídeo gravado há mais de quatro anos no Golfo da Tailândia voltou a chamar atenção nas redes sociais nesta semana. Nas imagens, uma baleia-de-Bryde (também conhecida como baleia-de-bridge ou Eden’s whale) exibe uma técnicade alimentação onde transforma o próprio corpo em uma armadilha para capturar cardumesinteiros de peixes.
O registro foi feito em 2021 pelo filmmaker britânico Bertie Gregory, durante as filmagens do episódio “Oceans”, da série A Perfect Planet, da BBC. O vídeo original — que voltou a viralizar após ser republicado no Instagram — mostra o momento em que a baleiasurge na superfície com a boca aberta, imóvel, parecendo um enorme funil vivo.
Foto: Bertie Gregory / Facebook / Reprodução
Essa é uma das estratégias conhecidas como “trap feeding” (ou “caça por armadilha”) no mundo animal. Segundo Gregory, o comportamentopode estar relacionado à poluiçãoe ao despejo de esgoto na região, que teriam tornado o Golfo da Tailândia um ambiente hipóxico — isto é, com pouco oxigênio dissolvido na água.
Nessas condições, os peixes tendem a se concentrar mais próximos da superfície, onde há maior disponibilidade de oxigênio. Aproveitando isso, a baleia fica posicionada com a boca aberta na linha d’água, à espera de que os cardumes sejam sugados naturalmente para dentro. Quando o banquetese acumula na cavidade bucal, ela simplesmente fecha a boca — e fim da caçada.
O que à primeira vista parece preguiça é, na verdade, pura estratégia. No post original, Gregory destacou que foi possível observar pequenos peixestentando escapar da armadilha — alguns, no pânico, pareceram até a saltar da água direto para a boca da baleia, segundo ele. Assista!
Ainda em 2021, as imagens já haviam chamado atenção. Não à toa, o post feito no início daquele ano ultrapassou 45 milhões de visualizações e soma quase 400 mil curtidas. Agora, com a recente viralização, a cena voltou a encantar a internet — não apenas pela curiosidadedo comportamento, mas também pela b49eleza das imagens que revelam, mais uma vez, a engenhosidade da vida marinha.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Com as rigorosas metas da IMO para a indústria naval, Brasil pode trazer uma nova solução ao transporte marítimo. Projeto JAQ H1 será revelado na véspera da COP30
Uma contagem regressiva foi iniciada em função de um mandato regulatório em discussão e que, quando formalizado, terá o poder de transformar a economia do transporte marítimo. As rigorosas metas de descarbonização da Organização Marítima Internacional (IMO) devem ser oficializadas ainda em 2026 e entrar em vigor a partir de 2028, exigindo cortes anuais na intensidade de carbono. Para uma indústria responsável por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, a mudança poderá ser uma obrigação — e uma oportunidade inédita para o Brasil, que já prepara sua resposta com o projeto JAQ H1, a ser revelado na véspera da COP30.
Com este mandato em vigor, uma diretriz ambiental se transforma em uma revolução financeira por conta das penalidades. Quando as normas forem confirmadas, naviosque não cumprirem as metas enfrentarão multas que podem chegar a US$ 380 por tonelada de CO2 emitida acima do limite permitido. Para a frota global, isso é um passivo estimado em mais de um trilhão de dólares, uma força que torna obsoletos os modelos de negócios baseados em combustível pesado e de baixo custo.
Navio JAQ H1. Foto: Divulgação
A questão que agora domina o setor é saber qual tecnologia vencerá a corrida para se tornar o destaque da nova frota global. Enquanto os gigantes internacionais testam soluções com metanol e amônia, uma resposta ousada e pragmática será lançada em Belém, no Pará, na véspera da COP30, dia 9 de novembro: o projeto JAQ Hidrogênio.
A iniciativa carrega a missão de produzir barcos autossuficientes movidos 100% a hidrogênio. Na véspera da COP30, será apresentado o JAQ H1, navio de 36 metros pronto para operar com sistemas internos movidos a hidrogênio verde. Em razão da complexidade logística temporária, específica para o abastecimento de H2V em Belém no período da COP 30, a operação será 100% elétrica com baterias de lítio e “zero emissões”, mantendo o sistema H2V intacto, pronto para operação e para ser apresentado ao público.
O projeto JAQ Hidrogênio é formado por um grupo de empresas de peso no setor náutico e idealizado pelo Grupo Náutica, coordenado de perto pelo presidente Ernani Paciornik, entusiasta que trabalha a mais de 50 anos em soluções de sucesso no setor.
Ernani uniu sua expertise com a potência em energia renovável da Itaipu Parquetec, a força industrial da chinesa GWM e a validação tecnológica de engenharia naval da alemã MAN no projeto. Além deles, outros nomes de peso apoiam e implementam iniciativas sustentáveis como Heineken, Café Orfeu e Artefacto. Juntos, formam um ecossistema projetado para a viabilidade.
O custo de produção do hidrogênio verde ainda é um obstáculo significativo. No entanto, o custo da tecnologia de eletrólise está em queda livre, com projeções indicando uma redução de até 70% na próxima década. Mais importante, o cálculo do ROI não pode mais ignorar o custo crescente da não conformidade com as regras da IMO que, apesar das formalizações finais terem sido adiadas, devem ter início da implantação por volta de 2028-explica Ernani Paciornik
Ernani Paciornik. Foto: Divulgação
O JAQ H1, atualmente em fase final de testes no estaleiro Inace, em Fortaleza, se prepara para sua premiere global. Projetado para ser um “laboratório flutuante” para pesquisas e educação ambiental, sua missão estratégica é provar a confiabilidade e a segurançada tecnologia de hidrogênio.
Além disso, Paciornik adianta que a COP30 também trará a confirmação das próximas fases do projeto e inclusive do barco JAQ H2, sucessor do pioneiro que será lançado em breve. A irmã caçula é uma embarcação de 50 metros com previsão de conclusão em 2027 e uma missão imponente: operar de forma 100% autossuficiente. “Para uma indústria que enfrenta a escassez de infraestrutura de abastecimento de hidrogênio, esta solução de transição será a resposta que o mercadoprocura”, completa o executivo.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Uma iniciativa que transforma o mar em horizonte de oportunidades marcou presença no Salvador Boat Show pelo segundo ano consecutivo. A Associação i9Vela, fundada por Juan Sobral, levou às águas da Baía de Todos-os-Santos uma amostra do trabalho que já alcançou 1.033 crianças e adolescentes de comunidades soteropolitanas. Durante o evento, o projeto promoveu clínicas de vela e passeios em veleiro, aproximando novos públicos do universo náutico.
Mais do que divulgar a iniciativa sem fins lucrativos, a presença da i9Vela teve um propósito ainda mais simbólico: abrir as janelas — ou velas — da inclusão. No último dia do salão, filhos de colaboradores da infraestrutura do evento — como equipes de montagem, apoio e serviços gerais — puderam embarcar em um veleiroe sentir, pela primeira vez, a experiência de navegar.
Foto: Gabriel Alencar / Revista Náutica
A proposta de desmistificar a vela e conectar a comunidade ao mar conversa com o espírito do próprio Boat Show, que busca tornar o mundo náutico mais acessível e próximo a diferentes públicos. Nessa mesma linha, o premiado Veleiro Marujo’s também ficou atracado na Bahia Marina, oferecendo passeios gratuitos aos visitantes durante todos os dias do evento.
A vela como porta de entrada
Em entrevista à NÁUTICA, Juan Sobral contou que seu primeiro contato com a vela, ainda jovem, foi o ponto de partida o sonho de democratizar o acesso ao marpara quem vive longe dele.
Juan Sobral, fundador da i9Vela. Foto: Gabriel Alencar / Revista Náutica
Foram mais de 15 anos amadurecendo a ideia até, há cerca de quatro, criar oficialmente a i9Vela. A associação une ensino teórico e prático, sempre voltada à formação de jovens e crianças em situação de vulnerabilidade, que vivem em comunidades em Salvador.
Hoje com uma frota de 14 barcos, o projeto segue firme na missão de transformar a relação da cidade com o mar. Um dos frutos dessa jornada é João Santos, aluno desde o início do projeto.
É gratificante velejar. Logo que conheci a vela me identifiquei e passei três anos no projeto sem faltar um dia de aula. É um projeto útil e que precisa continuar-contou o jovem
Estande da i9Vela esteve logo na entrada do Salvador Boat Show 2025, onde aconteceram algumas clínicas básicas de vela. Foto: Gabriel Alencar / Revista Náutica
A Odisseia: quando o mar visita a comunidade
Entre as ações mais inspiradoras da i9Vela está a Odisseia, uma atividade que leva o universo náutico a quem nunca o viveu. Uma vez por mês, a equipe da associação leva um veleiro para dentro de alguma comunidade de Salvador, transformando ruas e praças em salas de aula teórica sobre a náutica.
No sábado, as crianças têm aulas teóricas sobre marés, vento e o funcionamento de um veleiro. No domingo, colocam tudo em prática, repetindo na água o que aprenderam em terra firme-explicou Juan
Para muitos jovens, essa vivência é o primeiro contato com o universo náutico e, não à toa, permite despertar novos sonhos. Foi através da Odisseia que boa parte das 1.033 crianças conheceram o projeto. Para participar, basta morar em uma comunidade de Salvador e estar matriculado em escola pública.
Foto: Gabriel Alencar / Revista Náutica
A i9Vela já passou por 23 comunidades, sempre apoiada por trabalhos voluntários — inclusive de jovens formados pelo próprio projeto. Além das clínicas de vela, a associação oferece oficinas de manutenção de barcos e cursos profissionalizantes, abrindo novas possibilidades de futuro para quem, até então, via o mar sempre distante.
Mais do que ensinar a velejar, levamos o mar até a criança e a esperança ao mar-concluiu Juan
Foto: Gabriel Alencar / Revista Náutica
Mais sobre o Salvador Boat Show
Após uma estreia de sucesso em 2024, o Salvador Boat Show retornou consolidado como o maior salão náutico da Bahia. O evento aconteceu na icônica Baía de Todos-os-Santos, cercada pela cultura inconfundível de Salvador e com toda a comodidade da Bahia Marina.
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
O salão náutico ofereceu experiências desde test-drives de embarcações até atrações culturais. O evento movimentou o coração náutico do Nordeste reunindo público qualificado, novidades e oportunidades de negócios para o setor.
O Salvador Boat Show 2025 teve o Ministério do Turismo/Governo Federal como patrocinador do Turismo Náutico e patrocínio da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Especial do Mar (SEMAR) e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (SEMDEC).
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Após quase cinco décadas de uma atuação ímpar no setor náutico brasileiro, Ernani Paciornik está próximo de levar uma solução revolucionária, feita no Brasil, para o mundo. O JAQ H1, barco movido 100% a hidrogênio, será apresentado na COP30, em Belém (PA), no próximo domingo (9). Além de sustentável, a embarcação deve atuar como um laboratório flutuante para pesquisa científica, educação ambiental e desenvolvimento comunitário nos biomas.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima é um dos encontros mais importantes do mundo quando o assunto são ações globais de combate ao aquecimento do planeta. Neste ano, o encontro que reúne quase 200 países será celebrado em solo brasileiro. É neste cenário que o JAQ H1 passará a ser conhecido globalmente.
Foto: Divulgação
A embarcação de 36 metros representa a primeira fase do projeto JAQ Hidrogênio, que será lançado com as suas operações (hotelaria) utilizando o poder da molécula. Porém, durante o evento, por uma questão logística, a embarcação funcionará com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono, mantendo a proposta de navegação limpa e sustentável.
A iniciativa ainda englobará, em 2027, o JAQ H2, de 50 metros, 100% autossuficiente. As dimensões do projeto refletem um trabalho que começou há quase 50 anos de um jeito muito diferente: com um barco quebrado.
Após 5 décadas de paixão pelas águas, nasce um projeto que promete mudar o mundo
No final da década de 70, o empresário curitibano Ernani Paciornik planejava expandir a sua pequena gráfica e adquirir uma nova impressora. No entanto, em vez de retornar com o equipamento, voltou com um veleiro.
Mal sabia ele que a decisão marcaria o início de uma trajetória que, quase cinco décadas depois, culminaria na criação de um projeto inédito no mundo com o seguinte propósito: produzir grandes barcos de exploração autossuficientes, movidos a hidrogênio verde.
Ernani Paciornik, presidente de NÁUTICA e um dos grandes nomes por trás do setor no Brasil. Foto: Divulgação
A história de Ernani Paciornik é a de um homem cuja vida tem sido, desde o início, guiada por uma vontade interna que sempre apontou para a água. A sua relação por meio da vela, da navegação e de atividades como mergulho para desbravar culturas e os biomas brasileiros sempre o fascinou.
A compra do veleiro pode até ter vinda por impulso, mas, muito antes, sua história já apontava para as águas. Tanto é que, em 1967, ainda aos 13 anos, adquiriu um barco que mais quebrava do que navegava.
Acho que minha vontade de estar no mar nasceu da teimosia de fazer meu primeiro barco funcionar– relembrou
A teimosia se transformou em propósito. Antes de se tornar “o rei dos mares” — como ele, inclusive, não gosta de ser chamado, mas reconhece pelo papel que exerce e por ser referência no setor náutico —, Paciornik já demonstrava que a consciência ambiental era um tema relevante e indispensável.
No início de sua carreira, em 1981, começou a escrever uma coluna sobre ecologia em sua recém-lançada “Revista Mar”, que se transformou em Revista Náutica e, atualmente, é líder em comunicação especializada no setor.
Posteriormente, se envolveu em causas emblemáticas, como as campanhas pela limpeza e navegabilidade de um dos rios mais poluídos do país, o Tietê, e apoiou a fundação de movimentos de conservação como o SOS Mata Atlântica.
Em 1998, a partir de uma iniciativa de Paciornik, surgiu uma parceria de sucesso com o icônico cartunista Ziraldo (in memoriam). Juntos, criaram a campanha “Só jogue no mar o que o peixe pode comer”, distribuindo mais de 170 mil peças por ano em locais como Angra dos Reis.
Foto: Arquivo Revista Náutica (Não reproduzir sem autorização expressa de @revistanautica)
A ação gravou na consciência de uma geração a mensagem da preservação marinha através do traço inconfundível do criador do “Menino Maluquinho”.
Ziraldo vibrava com a campanha. Todo mundo gostava de ter o adesivo no barco– recordou Ernani sobre a aliança
Em paralelo, outros pilares do setor iam nascendo. Com a criação dos eventos Boat Shows, Paciornik fomentou o mercado e estabeleceu uma vitrine para toda uma indústria, conectando consumidores e fornecedores, fortalecendo a produção nacional e democratizando o acesso às águas — desafiando o paradigma de que a náutica é um universo restrito a poucos.
O São Paulo Boat Show é o maior salão náutico da América Latina. Foto: Victor Santos / Revista Náutica
Foi por meio de suas inúmeras jornadas de exploração aos biomas brasileiros e comunidades ribeirinhas, porém, que ele percebeu que barcos e compradores não bastavam.
Paciornik entendeu que era fundamental a acessibilidade para fomentar o turismo náutico. Assim, ele investiu na base ao trazer modernas tecnologias de infraestrutura náutica ao país e incentivar regiões a desenvolverem acessos a embarcações as quais são, em suas palavras, “o motor, o catalisador do mercado”.
Estrutura náutica Metalu em Presidente Epitácio. Foto: Metalu / Divulgação
Foi a confluência de todas essas jornadas — o explorador, o ativista, o visionário, o empreendedor, o comunicador e o apaixonado pelas águas e pelos biomas brasileiros — que o levou à sua busca mais recente.
Após décadas dedicadas a aproximar as pessoas das águas, a pergunta que o sondava era: como navegar de forma verdadeiramente consciente? A resposta começou a tomar forma em suas análises do mercado marítimo e ao observar, na região de Angra dos Reis, deslocamentos de embarcações para exploração em plataformas de petróleo.
Paciornik passou a pesquisar como usar embarcações para contribuir com o planeta e com economia, sem impactos negativos ao meio ambiente e, quem sabe, que pudesse utilizar a própria água como combustível: a chamada economia do mar.
Em 2020, ele decidiu adquirir uma dessas embarcações, utilizadas em plataformas de petróleo, para entender as suas particularidades técnicas. Quando pôde acompanhar uma comitiva de cientistas e tecnólogos internacionais que estudavam o uso do hidrogênio, a ideia, enfim, se materializou. Desenvolver embarcações movidas a hidrogênio verde virou sua nova missão de vida.
Paciornik orquestrou uma aliança com visionários, unindo a expertise científica da Itaipu Parquetec, a potência industrial da GWM, a relevância de ações sustentáveis e de consumo da Heineken e do Café Orfeu, a excelência em design brasileiro da Artefacto e a engenharia da MAN para dar forma ao JAQ Hidrogênio.
O projeto culminou na embarcação JAQ H1, de 36 metros, que será apresentada ao vivo para o mundo na COP30, em Belém.
Foto: Divulgação
A embarcação, projetada para ser um laboratório flutuante de pesquisa e educação nos biomas do Brasil, é a síntese da vida de Ernani Paciornik: a teimosia do jovem consertando o seu primeiro barco, a convicção do ativista lutando por rios limpos, a criatividade do comunicador e a visão do empreendedor que construiu um setor.
Sua bússola agora aponta para um horizonte onde a navegação coexiste com a natureza e a serve ativamente. Durante a COP30, haverá ainda o anúncio das fases do projeto JAQ Hidrogênio, que culminará em 2027 com o sucessor, o JAQ H2, de 50 metros, 100% autossuficiente e que produzirá seu próprio hidrogênio a partir da água salgada. Para Ernani, este é o início de um novo capítulo da história de amor e de respeito pelas águas.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Nem sangue, nem tinta, nem colorante artificial. O que deixou vermelha a águadas praias do Golfinho e de Cacimbinhas, em Pipa, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, foi um fenômeno conhecido como floração, em que microalgas ou cianobactérias se multiplicam aos montes.
Renata Panosso, professora do Departamento de Microbiologia e Parasitologia, da UFRN, falou sobre o assunto à Inter TV Cabugi. Segundo ela, o fenômeno ocorrido no último final de semana se dá quando as microalgas ou cianobactérias presentes naturalmente na água encontram condições favoráveis para sua multiplicação.
Elas acumulam milhões de células por litro de água e o pigmento que elas possuem é o que dá essa coloração na água– detalhou
Sendo assim, embora a água tenha ganhado o característico tom de vermelho, poderia ter ficado verde, por exemplo, a depender do organismo presente em massa. Veja como o mar ficou:
Embora trate-se de um processo natural, a floração tem ganhado força nos últimos tempos. Segundo a professora, alguns fatores justificam o salto, especialmente o aumento da concentração de nutrientes e matéria orgânica na água — vindo de esgotos e outras fontes —, e o aumento da temperatura, como consequência do aquecimento global.
Nesse cenário, as microalgas são favorecidas e crescem bastante, se multiplicam, a ponto de formar essa massa visível de pigmentos na água– explicou
Atenção, banhistas!
Mergulhar em águas em processo de floração pode ser arriscado para banhistas. Conforme detalhou Panosso, alguns sintomas comuns são coceira e sensação de irritação nos olhos. Por isso, o melhor, mesmo, é evitar a água vermelha.
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Os dois navios de cruzeiro contratados pelo governo federal para funcionar como hotéis flutuantes durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30) chegaram a Belém nesta terça-feira (4) e atracaram no recém-reformado Porto de Outeiro. O MSC Seaview e o Costa Diadema somam cerca de 6 mil leitos, que começam a receber hóspedes a partir desta quarta (5).
A iniciativa faz parte da estratégia do governo federal para ampliar a oferta de hospedagem durante o evento, que tem atraído milhares de pessoas à capital paraense. Com a rede hoteleira praticamente lotada, a chegada dos transatlânticos surge como uma alternativa prática — e simbólica — para atender à demanda da COP30.
Porto de Outeiro como porta de entrada
Para receber embarcaçõestransatlânticas, o Terminal Portuário de Outeiro passou por uma transformação completa. Foram R$ 233 milhões em investimentos, executados pela Companhia Docas do Pará (CDP) com recursos da Itaipu Binacional.
Porto de Outeiro passou por reformas para ampliar capacidade de hospedagem da COP30. Foto: Diretoria de Infraestrutura / Secop / Divulgação
O píer foi ampliado de 261 para 716 metros, recebeu 11 dolphins (estruturas de atracação) e 10 pontes metálicas, dobrando a capacidade de carga para 80 mil toneladas. O terminal também ganhou um novo centro de recepção de passageiros, com áreas de embarque, desembarque, atendimento e raios-x.
O presidente da CDP, Jardel Rodrigues da Silva, destacou que o novo Porto de Outeiro pode ser a porta de entrada do turismo internacional na Amazônia. A infraestrutura também foi elogiada pelo ministro Rui Costa, que afirmou acreditar no potencial da estrutura para levar uma nova dinâmica econômica para a região, ampliando inclusive a contratação de profissionais locais.
A capital paraense entra definitivamente na rota do turismo nacional e internacional. Esse porto viabilizará desenvolvimento econômico, social e turístico para o Pará e aumentará o transporte de carga aqui para Belém-disse o ministro
O deslocamento entre o porto e o Parque da Cidade, onde ocorrerá a COP30, levará cerca de 30 minutos durante o evento e será com transporte gratuito em ônibus oficiais que circularão por faixas exclusivas do BRT.
Hotéis flutuantes para a COP30
O MSC Seaview é um dos navios mais modernos da MSC Cruzeiros e carrega design inspirado no sol e no mar. Lançado em 2018, o gigante de 323 metros de comprimento e 18 deques tem capacidade para mais de 5 mil passageiros, distribuídos em cabines que variam de suítes luxuosas a acomodações internas confortáveis.
MSC Seaview. Foto: MSC Cruzeiros / Divulgação
O navio oferece uma estrutura completa de lazer com tirolesa, áreas gourmet e uma área de passeio envidraçada que contorna todo o casco. Agora atracado no Porto de Outeiros, o espaço permite uma vista panorâmica para o rio Guamá, mais um dos cenários da COP30.
Área de lazer do MSC Seaview. Foto: MSC Cruzeiros / Divulgação
Já o Costa Diadema, operado pela Costa Cruzeiros, tem 306 metros de comprimento e capacidade para cerca de 4.900 hóspedes. Entre os destaques a bordo, pode-se elencar sete restaurantes, onze bares, um spa inspirado no design oriental e uma ampla área de lazer ao ar livre, que deve encantar delegações vindas de todos os continentes.
Costa Diadema. Foto: Costa Cruzeiros / Divulgação
Corrida por hospedagem
Antes mesmo da chegada dos navios, a rede hoteleira de Belém já estava quase no limite. Segundo o g1, moteis da capital paraense tiveram de se adaptar para receber visitantes durante a COP30. Alguns, inclusive, reformaram quartos temáticos para transformá-los em suítes executivas.
Com os navios-hotel, o governo busca aliviar a pressão sobre o setor e garantir que todos os participantes tenham onde ficar. A estratégia também reforça o compromisso de uma COP inclusiva e sustentável, princípio destacado pelo governo federal desde o anúncio da conferência no Brasil.
Expectativa positiva na capital paraense
A chegada das embarcações é apenas um reflexo do clima de otimismo que tomou conta de Belém. Segundo pesquisa do Ministério do Turismo, 81% dos belenenses esperam impacto econômico positivo com a realização da COP30 na cidade.
Foto: Gabriel Della Giustina / COP30 / Divulgação
Para o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, o legado vai muito além do evento. “O Porto de Outeiro vai ajudar a transformar a região e acrescentar um grande potencial turístico ao porto que antes funcionava somente para cargas. Toda a cidade e a região Norte contarão com mais esse ponto nos roteiros de cruzeiros”, cravou.
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
Ir à praiae encontrar hasteada uma bandeira azul é sinal de que, por ali, é possível aproveitar com tranquilidade. Isso porque a bandeira simboliza um reconhecimento internacional, cedido a praias, marinas e embarcações que promovem, principalmente, o turismo sustentável. Na temporada 2025/2026, 60 praias e 10 marinas garantiram o selo.
Uma cerimônia nacional, realizada no Iate Clube de Santos, no Guarujá, em 31 de outubro, marcou a entrega do reconhecimento a destinosde cinco estados: Alagoas, com um; Bahia, com cinco; São Paulo, com quatro, Rio de Janeiro, com 19; e Santa Catarina, com nada menos que 31 locais reconhecidos — destes, cinco marinas e 26 praias.
Praia de Ubás, em Iguaba Grande (RJ) / Divulgação
Isso significa que cada um dos locais cumpriu quase 40 critérios para garantir o selo de qualidade. Entre eles estão a divulgação de informações sobre a qualidade da água, limpeza da praia, estrutura sanitária e de coleta de lixo, segurançae até o fornecimento de atividades de educação ambiental. Em caso de descumprimento das normas, o local pode perder a bandeira. Confira a lista completa:
Praias
Alagoas
Praia do Patacho, Porto de Pedras .
Bahia
Praia do Paraíso – Guarajuba, Camaçari;
Praia da Espera – Itacimirim, Camaçari;
Praia da Viração – Ilhas dos Frades, Salvador;
Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe – Ilha dos Frades, Salvador.
Rio de Janeiro
Praia Azeda-Azedinha, Armação dos Búzios;
Praia do Forno, Armação dos Búzios;
Praia de José Gonçalves, Armação dos Búzios (1ª vez);
Praia de Tucuns, Armação dos Búzios;
Praia Lagunar Caiçara – Arraial do Cabo;
Praia do Foguete, Cabo Frio (Trecho em frente a Lagoa das Garças, 1ª vez);
Praia do Peró, Cabo Frio;
Praia do Pontal do Peró, Cabo Frio;
Praia da Cidade Nova, Iguaba Grande;
Praia de Ubás, Iguaba Grande;
Praia do Sossego, Niterói;
Prainha, Rio de Janeiro;
Praia de Grumari, Rio de Janeiro (Trecho central);
Praia da Reserva, Rio de Janeiro (Trecho Parque Natural Municipal Nelson Mandela);
Praia das Pedras de Sapiatiba, São Pedro da Aldeia;
Praia das Pedras de Itaúna, Saquarema;
Praia do Canto da Vila, Saquarema;
Prainha, Saquarema.
Santa Catarina
Praia do Estaleirinho, Balneário Camboriú;
Praia do Estaleiro, Balneário Camboriú;
Praia de Taquaras, Balneário Camboriú;
Praia Central, Balneário Piçarras;
Praia da Barra do Rio Piçarras, Balneário Piçarras;
Praia de Piçarras, Balneário Piçarras;
Praia da Ponta do Jacques, Balneário Piçarras;
Praia da Conceição, Bombinhas;
Praia de Quatro Ilhas, Bombinhas;
Praia da Tainha, Bombinhas;
Praia de Mariscal, Bombinhas;
Prainha de Mariscal, Bombinhas;
Praia da Lagoa do Peri, Florianópolis;
Praia das Cordas, Governador Celso Ramos;
Praia Grande, Governador Celso Ramos;
Prainha de Itá, Itá;
Praia dos Molhes do Atalaia, Itajaí (1ª vez);
Praia da Bacia da Vovó, Penha;
Praia da Saudade, Penha;
Praia Grande, Penha;
Praia Vermelha, Penha (1ª vez);
Praia do Ervino, São Francisco do Sul;
Praia de Ubatuba, São Francisco do Sul;
Praia do Forte, São Francisco do Sul;
Praia Grande, São Francisco do Sul;
Prainha – Praia da Saudade, São Francisco do Sul.
São Paulo
Praia do Tombo, Guarujá (a praia mais premiada com a Bandeira Azul na América Sul).
Marinas
Yacht Clube da Bahia, Salvador – BA;
Marina Costabella, Angra dos Reis – RJ;
Tedesco Marina, Balneário Camboriú – SC;
Iate Clube de Santa Catarina, Florianópolis – SC;
Marina da Conceição, Florianópolis – SC;
Marina Itajaí, Itajaí – SC;
Marina Villa Real, São Francisco do Sul – SC;
Iate Clube de Santos, Guarujá – SP;
Voga Marine, Ubatuba – SP;
Marina Kauai, Ubatuba – SP.
Santa Catarina no topo do ranking
O estado de Santa Catarina foi o grande destaque da temporada 2025/2026, com o maior número de praias e marinas reconhecidas pelo Programa Bandeira Azul em todo o país. Além do número de destinos certificados, o estado somou outros destaques importantes.
Praia do Forte, São Francisco do Sul (SC) / Divulgação
O município de Bombinhas — que junto a São Francisco do Sul (SC) é o único do país com cinco praias aprovadas — foi reconhecido com o Prêmio Destaque em Educação Ambiental, pelo conjunto de atividades voltadas ao setor, pelo terceiro ano consecutivo. Já o Iate Clube de Santa Catarina (ICSC) – Veleiros da Ilha recebeu, pela 10ª vez consecutiva, o selo Bandeira Azul, sendo ainda premiado em outras três frentes:
1º Lugar – Prêmio Hemisfério Sul / Adaptação Climática: com o projeto “Visita Técnica à Fazenda de Ostras – Maricultura, Clima e Economia do Mar”;
Prêmio Destaque em Conjunto de Atividades – Marinas: distinção concedida pelo conjunto de iniciativas sustentáveis e educativas desenvolvidas pelo Clube ao longo do último ciclo;
Blue Flag Recognition of Ten Year of Award: honraria internacional que celebra os dez anos consecutivos de certificação Bandeira Azul, reconhecendo o compromisso contínuo com a sustentabilidade e a excelência ambiental.
A Bandeira Azul
O selo Bandeira Azul é uma certificação internacional de qualidade ambiental e gestão sustentável concedida a praias, marinas e embarcações de turismo que atendem a uma série de critérios rigorosos de excelência. O programa é promovido pela Foundation for Environmental Education (FEE), com sede na Dinamarca, e no Brasil é coordenado pelo Instituto Ambientes em Rede (IAR).
Equipe que representa o Brasil na regata de volta ao mundo guarda histórico otimista para conquistar o 1º lugar entre os barcos Sharp e o 3º na classificação geral
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) tem movimentado a rede hoteleira de Belém, no Pará, onde ocorre oficialmente de 10 a 21 de novembro. Nessa corrida por uma hospedagem no emblemático encontro, muitos optaram pelos barcos, como é o caso do presidente Lula. Ele ficará hospedado numa espécie de barco-hotel tipicamente amazônico, o IANA 3.
Em outubro, o presidente já havia expressado a vontade de se estabelecer em uma embarcação durante o evento. “Eu vou querer dormir no barco […] porque eu não quero luxo”, disse.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Aldeia Vista Alegre do Capixauã. Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Sendo assim, embora um barco da Marinhatenha sido cogitado para a hospedagem, Lula e sua equipe passarão os dias de COP30 a bordo do IANA 3, da Icotur Transporte e Turismo. Segundo o Palácio do Planalto, o presidente e sua comitiva se instalaram no barco já nesta segunda-feira (3), para compromissos que antecedem o encontro na capital paraense.
Franco Netto, consultor no segmento de embarcações de lazer e serviço, com 35 anos de atuação no mercado e participação na fundação e operação de estaleiros na região amazônica, deu à NÁUTICA detalhes dessa embarcação.
Um barco tipicamente amazônico
Basta olhar para o IANA 3 para ser transportado para os rios amazônicos. Isso porque embarcações como essa são bastante comuns na região, uma vez que constituem o principal meio de transporte e de turismode quem mora por ali, seja entre os “ônibus fluviais”, os barcos-hotel (como o caso da IANA) ou as lanchas.
Foto: Reprodução
Para se ter uma ideia, o estado de Manaus praticamente não se conecta ao resto do Brasilpor rodovias. As únicas duas disponíveis — BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO); e BR-174, que liga o estado a Boa Vista (RR) — são extremamente precárias e desafiadoras, com históricos de falta de pavimentação e manutenção. Logo, barcos como o IANA 3 possuem grande autonomia e muitas acomodações.
Nessa região, ter um barco é mais importante do que ter um carro– ressaltou Franco
Para o especialista, o barco tem entre 40 e 45 metros, com vários níveis. Abaixo do deck principal, ficam as vigias — pequenas janelas próximas à linha d’água. No deck principal, há janelas quadradas maiores, que iluminam a área de convivência, onde estão, por exemplo, cozinha e sala de televisão.
Acima, o barco conta com dois andares de camarotes, cada um com uma porta e duas janelas por cabine. No deck superior, à proa, está o posto de comando, instalado em um ponto elevado para facilitar a navegação — que, na maioria das vezes, ocorre de forma contínua, inclusive à noite.
A navegação por lá é contínua. São grandes percursos e eles normalmente não param de navegar à noite– explicou o especialista
Para garantir visibilidade noturna, então, o barco é equipado com dois holofotes. Segundo Franco, essas embarcações costumam dispensar equipamentos eletrônicos, já que os comandantes confiam mais no conhecimento dos rios e da topografia da região.
Eles usam o básico. É cultural– detalhou
Apesar disso, existe uma clara atenção dada à comunicação, visível pelos dois domos e antenas parabólicas — essas, convencionais, mesmo — instalados no topo. Os domos servem para conexão via satélite, internet e televisão. Destaca-se ainda a estrutura de ar-condicionado, geralmente composta por aparelhos splits residenciais.
Foto: AltrendoImages / Envato
Ainda sobre a estrutura do barco, há na proa uma sacada que permite ao comandante acompanhar as manobras de atracação. Logo atrás, fica o posto de comando propriamente dito, seguido pela suíte do comandante. A tripulação, por sua vez, ocupa a parte inferior da embarcação.
O olhar do especialista aponta para uma embarcação equipada com dois motores, com propulsão por linha de eixo — um sistema muito comum na região, já que lá há problemas de calado, uma vez que os bancos de areia se movimentam constantemente, deixando a profundidade da água bastante variável em alguns pontos.
Não à toa, o barco conta com um sistema de semitúnel, uma característica do formato do fundo da embarcação que ajuda a reduzir o calado e facilitar a navegação em áreas rasas. Falando em navegação, aliás, Franco destaca o casco do tipo deslocante, o que indica uma velocidade máxima entre 15 e 16 nós.
Além dos dois motores, segundo o especialista, a IANA 3 possui dois geradores principais e um gerador auxiliar, que garantem energia suficiente para todas as operações. O IANA 3 pode acomodar até 40 hóspedes à noite — chegando a mais de 70 passageiros durante o dia, conforme detalhou Franco.
Manaus abriga uma das maiores frotas de embarcações acima de 90 pés
Enquanto muitos olhares estão voltados às embarcações produzidas, principalmente, no Sul do país, Franco chama atenção para um fato curioso: “a maior frotilha de embarcações de lazer acima de 90 pés está em Manaus”.
É impressionante a quantidade de embarcações desse tamanho– comentou
Foto: Revista Sagarana / Cezar Felix / Reprodução
Combinando elementos da arquitetura residencial com técnicas navais, os barcos que navegam pela região são produzidos por lá mesmo, a partir de técnicas simples e pouca tecnologia embarcada, mas com muita história.
Nenhum barco é igual ao outro. São projetos personalizados, feitos sob medida. A essência da construção se mantém, mudando apenas o tamanho– explicou Franco
O IANA 3 ficará atracado na Base Naval de Val-de-Cans. Em nota, a assessoria de Lula detalhou que “a embarcação atende às especificações necessárias para receber o presidente e sua equipe, operando como um hotel”.
A presidência buscou soluções que fossem adequadas para receber o presidente, cumprindo a legislação vigente, o que inclui segurança, preço e conforto– destacou o comunicado
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